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Coordenador do Cinema da Fundação lança livro sobre o cinema entre 1997 e 2002
Uma noite dedicada ao cinema, à crítica e à produção textual marcou o lançamento do livro “Vinte e cinco: escritos de cinema (1997-2022)”, de Luiz Joaquim, coordenador do Cinema da Fundação, um equipamento cultural vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O evento, realizado na Sala Derby, reuniu amigos, familiares e admiradores para celebrar a obra.
A presidenta da Fundaj, a professora doutora Márcia Angela Aguiar, esteve presente e parabenizou Luiz pelo lançamento, destacando sua contribuição para a instituição. "Hoje é, sem dúvida, uma noite inesquecível para a Fundaj. A presença do coordenador Luiz Joaquim, lançando seu livro, traz uma reflexão crítica sobre o cinema, mostrando um grande engajamento na luta para que todos tenham acesso a produção cultural veiculada pelo cinema. Fico muito satisfeita em saber que o livro estará nas mãos de quem se interessa e daqueles que estão começando a conhecer o mundo do cinema. A Fundação parabeniza Luiz Joaquim por sua grande contribuição."
O diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), Túlio Velho Barreto, também participou da cerimônia e destacou a relevância da produção cultural no Estado. “Nada mais justo que receber na Fundaj o lançamento do livro do coordenador e curador do Cinema da Fundação, o crítico Luiz Joaquim, em boa hora lançado pela Cepe. É um privilégio o público presente ter tido a oportunidade de compartilhar com ele e com Ernesto Barros, dois craques, um bate-papo sobre até que ponto a crítica cinematográfica é ou não um gênero literário. O livro de Luiz Joaquim escancara a qualidade do trabalho que se faz em Pernambuco nesse campo. Ainda bem que a Fundaj conta com os dois em seus quadros.”
O livro, editado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), reúne análises sobre a produção cinematográfica de Pernambuco, do Brasil e de outros países. Com um olhar que equilibra impressões pessoais e o contexto audiovisual, oferece reflexões sobre filmes ao longo de seus 25 anos de trajetória como crítico. Ao público, o autor expressou sua gratidão pela presença de tantas pessoas queridas no evento, assinando cuidadosamente cada uma das dezenas de dedicatórias e destacando o livro como um registro valioso sobre o cinema para a posteridade.
“Fico tocado que as pessoas saiam de casa para ver um trabalho que realizei, uma coleção de textos que, lá atrás, nunca imaginei transformar em livro. Fico feliz que tenha acontecido, é fruto dos desafios que nos são colocados o tempo todo. Não sei qual será a validade do livro, e espero que as pessoas possam dizer. O melhor dono dessa resposta é o tempo. Existem livros com esse perfil que são extremamente valiosos para mim, porque resgatam o pensamento de gênios da crítica que ficaram para trás, mas que os livros salvaram de alguma forma. O cinema tem sua validade por si só, mas, para o mundo, o que fica são os textos avaliativos, críticos, as impressões dos especialistas. Eles são o documento histórico do cinema, além do filme em si", disse Luiz.
A noite contou ainda com a exibição do curta-metragem Conceição, de Heitor Dhalia, seguida de um bate-papo enriquecedor sobre crítica cinematográfica com o curador do Cinema da Fundação, Ernesto Barros. Durante a conversa, foi debatido o papel da crítica como possível gênero literário, suas recentes transformações e a relevância dessa prática para o mercado audiovisual em meio à efervescência das redes sociais.
"Aos poucos, quando o grande mundo da internet foi aberto, no final dos anos 90, muita gente encontrou um espaço interessante para escrever sobre cinema, como se fazia nos jornais. Parecia algo paralelo. Mas esse boom das redes sociais nos últimos anos mudou a percepção do que é crítica. Basta ter uma opinião, e você já tem um receptor. Você fala o que quer sobre o filme e ganha seguidores. De repente, três linhas já são consideradas críticas de cinema. Isso fez com que tudo se misturasse muito. Ainda assim, existem espaços para uma escrita mais aprofundada, com mais tempo de observação do filme e um texto mais interessante", concluiu Ernesto Barros.