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Contribuição da Fundaj à memória da Confederação do Equador é celebrada no Senado
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) foi homenageada, nesta segunda-feira (7), em Sessão Especial realizada no Plenário do Senado Federal, em Brasília, como reconhecimento por sua contribuição à preservação e difusão da memória da Confederação do Equador. A solenidade integrou as ações da Comissão Temporária Interna do Senado dedicada à celebração dos 200 anos do movimento, presidida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Presente no Plenário do Senado, a presidenta da Fundaj, a professora doutora Márcia Angela Aguiar, destacou o papel da Fundação no trabalho de resgate histórico: “Nabuco, que contribuiu para o exitoso trabalho desenvolvido por essa Comissão. A Fundaj, como guardiã da memória de fatos significativos da história do Nordeste e do Brasil, deu acesso aos seus acervos para um trabalho de pesquisa que reforça sua missão no compromisso com a democracia e com a justiça social. A Confederação do Equador será lembrada pela coragem dos heróis que deram a vida em defesa do Brasil.”
A mesa da sessão foi composta pela presidenta da Comissão, a senadora Teresa Leitão; pela vice-presidenta da Comissão, senadora Jussara Lima (PSD-PI); pelo senador Humberto Costa (PT-PE), membro da Comissão; pelo senador André Amaral (PSD-PB), suplente do senador Efraim Filho; por Leonardo Cardoso de Magalhães, defensor público federal; e por Márcio Tancredi, diretor-executivo de Gestão do Senado.
Durante a cerimônia, foi exibido trecho do documentário Uma outra independência, produzido pela TV Senado, fruto da parceria da Comissão com diversas instituições, incluindo a Fundaj. O vídeo apresenta imagens históricas, entrevistas com pesquisadores e registros na Igreja do Terço, no Recife, onde Frei Caneca atuou como liderança da Confederação. A produção completa estará disponível no canal da TV Senado no YouTube.
Em sua fala, a senadora Teresa Leitão reforçou o caráter pedagógico do trabalho da Comissão: “A Confederação do Equador não foi um movimento político surgido do nada. Foi um movimento nascido das aspirações mais profundas da brasilidade. Surgiu da indignação com as medidas arbitrárias e autoritárias ditadas por Dom Pedro I.” Ela ainda completou: “Vamos ler, vamos conhecer melhor a nossa história, visitar a exposição iconográfica, ler as publicações de diversos autores, assistir ao documentário e nos apropriar de todo o acervo que estará disponível no site do Senado Federal.”
Além da presidenta da Fundaj, estiveram presentes como convidados especiais: Moacir Cunha, vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o ministro André Heráclito do Rego, diplomata e historiador; o professor George Cabral de Souza (UFPE), organizador de obras lançadas pela Comissão; e Johny Santana de Araújo, da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
O senador Humberto Costa também destacou a relevância histórica do movimento e da homenagem à Fundaj: “Pernambuco, assim como outras províncias, se levanta contra isso — pela liderança de Manuel de Carvalho, do próprio Frei Caneca, de Cipriano Batista — e faz um movimento que tem características importantíssimas no sentido de ser humanista, defensor do iluminismo, do republicanismo, da liberdade.”
No encerramento da sessão, ao som de frevo, a Comissão do Senado entregou certificados de homenagem às instituições parceiras pelo apoio ao bicentenário da Confederação. A Fundaj foi uma das contempladas. A presidenta Márcia Angela reforçou o simbolismo da participação da Fundação no processo. “A contribuição da Fundaj evidencia através de seus acervos que somente com coragem, com dignidade e na luta é que se constrói uma nação soberana.”
A senadora Teresa Leitão fez, ainda, uma saudação à equipe da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), da Fundação Joaquim Nabuco, pela contribuição à pesquisa da Comissão do Senado e destacou que a Instituição concedeu imagens importantíssimas do centenário da confederação, que compuseram o documentário. O agradecimento foi feito em nome de Nadja Maria Tenório, coordenadora-geral do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira (Cehibra), Sylvia Costa Couceiro, coordenadora do Centro de Documentação e Pesquisa (Cdoc), e Veronilda Barbosa dos Santos, coordenadora da Biblioteca Blanche Knopf.
Confederação
A Confederação do Equador foi um movimento político e militar iniciado em Pernambuco, em 1824, e rapidamente expandido para outras províncias do Nordeste. Defendia ideias federalistas, a autonomia das províncias, as liberdades civis e os direitos individuais, em contraposição ao modelo centralizador imposto por Dom Pedro I. A memória dessa luta segue como referência para a defesa da democracia e da justiça social no Brasil.
Esse movimento surgiu como reação à centralização excessiva do poder pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I, que dissolveu a assembleia constituinte e impôs uma Constituição autoritária. Lideranças como Frei Caneca, Manuel de Carvalho e Cipriano Batista mobilizaram homens e mulheres que buscavam maior autonomia política e respeito às liberdades democráticas nas províncias. Apesar da repressão violenta e da curta duração, a Confederação do Equador deixou um legado histórico importante que inspira movimentos em prol da descentralização do poder e da ampliação dos direitos civis até os dias atuais.
Contribuição
A Fundaj tem uma parceria formalizada entre a instituição e o Senado, por meio de um protocolo de intenções voltado à produção de conteúdos culturais e educacionais sobre a Confederação. Essa colaboração envolveu o compartilhamento de acervos e o intercâmbio entre equipes técnicas, com o objetivo de apoiar a criação de produtos como um documentário, uma exposição iconográfica, um website e publicações diversas.
A Fundação foi uma das primeiras instituições visitadas pela Comissão do Senado após sua instalação, em dezembro de 2023.