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Cinema da Fundação celebra 200 sessões acessíveis
Nesta quinta-feira (12), o Cinema da Fundação celebrou a marca de 200 sessões acessíveis. Para marcar a conquista, foi exibido o filme Lispectorante, na Sala Museu. Participaram da sessão um grupo de idosas do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Alto do Mandu e estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Silva Jardim. O Cinema da Fundação é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
Desde que foi iniciado, em 2017,o Programa de Acessibilidade alcançou 13.058 pessoas e 224 instituições que marcaram presença nas atividades com estudantes, pessoas com deficiência, neurodivergentes, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social e em situação de rua. Nas exibições acessíveis os filmes contam com audiodescrição, para pessoas com deficiência visual, legendas e libras (língua brasileira de sinais), para pessoas com deficiência auditiva.
“A Fundaj, ao tornar acessíveis os seus bens culturais, cumpre o preceito institucional de respeito à dignidade de todas as pessoas, favorecendo, assim, a plena cidadania”, afirma a presidenta da Fundaj, Márcia Angela Aguiar. Estiveram presentes na sessão o diretor da Dimeca, Túlio Velho Barreto, o coordenador do Cinema da Fundação, Luiz Joaquim, Tùlio Rodrigues, educador de acessibilidade do Cinema da Fundação e a diretora do filme Lispectorante, Renata Pinheiro.
O coordenador do Cinema da Fundaj, Luiz Joaquim, comentou sobre a importância da marca conquistada. “Esse é um programa vitorioso e representativo da missão da Fundação Joaquim Nabuco, que é tornar cultura e arte acessível de maneira indiscriminada. É um sucesso não apenas em termos de número, mas também como um programa de referência para o país”, disse.
Túlio Rodrigues, educador de acessibilidade do Cinema da Fundação, explicou sobre a importância do programa. "O projeto foi lançado num período interessante, em que a Ancine começou a regular as primeiras instruções normativas sobre acessibilidade. Então o projeto se tornou pioneiro no Brasil. E referência, porque a gente exibe filmes com as acessibilidades abertas, as três acessibilidades”, comentou.
Com o projeto de acessibilidade, além de estar promovendo acesso ao cinema para pessoas com deficiência, e cumprindo uma lei, de direito à cultura e ao lazer, que está previsto na lei brasileira de inclusão para essa comunidade, o Cinema da Fundação está tecendo um espaço anti-capacitista, promovendo cultura de forma acessível, democratizando o acesso e fazendo com que pessoas sem deficiência também possam ser impactadas pela acessibilidade.
Michel Platini, servidor público e deficiente visual, participa frequentemente de sessões acessíveis de cinema. "O cinema é algo que faz a gente mergulhar em histórias, em narrativas e faz a gente, enfim, se sentir parte também de um evento social. Estar com gente, estar com pessoas e estar compartilhando também esse momento. É diferente de estar em casa na plataforma de streaming. Estar no cinema é poder vivenciar o filme de outra maneira", relatou.
Ana Lúcia, de 63 anos, vivenciou a experiência no cinema. “É a minha primeira vez numa sala de cinema. Essas atividades são boas para tirar a gente de casa, para o raciocínio, para a mente. Quando eu estou em casa fico dormindo. Dá uma depressão. Hoje foi um dia maravilhoso”, comentou.
O filme Lispectorante conta a história de uma mulher madura que está passando por uma crise existencial enquanto visita o Recife e se depara com a casa onde morou Clarice Lispector. “O filme não é uma bandeira sobre o etarismo, mas trata com naturalidade uma mulher madura, de 60 anos, que dá uma virada na vida. Vivendo, se apaixonando, fazendo sexo e tentando virar totalmente a vida e recomeçar”, comentou a diretora Renata Pinheiro.
Com relação a ter seu filme sendo exibido de forma acessível, a diretora comentou: “Fiquei muito honrada de ter sido convidada e meu filme ter sido escolhido para essa sessão. Vejo que é um filme que se comunica muito bem com todo mundo. Bem emocionante, pois ainda não tinha visto Lispectorante com acessibilidade”, relatou a diretora.
Para os alunos, a exibição fez parte da aula de língua portuguesa. Todos precisarão escrever uma redação sobre o filme. Maria Luiza Barbosa Freire, de 18 anos, comentou que gosta de atividades externas. “Todo dia na escola é uma rotina, a mesma rotina. Se você ficar mudando a rotina, mais interessante fica”, explicou.