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Cinema da Fundação apresentou o "Especial Caveirinha"
Como pensar uma curadoria a partir de um tributo à ausência? Um programa fílmico que parte da morte e a reinscreve como presença e gesto na construção de um legado lacunar? Essas perguntas guiaram o "Especial Caveirinha", realizado nos dias 20 e 21 de junho na Sala Derby do Cinema da Fundação. A programação celebrou o lançamento do fotolivro "Meu pai morreu três vezes", da artista Clara Simas, que revisita a figura do ator e realizador Manoel Costa, o Caveirinha.
Na sexta-feira (20), a sessão Chama Curtas apresentou quatro curtas organizados em três blocos: Morte, Experimento e Juventude, inspirados na estrutura do livro. O ritual de despedida de um tio (em "A gente acaba aqui", de Everlane de Moraes, 2021), a linguagem inventiva de um diário audiovisual filmado por Manoel (Café com leite em pó solúvel, 1973), o cotidiano criativo de jovens de Fortaleza (Vando, vulgo Vedita, de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus, 2017) e a celebração de corpos em festa no Super 8 paraibano (Era vermelho seu batom, de Henrique Magalhães, 1983) formaram um percurso entre memória, invenção e resistência.
Após a exibição, Clara Simas conversou com o público, em bate-papo mediado pelos curadores da mostra, João Rêgo e Felipe Karnakis. No sábado (21), o Cineclube da Fundação exibiu "Meteorango Kid – Herói Intergalático" (1969), de André Luiz Oliveira, com atuação marcante de Caveirinha. Um dos 100 melhores filmes brasileiros segundo a Abraccine, o longa retrata o delírio libertário de um jovem em meio à repressão da ditadura, em tom de crítica anárquica e contracultural.