Notícias
Atuação da Dimeca em 2025 reforçou o compromisso da Fundaj com cultura, educação e preservação da memória
Ao longo de 2025, a Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) desenvolveu um conjunto articulado de ações voltadas à preservação da memória, à formação cultural, à difusão artística e ao acesso democrático aos bens culturais, por meio de seus equipamentos e coordenações.
O diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte, Túlio Velho Barreto, destaca que, em 2025, a Dimeca foi ainda mais propositiva em suas ações e projetos. “Reconhecemos que, nos dois anos anteriores, não deixamos de buscar inovar em nossas ações. Mas reconhecemos também que tivemos de concentrar esforços para recuperar nossos equipamentos culturais e, paralelamente, realizar iniciativas a fim de elevar a autoestima de nosso pessoal, após seis ou sete anos de gestões temerárias na instituição”, iniciou.
“Com isso, 2025 foi o ano em que consolidamos uma nova perspectiva na Dimeca, em que os diálogos com a sociedade e com antigos e novos parceiros foram retomados ou iniciados com sucesso, tanto no âmbito local, regional e nacional quanto internacional. E, de forma inédita, buscamos recursos externos para ampliar tais iniciativas. Nesse sentido, constatamos um crescimento no número de pessoas que tiveram acesso aos equipamentos culturais da Dimeca e participaram de nossas ações e projetos, bem como a chegada de novos parceiros. Portanto, entendemos que o saldo foi bastante positivo e eleva ainda mais os desafios para 2026”, completou o diretor Túlio Velho Barreto.
Cinema
O Cinema da Fundação manteve uma programação regular e diversa, com a realização de mostras e festivais de alcance nacional e internacional, como a Mostra Grande Otelo, o Festival de Cinema Francês do Brasil e a 20ª edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil. O espaço também promoveu sessões especiais com debates com realizadores e pesquisadores, fortalecendo o diálogo com o público em suas salas Derby, Museu e Porto.
Em outubro, o Cinema recebeu o Festival Close-UP: Cidade, Arquitetura e Paisagismo, evento de origem francesa criado em Paris, que chegou ao Recife em sua quinta edição. Integrante da Temporada França-Brasil 2025, o festival contou com sessões gratuitas nas salas Derby e Porto, reunindo 13 filmes, dois cine-concertos e dois debates, com curadoria voltada às relações entre cinema, cidade, arquitetura e paisagem.
No campo da internacionalização, o Cinema da Fundação, em correalização com o Instituto Pernambuco–Porto Brasil, realizou, em novembro, a 3ª edição do CineBRPorto, na cidade do Porto, em Portugal. Com o tema “Reencontrando Wagner”, a mostra destacou a trajetória de Wagner Moura e exibiu, em sessões gratuitas, filmes como Deus é Brasileiro, O Caminho das Nuvens, Cidade Baixa, Saneamento Básico, o Filme e Praia do Futuro.
A acessibilidade seguiu como eixo estruturante do Cinema da Fundação, que ampliou sessões acessíveis com recursos de acessibilidade comunicacional, voltadas a pessoas com deficiência e públicos em situação de vulnerabilidade, incluindo ações realizadas fora do estado, como no Cine Brasília. A abertura da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência e a realização da 5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino reforçaram esse compromisso. Em 2025, o Cinema bateu recorde histórico de público, alcançando 117 mil espectadores, com destaque para ‘O Agente Secreto’, de Kleber Mendonça Filho, que reuniu 11.582 pessoas.
Cinemateca
A Cinemateca Pernambucana Jota Soares ampliou seu acervo com a incorporação das produções da TV Viva, fortalecendo a preservação do audiovisual pernambucano e brasileiro. Ao todo, são 21 títulos que registram histórias de comunidades, personagens, artistas e grupos ligados a diferentes temas e campos dos direitos humanos, realizados em parceria com organizações e movimentos sociais e disponíveis gratuitamente ao público.
Museu
No campo museológico, o Museu do Homem do Nordeste (Muhne) promoveu exposições, seminários e ações educativas voltadas à reflexão sobre patrimônio, memória e sociedade. A exposição “Elas: onde estão as mulheres nos acervos da Fundação Joaquim Nabuco?” foi encerrada após 16 meses em cartaz, com palestra de Lilia Schwarcz e lançamento de catálogo, consolidando o debate sobre a visibilidade feminina nos acervos institucionais.
O Muhne também realizou o seminário internacional “Decolonizando Museus: Modos de Fazer”, integrando a Temporada França-Brasil 2025, com a participação de representantes de museus de diferentes países. Em 2025, o Museu recebeu ainda a doação de seu primeiro estandarte de Maracatu Rural, do Maracatu Águia Misteriosa, de Nazaré da Mata, peça que integrará a nova exposição de longa duração.
