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Diretor da Dimeca fará palestra sobre o impacto do Golpe de 1964 no Nordeste em evento de trabalhadores no Ceará
O economista Celso Furtado, criador da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) defendeu a tese de que a Região Nordeste foi a mais afetada pela ditadura: sofreu o corte em uma série de políticas sociais em curso para minimizar as desigualdades regionais, como a criação da Sudene. Neste ano, quando o golpe civil-militar completa 60 anos, atendendo a convite da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), o cientista político, pesquisador e diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto, falará sobre o assunto.
Com o tema “O Golpe de 1964 e seus impactos no Nordeste”, a palestra será realizada na próxima sexta-feira (31/05), das 9h às 11h, dentro da programação do 29º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste, que acontecerá da quinta-feira (30) ao sábado (1/06), no município de Beberibe, região litorânea do Ceará. “A ideia é mostrar como o Nordeste foi afetado pelo Golpe de 1964, a partir da quebra de todo um processo de intervenção do Estado brasileiro e da mobilização dos movimentos sociais na região”, adianta Túlio Velho Barreto.
O cientista político e diretor da Dimeca, lembra que, nos anos de 1950 e início dos anos 1960, o Nordeste foi objeto da ação do Governo Federal a partir da criação do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), embrião da Sudene, tendo Celso Furtado à frente. Ações que respondiam a demandas de movimentos sociais, como as Ligas Camponesas e sindicatos rurais.
Nesse período, estavam em curso projetos de alfabetização, comandados por Paulo Freire, e de combate à fome, liderados por Josué de Castro, todos interrompidos pelo Golpe. “Concordo com Celso Furtado, quando ele aponta, no depoimento para o livro que organizei, que foi a região Nordeste a mais afetada, na medida em que o Golpe interrompeu amplo projeto de desenvolvimento econômico e social”, afirma o cientista político.
O 29º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Nordeste tratará, também, de temas relacionados à categoria, como melhorias das condições de trabalho, do plano de cargos e salários, da promoção da saúde, da abertura de concurso público para técnicos de campo, da manutenção e ampliação do teletrabalho. As demais palestras contarão com a participação de cientistas políticos e economistas, que abordarão temas da conjuntura nacional e regional.