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Fundaj debate dados do Censo 2022 sobre a situação das mulheres no Brasil
Especialistas, estudantes e o público geral se reuniram na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) na tarde desta quinta-feira (26) para debater a realidade das mulheres no Brasil. O evento foi realizado no campus Gilberto Freyre da instituição, em Casa Forte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e integrou as atividades de inauguração da Casa Brasil IBGE Fundaj.
Durante a abertura dos trabalhos, a presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar, abordou a importância do novo equipamento para a produção científica dos pesquisadores da instituição.
“A Casa Brasil IBGE Fundaj é uma conquista da Fundaj e possibilita o acesso a
dados, informações sobre o país, além de espaço de debates e processos formativos que aqui serão conduzidos”, destacou.
O encontro “Panorama do Censo Demográfico 2022: Mulheres no Brasil” deu visibilidade às desigualdades de gênero em busca de fundamentar políticas públicas transformadoras para uma sociedade igualitária e justa.
Os dados apresentados são um retrato de como as mulheres vivem no Brasil, a partir de perspectivas como educação, trabalho, saúde, renda, composição familiar e mobilidade.
Compuseram, a mesa de debate, além da presidenta da Fundaj, Márcia Carneiro, da Casa Brasil IBGE Fundaj; Fernanda Estelita, gerente do IBGE em Pernambuco; Verônica de Azevêdo, do Grupo Mulheres do Brasil; e Karinny Oliveira, especialista em Direito Humano das Mulheres.
As participantes analisaram os indicadores e fizeram provocações sobre quem tem acesso às políticas públicas integradas e às medidas de prevenção no País.
“Quem são essas mulheres que promoveram esses indicadores e acessaram essas pesquisas? Quantas de nós não estão aqui e não acessam a política pública?”, refletiu Karinny. Para ela, “esses números não estão em uma análise quantitativa esvaziada de memória, eles representam as nossas vozes”.
Já Verônica Azevedo fez uma provocação sobre o compromisso da sociedade diante das falhas na promoção de um território verdadeiramente igualitário. “O que nos preocupa neste momento é a epidemia de guerra que nós, mulheres, travamos todos os dias”, afirmou.
Alguns dados que se destacaram foram:
. 19,1% das mulheres tinham ensino superior (contra 14,2% dos homens)
. Mulheres gastavam 21,3 horas por semana em trabalho doméstico não remunerado (contra 11,7h dos homens)
. 86,5% dos domicílios monoparentais tinham mulheres como responsáveis
“Além de retratar a sociedade, o IBGE tem um papel fundamental de subsidiar política pública baseada em evidências, números e naqueles retratos que conseguimos fazer dentro dessa coletividade gigante”, finalizou Barbara Cobo Soares, do Instituto, em videoconferência.