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Fundaj recebe lançamento de fotobiografia e exposição sobre Wilson Carneiro da Cunha
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), por meio do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco De Andrade (Cehibra), setor vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), receberá na quinta-feira (28), a partir das 18h, o lançamento da fotobiografia “Wilson Carneiro da Cunha: do Instantâneo de Rua aos Registros Caseiro”, no Auditório João Cardoso Ayres, seguida da exposição fotográfica na Sala de Leitura Nilo Pereira, ambos os espaços no campus Ulysses Pernambucano, no Derby.
A Fundaj adquiriu o acervo do fotógrafo em 1983. A coleção reúne 2.841 documentos, entre fotografias, negativos de acetato, negativos de vidro e de nitrato de celulose. Em seus registros, Wilson Carneiro da Cunha mostra as transformações urbanas, principalmente as demolições dos bairros de São José e Santo Antônio. “Será uma oportunidade de divulgar o acervo iconográfico por meio de uma das inúmeras coleções que estão sob a guarda do Cehibra. Importante ressaltar que todo o acervo da Fundaj está disponível para consulta, tanto presencial quanto digital, por meio do site da Villa Digital (villadigital.fundaj.gov.br)”, adianta a coordenadora-geral do Cehibra, Nadja Tenório.
Participam da mesa de abertura a presidenta da Fundaj, a professora doutora Márcia Angela Aguiar, a coordenadora-geral do Cehibra, Nadja Tenório, a pesquisadora da Fundaj, Rita de Cássia Barbosa de Araújo, com a equipe de pesquisa da publicação e da mostra, coordenada pela neta de Wilson Carneiro da Cunha, a fotógrafa e arte educadora Bia Lima, que divide a curadoria, autoria e organização da publicação com a pesquisadora e artista, Bruna Rafaella Ferrer. Após a abertura, haverá um bate-papo com as curadoras e a pesquisadora Rita de Cássia Barbosa de Araújo.
A publicação e a mostra são frutos de dois anos de trabalho da equipe que mapeou e sistematizou o acervo fotográfico alimentado durante 40 anos pelo repórter fotográfico Wilson Carneiro da Cunha, também conhecido como “Wilson do Kiosque”, “o fotógrafo do Recife” ou mesmo “o fotógrafo ímpar”, como ele mesmo estampou na fachada do Kiosque do Wilson. O nome do estabelecimento para serviços fotográficos, onde atuou entre 1951 e 1983, na Rua Nova, na calçada da igreja de Santo Antônio, Centro do Recife.
Em formato de e-book, com distribuição gratuita e em conformidade com as Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG) - Perceptível, Operável, Compreensível e Robusto -, a publicação “Wilson Carneiro da Cunha: do Instantâneo de Rua aos Registros Caseiro” traz 164 imagens, além de artigos sobre a obra de Wilson e o contexto histórico, filosófico e sociocultural onde ela está inserida. Já a exposição reunirá 40 fotos originais de Wilson Carneiro da Cunha. Segundo Bia Lima, a ideia da curadoria foi fazer um registro fotobiográfico de Wilson Carneiro da Cunha, destacando seu olhar “curioso, instintivo e engraçado”.
Entre os “achados” que a pesquisa ao acervo propiciou, Bia Lima destaca o apreço de Wilson aos flagrantes, tanto na esfera pública, onde ficou conhecido pelos “instantâneos de rua”, quanto na esfera familiar, com flagras da vida caseira, as poses dos animais domésticos, as crianças dormindo no sofá. “Descobrimos essa unidade, dos flagrantes. Segundo minha tia (Olegária, filha de Wilson), ele comprava os filmes para fazer o trabalho dos clientes e a sobra usava com a família. Ele saia da rua, mas a rua não saia dele”.
O fascínio de Wilson pelo cinema e por artistas hollywoodianos, segundo Bia Lima, também fica evidente nas fotos que fazia da esposa, “com alguma produção cinematográfica”. Por um desses acasos do destino, tem a assinatura de Wilson Carneiro da Cunha a foto escolhida por Kleber Mendonça Filho para ilustrar o cartaz do seu Retratos Fantasmas, filme lançado este ano que fala com nostalgia dos cinemas de rua do Recife. A foto é um registro carnavalesco, com um grupo de palhaços mascarados, na Avenida Guararapes, também no Centro do Recife.
No artigo “O fotógrafo da Rua Nova: Wilson Carneiro da Cunha e o Recife Moderno, 1940-1980”, que integra a publicação, a pesquisadora da Fundaj Rita de Cássia Barbosa de Araújo observa ”Sempre que passava pela Rua Nova, olhava bastante curiosa para a banca que expunha uma multiplicidade de vistas fotográficas sobre o Recife e retratos de pessoas que me eram estranhas, instalada bem ali, na calçada ao lado da igreja de Santo Antônio”. No texto, Rita de Cássia remonta a trajetória dos quiosques, a origem persa, a passagem pela Europa, até a chegada ao Recife, ainda no fim do século XX. E de como a grafia, à moda parisiense, capturou Conceição, a esposa de Wilson, leitora do mundo por meio das revistas de atualidades, que sugeriu batizar a banca de Kiosque do Wilson, um diferencial na movimentada rua do início da década de 1950.
Incentivo
“Wilson Carneiro da Cunha: do Instantâneo de Rua aos Registros Caseiros” é um projeto incentivado pelo Funcultura PE. Em julho de 2022, por meio do perfil do projeto no Instagram, @kiosquedowilson, foi feito um chamamento à população do Recife para rastrear imagens adquiridas pela clientela de Wilson, facilmente identificáveis por algumas marcas que ele imprimia no trabalho. Depois de reveladas, todas eram devidamente creditadas com a assinatura Wilson ou Foto Instantâneo Wilson ou ainda Kiosque do Wilson em marca d’água no canto inferior. O fotógrafo também adotou carimbos no verso. Um recorte das fotos captadas entre seus clientes faz parte do e-book.
Serviço:
Lançamento da publicação e exposição “Wilson Carneiro da Cunha: do Instantâneo de Rua aos Registros Caseiros”
28/09, a partir das 18h
Local: Abertura: Sala João Cardoso Ayres, 1º andar
Exposição: Sala de Leitura Nilo Pereira
Campus Ulysses Pernambucano da Fundaj
Rua Henrique Dias, 609, Derby