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Evento internacional no Recife aborda sistemas complexos e reforça metodologia adotada em pesquisa da Fundaj
Está sendo realizada, até esta sexta-feira, 30 de janeiro, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em articulação com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a CIMPA School Recife 2026, escola internacional dedicada ao estudo da matemática dos sistemas complexos, suas bases teóricas e aplicações interdisciplinares em diferentes áreas do conhecimento. O evento reúne estudantes, jovens pesquisadores e docentes do Brasil e do exterior, com uma programação que inclui cursos avançados, sessões temáticas, palestras e atividades acadêmicas integradas.
A CIMPA School é uma iniciativa do Centro Internacional de Matemática Pura e Aplicada (CIMPA), com apoio da Unesco e da International Mathematical Union (IMU), e tem como objetivo fortalecer a pesquisa científica em países em desenvolvimento, promovendo a formação avançada e a cooperação científica internacional. A edição realizada no Recife conta com o apoio institucional da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que reconhece a relevância da iniciativa para o avanço da ciência, da educação e da pesquisa interdisciplinar.
Ao longo da programação, o evento aborda metodologias contemporâneas de análise aplicadas a sistemas complexos, com destaque para o uso de modelos adaptativos, ferramentas matemáticas avançadas e abordagens interdisciplinares que dialogam com áreas como ciência de dados, inteligência artificial (IA), neurociência, epidemiologia e políticas públicas. Essas metodologias permitem compreender fenômenos complexos a partir da interação entre múltiplos fatores, superando análises isoladas ou lineares.
A abordagem de sistemas complexos adaptativos discutida no evento guarda estreita relação com pesquisas recentemente desenvolvidas no âmbito da Fundaj. Um exemplo é o projeto “Fundaj Vai à Escola”, coordenado pelo pesquisador Marcos Lucena, recém-concluído, que utilizou essa metodologia para investigar questões relacionadas ao ensino de ciências, tecnologia, políticas públicas e desigualdades educacionais.
No projeto, o ferramental teórico-metodológico interdisciplinar de sistemas complexos foi aplicado à análise de dados coletados em escolas do Agreste pernambucano, envolvendo percepções de alunos e professores sobre acesso à tecnologia, metodologias de ensino, formação docente e impactos do período pandêmico e pós-pandêmico. A escolha dessa abordagem permitiu integrar dimensões pedagógicas, socioeconômicas, tecnológicas e emocionais, alinhando-se às diretrizes contemporâneas de pesquisa defendidas pela Fundaj.
A experiência acumulada no “Fundaj Vai à Escola” serve agora de base para a elaboração de um novo projeto de pesquisa, em fase final de construção, que aprofunda o uso de sistemas complexos adaptativos, inteligência artificial e metodologias inovadoras aplicadas à educação, à ciência e tecnologia e às políticas públicas. A proposta prevê a ampliação das parcerias institucionais e o fortalecimento da atuação da Fundaj nesse campo estratégico.
Um dos objetivos dessa nova proposta é a constituição de um grupo de pesquisa na Fundaj dedicado ao estudo de sistemas complexos aplicados à educação e às políticas públicas, consolidando uma agenda de investigação interdisciplinar e de longo prazo. A iniciativa busca articular pesquisa científica, formação de pesquisadores e produção de conhecimento aplicado a desafios concretos da sociedade.
Além das parcerias locais, o novo projeto prevê colaboração internacional, com a participação do Dr. Fernando Santos, da Universidade de Amsterdã (UvA), pesquisador de destaque na área de análise topológica de dados e sistemas complexos, que integra a programação da CIMPA School Recife 2026 como docente. A aproximação científica reforça o caráter internacional da pesquisa e amplia as possibilidades de cooperação acadêmica.
O professor Fernando Santos, que integra o Dutch Institute for Emergent Phenomena (DIEP) (Instituto Holandês de Fenômenos Emergentes) falou sobre a experiência realizada no Recife e explicou que a área de sistemas complexos permite a modelagem de fenômenos sociais a partir de dados organizados em redes. Segundo ele, trata-se de um novo paradigma de pesquisa, no qual “os dados hoje não são mais apenas entrevistas individuais, mas dados no formato de redes complexas, como os provenientes das redes sociais, do IBGE e de outras bases institucionais”. A partir desse tipo de informação, torna-se possível observar a sociedade de forma coletiva e aplicar modelos matemáticos e computacionais. “Com esse tipo de dado, fica muito mais viável modelar a sociedade utilizando métodos de sistemas complexos”, explicou, citando exemplos como a análise de dinâmicas eleitorais, comportamentos coletivos, polarização, segregação e desigualdade.
O professor ressaltou, ainda, que a parceria com a Fundação Joaquim Nabuco tem papel estratégico na consolidação dessa área de pesquisa. “A natureza da pesquisa em sistemas complexos é essencialmente interdisciplinar, e isso dialoga muito com a Fundaj, que reúne pesquisadores de várias áreas das Ciências Humanas e Sociais”, afirmou. “Estamos tentando criar um grupo de pesquisa em modelagem de cenários complexos, especialmente em dinâmicas sociais, e a expectativa é que essa seja a primeira de muitas outras parcerias com a Fundação”, concluiu.
A programação tem início às 9h e reúne sessões temáticas paralelas de pesquisa ao longo do dia, com apresentações nas áreas de Sistemas Dinâmicos, Geometria Diferencial, Neurociências e Modelagem Estocástica, distribuídas em diferentes salas dos departamentos de Estatística e Física. As atividades se desenvolvem durante a manhã e a tarde, promovendo o intercâmbio acadêmico entre pesquisadoras e pesquisadores, e são concluídas às 17h30, com a cerimônia de encerramento. Mais informações estão disponíveis no link: https://cimpaschoolrecife.github.io/