Após 17 anos da última grande renovação, o Muhne iniciou o processo de implantação de sua nova exposição de longa duração, que envolve tanto a renovação física do espaço, com melhorias tecnológicas para conservação e fruição do público, quanto uma atualização conceitual alinhada às transformações sociais e culturais ocorridas no país e na região.
Engenho
O Engenho Massangana desenvolveu ações voltadas à formação cultural e ao diálogo com a comunidade local, como oficinas gratuitas para elaboração de projetos, atividades educativas no período de férias e a realização de exibições da 1ª Mostra Cabense de Cinema Ambiental.
O espaço, que segue sob administração da Fundaj em acordo de comodato com o Governo de Pernambuco, também recebeu a exposição “A Coisa Ficou Preta”, primeira mostra individual do artista visual alagoano Gleyson Borges, em cartaz até 29 de março de 2026, com visitação gratuita.
Artes Visuais
A Unidade de Artes Visuais promoveu oficinas formativas em áreas como teatro lambe-lambe, vídeoarte, derivas urbanas e a oficina “Entre a luz e a cor”, que articulou arte, história e arquitetura do campus Ulysses Pernambucano. Também realizou exposições que abordaram temas como feminino, ancestralidade, trabalho e apagamento de gênero no campo das artes.
Nesse contexto, a Unidade apresentou exposições do projeto Residências Artísticas da Fundaj, como “Águas passadas não movem moinhos?”, de Val Souza; “Cruzadas”, de Tetê; e “Sono Sereno”, de Géssica Amorim. O projeto seleciona propostas em artes visuais para residências de criação, exposição e formação, com ênfase na relação entre arte e educação, estimulando a produção artística e consolidando a Fundaj como espaço de experimentação e reflexão crítica.
Também foi lançada a exposição “Aurora das trajetórias in-apagadas”, na Galeria Vicente do Rego Monteiro, no campus Ulysses Pernambucano. Integrante do projeto Cultura Visual e Educação, a mostra celebra mulheres-mães-artistas e utiliza a arte como instrumento de enfrentamento ao apagamento de gênero no campo artístico.
No âmbito da educação e da mediação cultural, a Dimeca realizou ações voltadas a estudantes, educadores e públicos diversos, incluindo atividades para estudantes de artes visuais do IFPE, encontros de educadores de museus da Região Metropolitana do Recife e a continuidade do projeto Domingo dos Pequenos, voltado a crianças e suas famílias.
Coordenações
A Coordenação de Ações Educativas e Comunitárias também desenvolveu o Projeto Atravessando Mundos, realizado ao longo de todo o ano e consolidado como ação continuada de educação, inclusão e mediação cultural no Muhne, reafirmando o compromisso da Fundaj com a democratização do acesso à cultura.
A Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra) desenvolveu ações de pesquisa, difusão e preservação da memória, com destaque para o Colóquio Histórias e Acervos do Abolicionismo e do Pós-Abolição e para a aprovação de projeto na chamada pública do MCTI/FINEP/FNDCT.
A experiência da Fundação com o uso de ferramentas digitais na preservação e difusão do acervo também foi destaque no Seminário Nacional de Acervos e Plataformas Digitais. Foram compartilhadas informações sobre atuais ferramentas de pesquisa e acesso aos itens, como o SophiA e o site da Villa Digital, equipamento cultural focado na difusão de documentos históricos nordestinos.
Em 2025, a Dimeca intensificou as ações de salvaguarda de acervos, com destaque para o diálogo com o Instituto Capiba e para a parceria firmada com o Jornal do Commercio, que prevê a digitalização completa de seu acervo centenário.
Editora e Biblioteca
A Editora Massangana e a Biblioteca Blanche Knopf mantiveram ações voltadas à promoção da leitura e do acesso ao livro, com participação na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, atividades na sala de leitura, apoio a clubes de leitura e exposição de publicações durante a 42ª Reunião Nacional da Anped & WERA Focal Meeting.
A atuação integrada da Dimeca também se refletiu em ações institucionais, como o diálogo com o Ministério da Cultura e o reconhecimento público do trabalho desenvolvido pela diretoria e seus equipamentos, evidenciado por homenagens recebidas na Câmara Municipal do Recife.
Ao longo de 2025, a Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte reafirmou o papel da Fundação Joaquim Nabuco como instituição pública comprometida com a preservação da memória, a formação cultural, a inclusão, a acessibilidade e a democratização do acesso à cultura.