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Ficção imagética marca a exposição Cruzadas, um fotopoema que ocupa a Galeria Baobá da Fundaj
Fotografias que fabulam a ocupação por meio de códigos políticos ligados ao desejo compõem a exposição “Cruzadas”, que foi inaugurada no último dia 13, na Galeria Baobá, no campus Gilberto Freyre da Fundação Joaquim Nabuco em Casa Forte. Desenvolvido pela Unidade de Artes Visuais da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), a mostra é fruto do VII Concurso de Residências Artísticas da Fundaj. Prestigiaram a estreia da exposição o diretor da Dimeca, Túlio Velho Barreto, e Jackson Cavalcanti Jr, fundador do Grupo de Atuação Homossexual (Gatho), organização com forte atuação política nos anos 80.
A artista paraense Tetê, residente no Recife desde 2017, realizou um trabalho de pesquisa no qual mapeia as práticas de cruising na cidade com as memórias de pessoas que viveram os territórios gays do momento histórico pré-HIV. A partir de relatos de Jackson Cavalcanti Jr., Tetê, que também é poetisa, produziu imagens analógicas de espaços de encontro e de prazer. Cada fotografia tem como título um verso do poema Cruzadas, de autoria da artista. “A exposição é um grande poema e Jackson, um grande avatar desse passado. De certa maneira, ele acabou passando de tema para personagem, corpo e ação”, releva Tetê.
Para a educadora Myllena Matos, do Educativo de Artes Visuais da Dimeca, a artista pensa a cidade como um campo de fruição e disputa política, espaço cuja funcionalidade é desafiada por práticas encenadas por corpos por meio de uma ficção imagética”.
A exposição “Cruzadas” segue em cartaz até o dia 6 de abril na Galeria Baobá, que funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca.