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Cinema da Fundação recebe alunos da EJA para sessão acessível e visita mediada à exposição Lá Vêm Elas
Cinema, arte e acessibilidade definiram a noite da última terça-feira (6) no campus Gilberto Freyre da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em Casa Forte. Como parte do Programa de Educação e Acessibilidade do Cinema da Fundação, a Sala Museu recebeu três turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Recife para uma sessão acessível do documentário “Quem é o Último”, bem como uma visita mediada à exposição Lá Vêm Elas, em exibição no Museu do Homem do Nordeste (Muhne). O Cinema da Fundação e o Muhne são equipamentos vinculados à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj.
Apresentada por Túlio Rodrigues, monitor de acessibilidade do Cinema, ao lado de Júlia Dias, intérprete de Libras da Fundaj, a sessão acessível — que conta com som reduzido, maior iluminação, circulação liberada e recursos como audiodescrição, Libras e Legendas para Surdos e Ensurdecidos (LSE) — reuniu cerca de 90 estudantes das escolas municipais da Mangabeira, Vila Sésamo e UR-05. Esta foi a primeira de três sessões do Programa de Educação e Acessibilidade que articulam exibições de filmes do Festival Assim Vivemos à exposição Lá Vêm Elas. Dirigido por Siarhei Isakov, de Belarus, a média-metragem Quem é o Último apresenta um projeto teatral no qual crianças com e sem autismo atuam em conjunto e o trabalho dos professores para uní-las apesar das diferentes necessidades emocionais, físicas e mentais.
Navegando na temática da inclusão e acessibilidade iniciadas pela exibição no Cinema, a visita mediada à mostra instalada na Galeria Waldemar Valente, espaço ligado ao Muhne, estendeu as reflexões dos estudantes à arte. A exposição reúne vídeos que mesclam diferentes linguagens artísticas e dão visibilidade à luta e ao protagonismo das mulheres com deficiência, dialogando com a mostra “Elas: onde estão as mulheres nos acervos da Fundaj?”, também em exibição no Muhne. Assim como a sessão, “Lá Vêm Elas” conta com ampla acessibilidade, incluindo audiodescrição, Libras, legendas, braille e equipe de mediação capacitada, reforçando o compromisso da mostra com a inclusão.
Para Jairo Pacífico, técnico-pedagógico da EJA da Secretaria de Educação do Recife, a visita aos equipamentos da Fundaj foi de grande valor para as turmas, que também possuem estudantes com alguma deficiência ou transtorno que pode dificultar a aprendizagem. “Todas essas pessoas estão dentro da sala de aula e têm os mesmos direitos e precisam aprender. O filme [Quem é o Último] mostra que todos aqueles alunos são capazes de aprender e o Cinema da Fundação fortaleceu o entendimento deles de que são capazes de produzir também”, comentou.
Além dos alunos da EJA, estudantes do curso de Multimídia da Escola Técnica Estadual (ETE) Porto Digital participaram e registraram a atividade em vídeo. Orientada pelo professor Danilo Lucio, a equipe acompanhou a visita para produzir um documentário que retrata a experiência de assistir a um filme no cinema com recursos de acessibilidade. Segundo o professor, a ideia surgiu das sessões que já ocorriam na Sala Porto do Cinema da Fundação com os estudantes da ETE. “A partir disso, propusemos um filme para contar essa história de uma sessão de cinema acessível, que achamos importante e que precisa ser amplificada. Então colocamos os estudantes para escrever o roteiro, pensar o filme e toda a estrutura de como contar essa história”, detalhou.