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Abertura de exposição na Fundaj celebra arte de mulheres com deficiência e convida para reflexão
Transgressão, anti capacitismo, empoderamento, cultura e performance. Essas são algumas palavras-chave para entender “La Vêm Elas”, exposição que chegou à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) no último domingo (4). Instalada na Galeria Waldemar Valente, no Museu do Homem do Nordeste (Muhne), a mostra é uma celebração à arte de mulheres brasileiras com deficiência. Estão expostos pela galeria ilustrações, textos e vídeos com depoimentos e performance das artistas Amanda Lyra (SP), Ana do Vale (RN), Carolina Teixeira (RN), Daisy Souza (BA), Kilma Coutinho (PE), Moira Braga (RJ), Mona Rikumbi (SP) e Rayssa Tiger (PA).
A exposição dialoga com a mostra “Elas - Onde estão as mulheres nos acervos da Fundaj?”, montada no pavimento superior do Muhne, que também destaca a arte de mulheres no espaço cultural da Fundaj. “Essa exposição trata da inclusão de mulheres com deficiência na arte e através da arte em espaços culturais. O que a gente vê hoje é que elas não têm inclusão e não são abraçadas pelas instituições museológicas e galerias. A luta anti capacitista é da gente, da sociedade, e, principalmente, dos espaços museais”, explica a coordenadora de Exposições do Muhne, Silvana Araújo.
Para Ana do Vale, artista visual, arte educadora, pessoa com deficiência múltipla e não binária, a mostra é importante porque existe um estigma de que a arte das pessoas com deficiência está apenas no âmbito da reabilitação, o que não é inclusivo. “Ver uma exposição de mulheres com deficiência fora desses tabus que são colocados é muito importante, pois é possível ver de fato o que é a arte em suas potências das mulheres com deficiência”, conta Ana, que também é responsável pelas ilustrações da expografia nas paredes da galeria.
“Meu trabalho fala do corpo com deficiência: um corpo que não é só físico, é o corpo também da fala, da linguagem, de como a gente funciona e como isso interage com o mundo”, explica a artista. Já a pintora Kilma Coutinho, que também tem obras expostas pela galeria, faz arte sobre a comunidade surda. “A sociedade se questiona sobre meus quadros, pois sou surda e eles não entendem o porquê da ênfase no ouvido nas minhas pinturas. Eu me comunico através da Libras e não dependo da função auditiva para viver. Somos capazes de viver de maneira igual e é preciso que as pessoas vejam pra se sentirem impactadas com o meu trabalho”, conta.
Para ela, “é importante que a Fundaj convide as pessoas e abra esse espaço”. “As pessoas dizem que eu sou diferente somente pela minha audição e me tratam como desigual, mas aí eles vêm, me conhecem, se comunicam comigo e conhecem a verdadeira diferença na minha cultura e minha identidade, que fazem parte de quem sou como parte do povo surdo”, finaliza.
Os vídeos expostos contam com ampla acessibilidade, incluindo audiodescrição, Libras, legendas, braille e equipe de mediação capacitada, reforçando o compromisso da mostra com a inclusão.
“O objetivo da exposição é atingir as pessoas com deficiências, mas, principalmente, as pessoas sem deficiência, e mostrar como temos muitas artistas com deficiência que estão fazendo um trabalho potente e forte. Essa é uma curadoria coletiva, pensada em uma diversidade de mulheres pelo Brasil e de tipo de artes. O futuro é DEF, é delas!”, destaca a co-curadora da exposição, Juliana Câmara, do estúdio Folguedo (RJ).
A curadoria é assinada pelo Folguedo e pela jornalista e coordenadora da Frente Nacional de Mulheres com Deficiência, Lucília Machado. A visitação é gratuita e pode ser feita até 1º de junho, de terça a sexta-feira, das 8h30 às 17h, e aos fins de semana e feriados, das 13h às 17h. O Muhne é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
Serviço
Exposição: “Lá Vêm Elas”
Local: Galeria Waldemar Valente - Museu do Homem do Nordeste - Fundaj Casa Forte - Avenida 17 de agosto, nº 2187
Visitação: Terça a sexta-feira, das 8h30 às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h