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Dia de celebrar o Manguebeat e Chico Science
Nesta quinta-feira (13/03), Pernambuco celebra o Dia Estadual do Manguebeat, movimento de contracultura que surgiu nos anos 1990, no Recife. Com inspiração no livro “Homens e Caranguejos”, do pernambucano Josué de Castro, o manguebeat fez do mangue seu lugar referencial. O caranguejo, portador da diversidade biológica do mangue, e a antena parabólica, que conecta, são os símbolos do movimento que misturou tambores do maracatu, frevo, coco e ciranda com elementos da cultura pop, hip-hop e rap com o rock pesado. Não por acaso, a data definida para celebração é a do aniversário do principal idealizador do movimento, o cantor e compositor Francisco de Assis França, o Chico Science.
Com canções que renovaram o cenário musical pernambucano e questionando as desigualdades sociais, o Manguebeat ganhou data oficial no calendário pernambucano em 2023, a partir de Projeto de Lei de autoria da deputada estadual Dani Portela. “É sempre uma oportunidade importante comemorar o Dia Estadual do Manguebeat, que tanto impactou a nossa cultura a partir dos anos de 1990. Trata-se de uma ampla cena cultural que abarcou não apenas a música, o que sempre é tão destacado, mas igualmente o cinema, as artes visuais, a culinária, a moda e outras expressões da cultura pernambucana. Além de ter rompido as fronteiras do estado e mesmo nacional, tendo influenciado a música contemporânea mundo afora, sobretudo a música de vanguarda a partir de nossos ritmos e instrumentos”, destaca o diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto.
Chico Science nasceu em Recife em 13 de março de 1966. Servidor público da Emprel, em 1994 deixou o serviço público para gravar seu primeiro álbum “Da Lama ao Caos” com a banda Nação Zumbi. Como seus parceiros na idealização do movimento mangue, contou com o vocalista da banda Mundo Livre S/A, Fred Zero Quatro, que escreveu o manifesto Caranguejo com Cérebro, do webdesigner H.D. Mabuse, o DJ Dolores (Helder Aragão) e o jornalista Renato L.
O Manguebeat estendeu-se para outras artes, como cinema, fotografia, teatro, entre outras. A primeira turnê internacional incluiu os festivais de Montreux, na Suíça, e JVC, em Nova York. O segundo disco, "Afrociberdelia", chegou ao 5º lugar na World Music Charts Europe. O último trabalho de Chico Science foi a regravação de "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Os dois álbuns foram incluídos na lista dos 100 melhores da música brasileira pela revista Rolling Stone.
Chico Science faleceu aos 30 anos em 2 de fevereiro de 1997 em um acidente de carro na rodovia PE-1, entre Olinda e Recife. Deixou milhares de fãs e um legado musical que atravessa gerações. O Manguebeat inspirou bandas e músicos, como Mombojó, Cordel do Fogo Encantado, Bonsucesso Samba Clube, Banda Eddie e Otto.