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Chama Curtas exibiu filmes experimentais digitais e analógicos na sala Porto
No sábado, 26 de abril, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco recebeu a sessão "Chama Curtas - Digilógico". O especial, realizado na sala Porto, com entrada gratuita, reuniu quatro curtas-metragens experimentais que exploraram as texturas cinematográficas de imagens digitais e analógicas.
A curadoria, assinada pelos assistentes de programação Felipe Karnakis, João Rêgo e Yuri Lins, propôs uma investigação entre dois modos de registro fílmico — o analógico e o digital — destacando a inventividade e a historicidade que cada plano ou abordagem carregava em função das escolhas formais.
Cada filme, à sua maneira, explorou o choque temporal entre filmar em película no século XXI e emular, por meio do digital, as múltiplas possibilidades de uma estética que se aproxima do analógico. Questões como "Por que ainda filmar em película?" e "O que impulsiona a recriação de seus efeitos no digital?" emergiram de diferentes gestos: seja na operação manual da câmera, em diálogo com a tradição do cinema experimental, seja na busca por uma força histórica, contrastada e inscrita no valor documental do registro imagético.
A sessão exibiu quatro curtas: "O Olho e o Espírito" (PE, 2017), de Ander Beça, filmado em 16mm e com um olhar inventivo sobre o Recife; "Ashes" (Tailândia, 2012), de Apichatpong Weerasethakul, que mistura cotidiano e crítica social usando a câmera LomoKino; "Trabalho de Amor Perdido" (RJ, SP, 2024), de Vinícius Romero, destaque do cinema experimental brasileiro e do método “digilógico”; e "Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto" (CE, 2025), realizado em 16mm com película vencida, sobre a comunidade religiosa do Crato (CE). Após a sessão, a cineasta cearense Weyna Macêdo esteve presente e conversou com o público sobre a sua obra.