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Atravessando Mundos conclui segundo ano de atuação no Muhne com exposição de painel criado coletivamente
Com foco na autonomia, na comunicação e no acolhimento, o projeto Atravessando Mundos concluiu, nesta sexta-feira (30), o seu segundo ano de atuação no Museu do Homem do Nordeste (Muhne). Iniciada em setembro de 2025, a segunda edição do projeto contemplou 280 participantes ao longo de sete módulos com diferentes temas, desde a dimensão dos planetas e astros do universo até o mundo microscópico, que guiou a sexta e última unidade.
Com o título “Um incrível mundo vivo sob nossos pés”, os encontros deste último módulo exploraram as várias formas de vida que habitam o solo, como fungos, protozoários, bactérias e vermes. A partir de materiais reciclados como tampas de plástico, massa, sucata, arames, entre outros, os participantes desenvolveram réplicas desses microrganismos desde a segunda-feira (26) na sala de oficinas do Educativo do Muhne.
Facilitador do projeto, Saulo Nogueira acredita que as atividades demonstram sua importância de diversas maneiras, mas principalmente por estimular o foco e a aquisição de novos conhecimentos pelos participantes, em sua maioria neuroatípicos. “O básico, o mais importante, é ele se descobrir capaz de relacionar, de buscar uma solução para uma problemática e perceber que ele sabe, ele tem esse conhecimento, mas que talvez nunca tenha sido despertado”, explica.
O sexto módulo culminou com a apresentação das réplicas de micróbios numa sala de exposições do Solar Francisco Ribeiro Pinto Guimarães. Representações em escala ampliada de protozoários ciliados, fungos e um painel com placas de petri e os nomes de cada microrganismo foram iluminados pela projeção de um vídeo de bactérias e outros seres microscópicos.
Para a coordenadora de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne, este último módulo é também um convite para a próxima edição do projeto, que deve se iniciar ainda em 2026. “A ideia é que a gente pegue os resultados dessas duas primeiras edições e amplie as temáticas e os locais de atuação e comece, também, a fazer parte dos processos de itinerância. É um processo de modernização, mas muito mais um processo de compreensão da importância do Atravessando Mundos e o que ele representa para a coordenação do Educativo do Museu”, afirmou Edna Silva.
Victor Vinícius, de 38 anos, é atendido pelo grupo Porãozinho dos Ventos e participa do Atravessando Mundos desde a primeira edição. Ele diz se sentir bem com as atividades e a troca com os colegas e o facilitador do projeto. “[A atividade que eu mais gostei foi] plantar mudas de plantas aqui no jardim do Museu”, comentou.
A dona de casa Sônia Santana acompanhou o filho Vinícius, que é atendido pela APAE e frequenta os encontros do Atravessando Mundos desde 2024. Segundo ela, as atividades desenvolvidas no projeto ajudam seu filho a se comunicar melhor. “Meu menino era muito calado, hoje ele fala mais; fica comentando em casa o que acontece aqui. Ele era fechado, agora chega em casa e ele quer falar”, comemora.