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Com financiamento de CNPq e FAPESP, Iniciativa reúne mais de 50 pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais que desenvolvem trabalhos para aprimorar a previsão de inundações
Grupo de pesquisa liderado pelo Cemaden utiliza Inteligência Artificial para aperfeiçoar alertas de enxurradas
Em um cenário em que eventos meteorológicos extremos se tornam cada vez mais frequentes e intensos, a ciência brasileira, liderada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), desenvolve soluções tecnológicas de ponta para auxiliar as populações na preservação de vidas e minimização de danos decorrentes de desastres hidrológicos. Pesquisas com enfoque na combinação entre técnicas tradicionais e ferramentas de Inteligência Artificial (IA), desenvolvidas no âmbito do projeto iFAST (Intelligent Flood Alert Surveillance Tools, ou Ferramentas Inteligentes para Alertas de Enxurradas [NFAL1] ), buscam transformar dados complexos em ferramentas práticas, que podem facilitar o cotidiano nas cidades atingidas por ocorrências hidrológicas.
Alertas precisos: do geral ao local
Um dos avanços propostos por uma das pesquisas do grupo iFAST está na escala dos alertas. O pesquisador Elton Escobar, pós-doutorando no Cemaden, explica que o objetivo é evoluir de avisos amplos, como "a cidade de São Paulo terá alagamentos", para uma escala de bairros e áreas mais específicas, identificando onde há maior probabilidade de ocorrências. Utilizando dados de nowcasting e meteorologia combinados à IA, a meta é fornecer previsões com até duas horas de antecedência. Esse tempo é crucial para que o poder público local possa agir preventivamente e minimizar os impactos dos eventos climáticos.
A ferramenta de rotas de trânsito para evitar alagamentos
Para o cidadão comum e serviços de emergência, a pesquisa também se traduz em mobilidade segura. A doutoranda em Ciência da Computação Gislaine Freitas, também do grupo iFAST, realiza pesquisa voltada ao desenvolvimento de um serviço web que funciona de forma semelhante a aplicativos que traçam rotas de trânsito, mas com um diferencial: o roteamento inteligente para evitar ruas alagadas. A ferramenta busca o caminho mais rápido e curto e sem potenciais alagamentos, viabilizando que as pessoas cheguem aos seus destinos em segurança. Essa inovação é especialmente estratégica para ambulâncias e demais serviços de emergência, que podem evitar trechos críticos durante chuvas fortes, otimizando o atendimento.
Tecnologia de ponta e reconhecimento internacional
O projeto iFAST, coordenado pelo físico e pesquisador do Cemaden Leonardo Santos, desenvolve ferramentas inteligentes para o monitoramento e alerta de inundações. A iniciativa tem como um de seus objetivos o aprimoramento de modelos hidrológicos para diferentes horizontes de previsão (de dez minutos a seis horas), permitindo o monitoramento de enchentes rápidas em tempo real e para recortes territoriais menores (além de bacias urbanas em diferentes áreas). Um dos frutos desse trabalho é o protótipo FloodCastingXAI, voltado para a bacia do rio Tamanduateí, em São Paulo, que foi premiado na Brazil Conference MIT & Harvard 2025.
Além do desenvolvimento técnico, a pesquisa tem um enfoque na "explicabilidade" da IA, buscando abrir a chamada "caixa-preta" dos algoritmos para que as autoridades e a sociedade compreendam e confiem nos alertas emitidos. Outro esforço do projeto iFAST nesse sentido de ampliação da confiança social nos alertas está na busca pela divulgação científica, por meio de eventos, entrevistas, site amigável e produção de vídeos curtos com pesquisadores do projeto. A equipe do projeto inclui mais de 50 pesquisadores de mais de 15 instituições de pesquisa nacionais e internacionais e recebe financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da fundação de amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
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