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Ato Noturno tem pré-estreia no Cinema da Fundação do Derby
A pré-estreia do filme Ato Noturno reuniu público e realizadores no último sábado (10), no Cinema da Fundação do Derby, em sessão especial que marcou o início da circulação do longa pelo país. Recife foi a cidade escolhida para abrir o circuito de exibições antes do lançamento oficial, previsto para o próximo dia 15, reforçando o papel da capital pernambucana como espaço estratégico para o cinema brasileiro contemporâneo.
Dirigido por Márcio Reolon e Filipe Matzembacher, Ato Noturno acompanha a trajetória de Matias, um ator ambicioso de Porto Alegre que se envolve, de forma secreta, com Rafael, um político em ascensão. Entre o desejo de reconhecimento profissional e a necessidade de ocultar a própria sexualidade, os personagens se lançam em encontros cada vez mais arriscados, em uma narrativa que tensiona os limites entre encenação, desejo e conservadorismo.
Ao final da sessão, o público participou de um debate com os diretores, mediado por Túlio Rodrigues, monitor de acessibilidade do Cinema da Fundação. Para ele, a escolha do Recife como ponto de partida do circuito reforça a importância do Cinema da Fundação como espaço de exibição e reflexão. “É muito significativo que essa pré-estreia aconteça aqui. Isso marca o lugar do Cinema da Fundação dentro desse circuito, promovendo o debate e abrindo espaço para um cinema produzido por pessoas LGBT, com outros corpos, outras tensões e outras formas de pensar a produção cinematográfica no Brasil”, destacou.
Durante o debate, os diretores foram questionados sobre a origem da ideia do filme e o processo de criação. Filipe Matzembacher explicou que Ato Noturno nasce do desejo de seguir investigando o conceito de performance, já presente em trabalhos anteriores da dupla. “O roteiro parte do encontro entre dois personagens que vivem em palcos muito distintos — o teatro e a política — e que transitam entre o palco público da profissão e o palco íntimo do desejo, onde surgem os conflitos”, afirmou.
Segundo o diretor, o filme também dialoga com temas recorrentes na filmografia da dupla, como identidade, gênero e representação, ao mesmo tempo em que flerta com outros registros narrativos. “Em determinado momento, o filme se aproxima do suspense, quase como um flerte com o noir ou o neo-noir. Foi muito instigante brincar com essas referências de gênero e aprofundar esse mergulho, que já era uma vontade nossa para um próximo projeto”, completou Filipe.