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Cinema da Fundação recebe pré-estreia de Lispectorante com presença da equipe do filme
A Sala Derby do Cinema da Fundação recebeu, na noite de terça-feira (6), a pré-estreia do longa Lispectorante, novo trabalho da diretora pernambucana Renata Pinheiro. A sessão, realizada em parceria com a Embaúba Filmes, antecede o lançamento nacional da obra, previsto para 8 de maio.
Livremente inspirado no universo de Clarice Lispector, o filme foi exibido para uma sala lotada, reunindo público, equipe técnica e elenco. Estiveram presentes a diretora Renata Pinheiro, a atriz Marcélia Cartaxo — protagonista do longa — e o roteirista Sérgio Oliveira, além de outros integrantes da equipe. Ao final da sessão, o público participou de um debate mediado por Luiz Joaquim, coordenador do Cinema da Fundação.
"Estrear no Cinema da Fundação é quase uma tradição, é como começar com o pé direito. A casa cheia me deixou muito feliz", comentou a diretora Renata Pinheiro. "Li Clarice Lispector pela primeira vez aos 16 anos. Não compreendia tudo, mas sentia. E é esse sentimento que tentamos preservar no filme: o mergulho na subjetividade de uma mulher de 60 anos e na memória das ruas do bairro da Boa Vista. Clarice está presente de forma simbólica, como uma personagem oculta, e a casa onde viveu tem um papel central", completou.
Na trama, Glória Hartman, personagem interpretada por Marcélia Cartaxo, retorna ao Recife em meio a uma crise existencial e financeira. A atuação intensa da atriz, conhecida por seu papel como Macabéa na clássica adaptação de A Hora da Estrela, foi amplamente comentada pelo público durante a conversa.
Marcélia também destacou a importância do reencontro com o universo de Clarice. “Vivi Macabéa há 40 anos e, desde então, fui compreendendo ainda mais a grandeza dessa autora. Clarice tem uma representação muito forte para a mulher, para a cultura e para a literatura brasileira. Retornar a esse universo com a maturidade que tenho hoje foi um processo de muito aprendizado”, afirmou. Segundo a atriz, a personagem Glória faz um mergulho que remete às memórias de Clarice, à cidade e ao tempo. “Quem não quer falar sobre Clarice? Ela abre um portal para falarmos de nós mesmas, da cultura, da sociedade”, completou.
O roteirista Sérgio Oliveira explicou que, embora não se trate de uma adaptação literal, o filme mantém relação constante com a obra de Lispector. “Lispectorante é entrelaçado com a escrita de Clarice. Há referências explícitas a contos como ‘Restos de Carnaval’ e ao romance A Paixão Segundo G.H.. Tivemos liberdade total para criar, e isso também é muito do espírito da autora. Clarice pensava que não era capaz e mesmo assim seguia. Nosso filme carrega essa coragem.”
Ao comentar a repercussão da sessão, o coordenador Luiz Joaquim destacou o perfil do público. “Recebemos fãs de Clarice e fãs de Marcélia. Essa junção resultou num debate cheio de referências e sensibilidade. O filme é uma espécie de amálgama dessas duas forças: a persona de Marcélia, tão presente, e a proposição estética e poética de Renata, que mergulha no universo da escritora”, comentou.
Para a espectadora Erika Marcela, a experiência foi marcante. “A presença de Marcélia Cartaxo foi sensacional. O filme é impactante, e o debate ajudou a compreender melhor as escolhas e as camadas da obra. Foi uma noite perfeita”, afirmou.