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À Meia-Noite Te Levarei ao Cinema traz rara sessão de “Crônica do Amor Louco”, baseado na obra de Charles Bukowski
Um romance caótico no submundo de Los Angeles floresce na madrugada do Cinema da Fundação. A segunda sessão À Meia-Noite Te Levarei ao Cinema de 2026 recebeu no sábado (07/02) o filme “Crônica do Amor Louco”, do italiano Marco Ferreri, com entrada gratuita.
Lançado em 1981, o longa baseado na obra de Charles Bukowski aborda as aventuras do poeta beberrão Charles Seeking. É em suas andanças boêmias que ele conhece Cassie, uma prostituta autodestrutiva, com quem engata uma relação sincera, mas turbulenta, à beira da tragédia. Dirigido por aquele que é considerado um dos cineastas europeus mais provocadores de seu tempo, o filme venceu 4 David di Donatello Awards, prêmio da Academia Italiana de Cinema.
A fala de abertura da sessão ficou por conta de Túlio Velho Barreto, diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Luiz Joaquim, coordenador do Cinema da Fundação, e Ernesto Barros, curador do equipamento cultural. Túlio Velho Barreto contribuiu com curiosidades sobre o filme, como as críticas declaradas do próprio Bukowski à produção. “A exibição do filme foi o meu primeiro contato com Bukowski, antes de ter o contato com a literatura. Bukowski escreveu cerca de 50 livros, entre romance e poesia. É um grande mestre”, destacou.
Luiz Joaquim ressaltou a sessão como uma chance de ver um filme raramente visto nas telonas. “No Recife, o filme passou em uma estrutura de três sessões e pronto, sumiu. Quem viu, viu, quem não viu, já era. Trinta anos depois, exibimos aqui para vocês”, pontuou. Para Ernesto, a produção mescla a forte personalidade do diretor com a poesia de Bukowski: “Os filmes de Ferreri dessa época tinham uma certa ousadia, porque ele era anárquico, tratava muito cruamente relações entre homens e mulheres, política, sociedade. E esse filme tinha esse lance, mas também tinha a poesia de Bukowski, que ele trouxe na tela do modo dele”.
Espectadora da sessão, a artista visual Elisabete Alcântara elogiou a proposta da faixa À Meia-Noite Te Levarei ao Cinema. “Acho fantástico para o cinema. Se assisto a um filme em casa à meia-noite porque não posso vir a uma sala de cinema? Essa ação é incrível, que tenha vida longa”. Para ela, o grande atrativo da vez foi o título de “Crônica do Amor Louco”. “Um nome interessante, associado a loucura e amor, coisas que estão sempre uma do lado da outra. Assistir uma história de loucura e amor à meia-noite está valendo”, pontuou.