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Atravessando Mundos oferece pluralidade de experiências a adolescentes e jovens neuroatípicos
Oferecido por meio da Coordenação de Ações Educativas e Comunitárias do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), o quinto módulo do projeto Atravessando Mundos reuniu mais de 50 adolescentes e jovens neuroatípicos, entre os dias 9 e 13 de setembro, no Campus Anísio Teixeira, em Apipucos. Com o tema “Momento de Transformação - Uma Mudança de Estação”, essa etapa do projeto abordou as transformações no meio ambiente e como elas impactam nas nossas vidas. O Muhne é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj),
Segundo a coordenadora de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne, Edna Silva, o Atravessando Mundos conversa com a missão da Fundaj de incentivar o acesso democrático aos equipamentos culturais e fomentar a inclusão. “O nome faz jus ao projeto, que promove um atravessamento de experiências e emoções, além da prática do zelo e do cuidado. É impossível não observar o Atravessando Mundos com toda sua pluralidade. É quase que uma condição sine qua non o respeito à diversidade e o acolhimento de nossas semelhanças. Já estamos com a atenção voltada para a próxima edição”, adianta a coordenadora.
Jonas Lira, pai de Gabriel, 18 anos, acompanhou o filho durante as atividades no Campus Anísio Teixeira. Gabriel tem a Síndrome de Sotos, uma alteração genética rara, cujas características são hiper crescimento precoce, dificuldades na fala e demora no desenvolvimento mental. “Meu filho tem uma vida social restrita, que se resume a ir à escola e comparecer às terapias, que são muitas. Esse espaço da Fundaj é muito valioso, onde ele tem a oportunidade de encontrar outros jovens com comportamentos diferentes e aprende a conviver”.
Autor do projeto Atravessando Mundos e especialista em Educação Inclusiva, o professor Saulo Nogueira destaca a importância da socialização entre os jovens neuroatípicos e sua interação com o meio. “Propusemos a observação das marcas das mãos e como elas mudam ao longo do tempo, assim como os vegetais com seus troncos e folhas, que também passam por alterações durante o ciclo de vida”, comenta Saulo, que destaca ainda as mudanças no comportamento dos participantes do projeto. “O grupo está mais coeso, sem contar que eles ouvem as coordenadas e executam sem precisar tanto da assistência dos acompanhantes. Essas transformações representam um amadurecimento”.