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Fundaj realiza oficina artística “O Caminho do Alabê”, por Vítor da Trindade, neto do poeta Solano Trindade
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), por meio da Diretoria de Formação Profissional e Inovação (Difor), realiza, nos dias 2, 3 e 4 de outubro, a Oficina: “O Caminho do Alabê”, ministrada pelo percussionista, compositor e professor de cultura negra, Vitor da Trindade, neto do poeta recifense Francisco Solano Trindade. A atividade faz parte do Seminário em Rede do Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional da Fundaj e Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Identidades (PPGECI/ UFRPE/ FUNDAJ).
A ação integra a Rede Colaborativa Interinstitucional que está sendo formada pela Diretoria de Formação Profissional e Inovação (Difor) da Fundaj, o PROFSOCIO/Fundaj e o PPGECI UFRPE/Fundaj, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). A iniciativa prevê a realização de atividades formativas e comemorativas dos 20 anos da Lei 10.639/03 (promoveu a obrigatoriedade de ensino de História Africana e Afro-brasileira nas escolas) e dos 15 anos da Lei 11.645/08 (estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena).
A oficina artística ocorrerá, das 9h às 12h, na Sala Sebastião Vila Nova, 2° andar, no campus Ulysses Pernambucano, localizado na Rua Henrique Dias, nº 609, no Derby. Serão disponibilizadas três turmas, uma para cada dia da atividade, com 35 vagas por turma. Para participar é necessário se inscrever gratuitamente pelo link.
A aula e o bate-papo têm como público-alvo graduandos e pós-graduandos nas áreas humanas, professores, religiosos, artistas e quem mais se interessar nas questões antirracistas, diaspóricas e afro-religiosas. A conversa parte do continente africano na antiguidade, falando sobre as dificuldades e soluções sobre a figura do Ogan Alabê, músico virtuoso e sacerdote da Orquestra dos Orixás, que traz novas epistemologias para discutir a manutenção da cultura afrodescendente.
Trazendo o Candomblé Keto como referência, a oficina também busca vivenciar um diálogo que envolve muito da Diáspora Africana em um todo. Democratizando e desmistificando as religiões de matriz africana, contra a intolerância religiosa e, principalmente, reforçando o conhecimento de técnicas diferenciadas para músicos de qualquer estilo, como artistas, educadores e sacerdotes.
Vítor da Trindade explica que o ponto de partida para sua oficina é o continente africano, da antiguidade até os dias atuais. "Vou falar sobre as dificuldades e soluções para o Ogan Alabê, músico virtuoso e sacerdote da Orquestra dos Orixás, que traz muitas ferramentas para discutir a manutenção da cultura afrodescendente e a educação musical brasileira, além das questões ligadas à luta antirracista", detalha.
Sua intenção, adianta, é que a população brasileira, principalmente as pessoas negras, possam compreender a profissão de Ogan, conforme apresenta em seu livro “O Ogan Alabê, Sacerdote e Músico”. "É fundamental notar que as pesquisas relacionadas à música das religiões afro-brasileiras são muito poucas. E podemos falar desta forma quando se trata do trabalho de várias instituições que oferecem cursos de pós-graduação no Brasil. Principalmente as que se referem à história da música do Candomblé", observa.
O músico ressalta que, se são poucas as pesquisas relacionadas à religião e suas musicalidades, às referentes ao músico do candomblé são quase inexistentes. Segundo Vitor da Trindade, pelo menos até 2021, época em que concluiu a pesquisa, esta era a situação. "Desta forma, posso falar de ancestralidade e manutenção cultural sendo herdeiro do poeta pernambucano Francisco Solano Trindade, pai de minha mãe, a escritora Raquel Trindade, que foi conhecida como 'Memória Viva da Cultura Afro-brasileira’. E isto é só uma parte de minhas referências familiares em termos de legado cultural."
Após o primeiro dia da oficina artística, no dia 2 de outubro, Vitor da Trindade fará uma oficina musical, seguida do lançamento do seu livro “O Ogan Alabê: Sacerdote e Músico”. Será das 17h às 20h, na Sala de Leitura Nilo Pereira, no térreo do campus Ulysses Pernambucano da Fundaj. Este é o terceiro livro do autor, sendo “Oganilu, O Caminho do Alabê" o primeiro, falando sobre o mesmo tema, e o segundo " A Vela Branca de Oxalá", uma publicação que reúne poesias e crônicas. "As composições da oficina musical são minhas e as apresentarei na voz e violão. O tema é sempre a comunidade afrodescendente, em termos de texto, melodia e ritmo", destaca.
Além do seu legado ancestral, Vitor da Trindade é doutorando em Musicologia pela Unesco na Universidade Franz Liszt em Weimar, na Alemanha, mestre em etnomusicologia pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e bacharel em música popular pela Faculdade Instituto Tecnológico de Osasco (São Paulo). "Sou raspado e catulado pelo Ilê Ashé Jagun cabeça de Oshalufan e Ogan de Omulu", comenta. O músico tem sete álbuns gravados, sendo três na Europa e quatro no Brasil. Em mais de 50 anos trabalhando com música, já atuou em quatro continentes (Europa, Ásia, África e América).
Serviço:
Oficina "O Caminho do Alabê" , por Vitor da Trindade
Local: Sala Sebastião Vila Nova, 2° andar
Data: 2, 3 e 4 de outubro
Horário: 9h às 12h
Oficina Musical e lançamento do livro “O Ogan Alabê: Sacerdote e Músico”,
Local: Sala da Leitura Nilo Pereira, térreo
Horário: das 17h às 20h.
Campus Ulysses Pernambucano da Fundaj
Rua Henrique Dias, 609, Derby.