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Exposição Elas chega ao fim com palestra, homenagem a artistas e lançamento de catálogo
Após 16 meses em exibição no Museu do Homem do Nordeste (Muhne), a exposição “Elas: onde estão as mulheres nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco?” sai de cartaz nesta segunda-feira (15). O encerramento da mostra será realizado na sala Calouste Gulbenkian, no campus Gilberto Freyre da Fundaj, no bairro de Casa Forte, e contará com uma palestra ministrada pela historiadora, antropóloga e curadora Lilia Schwarcz. A programação do evento conta ainda com uma homenagem a dez artistas com obras expostas na mostra e o lançamento oficial do catálogo, que reúne fotos, textos e documentos sobre a exposição homônima.
Inaugurada em 15 de agosto de 2024, a exposição “Elas” propõe uma reflexão sobre a presença e a representação feminina no material salvaguardado pela Fundaj. A mostra apresenta mais de 400 itens sob responsabilidade da instituição — entre publicações, vídeos, fotografias, pinturas, discos de vinil, rótulos comerciais e outros — criados por mulheres ou que representam identidades femininas. As obras expostas são totalmente provenientes de aquisições e doações de entidades e acervos pessoais, a maioria sob a guarda do Centro de Estudos da História Brasileira (Cehibra) e do Muhne. Na época, a inauguração da “Elas” marcou ainda a reabertura do primeiro andar do Museu, fechado desde 2008.
Para abrir a programação de encerramento da exposição, a Fundaj recebe a historiadora, antropóloga, e curadora Lilia Schwarcz. Com foco no trabalho mais recente dela, “Imagens da branquitude: a presença da ausência”, a conferência terá mediação da historiadora Cibele Barbosa, da Fundaj, que vê neste trabalho de Lilia um diálogo importante com a mostra. “[O trabalho mais recente de Lilia] converge bastante com a exposição, porque ‘Elas’ é uma exposição sobre ausências, também, e que também trata do racismo epistêmico e visual na construção das imagens e nos arquivos”, explica Cibele.
Professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Princeton e membro da Academia Brasileira de Letras, Lilia Schwarcz é autora de mais de 30 livros e catálogos de arte, publicados no Brasil e no exterior. Entre suas obras, estão “O espetáculo das raças”, “Brasil: uma biografia” e “Imagens da branquitude”, tendo recebido oito prêmios Jabuti, dois APCAs, o prêmio da Biblioteca Nacional e o prêmio da ANPOCS. Lilia também foi curadora para histórias do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) de 2015 a 2023, e curou mais de 20 exposições no Brasil e no exterior.
Lançamento do catálogo da exposição
Além das homenagens e da palestra com Lilia Schwarcz, a programação do encerramento da exposição conta ainda com o lançamento oficial do catálogo “Elas: onde estão as mulheres no acervo da Fundação Joaquim Nabuco?”. Distribuído pelo Museu do Homem do Nordeste, a publicação reproduz, em suas 256 páginas, fotos, textos e documentos sobre a exposição de mesmo nome. Publicado pela Editora Massangana, o livro conta com capítulos que carregam os mesmos nomes dos núcleos da mostra: “O que é ser mulher?”, “Recatada e do lar?”, “Sexo frágil?”; “Objeto para o seu olhar?”, e “ELAS, presentes!”.
“O catálogo representa mais do que o registro de uma exposição. Ele é um marco no reconhecimento da presença e da contribuição das mulheres na construção da memória cultural brasileira. Ao reunir essas histórias e expressões, a Fundação Joaquim Nabuco reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade e com a promoção da igualdade de gênero nos espaços de produção e preservação do conhecimento”, destacou Márcia Angela Aguiar, presidenta da Fundaj.
De acordo com Cristiano Borba, coordenador da Editora Massangana, esta é a primeira vez que a Fundação adota esse tema como paradigma de curadoria para o conjunto de seus acervos, reunindo peças museológicas, documentos, livros, fotografias e produções em videoarte. “Por isso é tão importante a sua fixação em forma de livro. Quando a exposição terminar, nós a teremos documentada, preservando a memória intelectual desse trabalho. É uma forma, também, de ampliar o público que vai consumir esse conhecimento no futuro. A exposição foi inovadora, até mesmo revolucionária — e a oportunidade de torná-la uma obra durável, perene, nos deixa muito satisfeitos”, disse.
A organização do catálogo é da chefe do Serviço de Estudos Museais, Silvia Barreto; do museólogo Henrique Cruz e da historiadora e colaboradora Rosilene Farias — todos da equipe no Muhne. O projeto editorial é da própria equipe da Massangana, e o projeto gráfico é de Hiago Henrique, designer da editora. O Muhne, o Cehibra e a Editora Massangana são vinculados à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj.
Encerramento da exposição “Elas: onde estão as mulheres nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco?
Programação
13h30 – Abertura
14h – “Imagens da branquitude nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco”
Palestrante: Lilia Schwarcz, professora da USP e da Universidade de Princeton e membro da Academia Brasileira de Letras
Mediadora: Cibele Barbosa, historiadora e pesquisadora da Fundaj
15h30 – Homenagem para dez artistas mulheres que estão com obras de arte presentes na exposição Elas
16h – Lançamento do catálogo da exposição Elas
17h - Encerramento