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Capoeira, música e poesia marcam abertura de exposição no Engenho Massangana, no último sábado (11)
A multiculturalidade em torno das heranças africanas que atravessam a vida da população brasileira e a diversidade artística que está no entorno do Engenho Massangana estiveram em pauta na tarde do último sábado (11). O dia foi marcado pela abertura da exposição “Para que as estátuas não morram” e pelo Sarau Masanganu - Somos Todos África no Engenho Massangana, equipamento cultural da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
Mais de 100 pessoas, entre educadores, artistas e moradores da comunidade estiveram presentes na abertura da mostra, que é um convite à reflexão sobre estereótipos, identidade cultural, religiosa e social e memória. Ela é fruto de uma parceria entre o Museu do Homem do Nordeste (Muhne) e o Museu da Abolição e visa preservar e difundir a cultura afro-diaspórica.
Para o diretor da Dimeca, Túlio Velho Barreto, a abertura da exposição ocorre em um momento especial para a Fundaj: em maio, a instituição celebra os 40 anos em que o Engenho Massangana está sob sua responsabilidade em forma de comodato. “A exposição resulta de uma valiosa parceria institucional e acentua a vocação do Engenho Massangana e o nosso empenho em ressignificar um período importante da história do país em um lugar tão simbólico, onde o abolicionista Joaquim Nabuco passou os seus primeiros anos de vida”, destacou.
A sala do Engenho Massangana que abriga a exposição reúne objetos étnicos africanos pertencentes ao acervo do Museu da Abolição e provenientes de diversas regiões do continente, como Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Guiné, Libéria e República Democrática do Congo. As peças foram restauradas pelo Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte Antônio Montenegro (Laborarte) da Fundaj. “As peças não são apenas artísticas, tem muitos objetos usados em rituais e em devoções. Além do restauro, precisamos fazer uma preparação e pesquisa para fazer esse trabalho. Foi um trabalho minucioso, buscando interferir o mínimo possível”, assinalou a restauradora e chefe do Laborarte, Cecília Sátiro.
Na ocasião, a chefe de serviço de Estudos Museais e do Engenho Massangana, da Coordenação de Museologia do Muhne, Silvia Barreto, também destacou o processo formativo da equipe como passo importante para lidar com as peças. “É um desafio para a gente expor essas peças aqui, precisamos fazer um processo formativo com toda a equipe do educativo para conseguir lidar com a presença dessas peças. É muito importante no sentido de buscarmos essa confluência com essa história que está lá atrás e faz parte da nossa história”, afirmou.
Museóloga do Museu da Abolição, Daiane Carvalho celebrou a colaboração com o Muhne para a exposição. “A gente espera que, em breve, consiga restaurar o restante das peças. Hoje a parceria fortalece as instituições e essas parcerias são muito importantes”, destacou. A mostra foi fruto de um acordo de cooperação técnica assinado em março de 2023 entre a instituição e a Fundaj e o convênio prevê, além da restauração das treze peças da coleção de artes africanas e dois quadros, a exibições delas e a comunicação através de cursos e palestras sobre a temática.
O professor de matemática Jefferson Ferraz esteve presente na abertura da mostra e destacou a relevância do tema abordado. “Eu gostei bastante de aprender a história de cada uma das peças. Dá para ter uma ideia de como eram as coisas na época em que elas foram feitas, aprendi bastante”, contou.
A ocasião marcou a primeira vez que a empreendedora Rita Maria da Silva visitou uma exposição no Engenho Massangana. “Não conhecia essas histórias e muita gente não conhece, então isso é muito bom e é muito importante ver essas peças originais”, comemorou.
A mostra “Para que as estátuas não morram” pode ser visitada até novembro de 2024, de terças-feiras aos sábados, das 9h às 16h, e aos domingos, das 10h às 15h. A entrada é gratuita.
Em parceria com a Academia Cabense de Letras, o Sarau Masanganu foi realizado em conjunto com a abertura da exposição e o público apresentou a riqueza cultural da região com poesias, música e declamações. Além disso, o grupo de capoeira do Mestre Bem-te-vi, um dos precursores do Cabo de Santo Agostinho, fez uma apresentação para os presentes e imprimiu ainda mais expressões culturais à programação.
As atividades integram a programação da 22ª Semana Nacional de Museus, uma ação anual coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Em 2024, a iniciativa tem como tema “Museus, Educação e Pesquisa”, buscando promover, divulgar e valorizar os museus brasileiros, aumentar o público visitante e intensificar a relação dos museus com a sociedade.
Serviço
Exposição "Para que as estátuas não morram"
Local: Engenho Massangana, Rodovia PE 60, Km 10, s/n, Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco
Visitação: Terça a Sábado das 9h às 16h; Domingo das 10h às 15h
Entrada gratuita