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Cemaden realiza workshop no MP-RJ sobre preparação para desastres e conduz pesquisa de campo com moradores de Nova Friburgo
Participantes do workshop do Projeto COPE em Nova Friburgo/RJ, no dia 21 de maio de 2026 (Foto: Victor Marchezini/Projeto COPE Cemaden). #PraTodosVerem: Sala do Ministério Público do Rio de Janeiro, em Nova Friburgo. O ambiente tem paredes laterais brancas com uma parede ao fundo vermelha. Em primeiro plano, há cadeiras e mesas com mapas em cima. Ao fundo, várias pessoas que participaram do workshop do Projeto COPE estão em pé e posam juntas sorrindo.
Quinze anos após o desastre que devastou a Região Serrana do Rio de Janeiro, pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden/MCTI) voltaram a Nova Friburgo para ouvir quem ainda vive sob risco, discutindo caminhos de preparação aos eventos extremos.
No dia 21 de maio de 2026, o auditório do Ministério Público do Rio de Janeiro, em Nova Friburgo, recebeu o workshop gratuito do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (Projeto COPE). O encontro reuniu representantes do MP-RJ, equipes da defesa civil estadual e municipal, servidores das áreas de assistência social, saúde, planejamento urbano e educação, além de organizações da sociedade civil.
O objetivo foi duplo: compartilhar resultados preliminares da pesquisa - incluindo um artigo sobre os riscos no processo de comunicação - e coletar subsídios junto a autoridades e à população local para aprimorar as estratégias de preparação intersetorial.
"Discutimos, junto com as autoridades e a sociedade local, estratégias de preparação intersetorial, comunitária e inclusiva para eventos extremos na região serrana", explica o sociólogo Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden e coordenador do projeto. Além do workshop, a equipe percorreu bairros de Nova Friburgo, entre 17 e 22 de maio de 2026, para realizar entrevistas em profundidade com moradores e com organizações que atendem pessoas com deficiência.

- Foto 2 - Mestranda do Projeto COPE entrevista a comunidade cega sobrevivente da catástrofe de 2011, em Nova Friburgo/RJ (Foto: Victor Marchezini/Projeto COPE Cemaden).#PraTodosVerem: Fotografia em ambiente interno, com fundo branco. Ao centro, um grupo de nove pessoas está em pé, uma mulher agachada à esquerda, e todos posam sorrindo.
Projeto COPE: pesquisa que une ciência e comunidade
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (processo 2022/02891-9), o Projeto COPE tem vigência de setembro de 2023 a agosto de 2028. A iniciativa integra ensino, pesquisa e extensão com foco em políticas públicas de preparação para eventos extremos.
Marchezini, professor do Programa de Pós-Graduação em Desastres (PGDN/ICT-Unesp/Cemaden e do Programa de Pós-graduação em Ciência do Sistema Terrestre (PGCST/INPE), conduz a pesquisa com abordagem inter e transdisciplinar, envolvendo pós-graduandos e sobreviventes de desastres no desenvolvimento dos métodos de pesquisa-ação.
Para o pesquisador Adriano Mota Ferreira, bolsista de treinamento técnico IV da Fapesp (processo 2023/16922-6), escutar os agentes de proteção e defesa civil é parte essencial do trabalho: "Ouvir os conhecimentos e as experiências dos agentes municipais é fundamental para o aprimoramento dos mapeamentos de risco."
A jornalista e doutoranda Monique Ribeiro Polera Sampaio (PGCST/INPE, Bolsa FAPESP 2024/03072-7) aponta que os desafios na comunicação de riscos e alertas se tornam cada vez mais complexos, tema que orienta parte central de sua pesquisa. “Atualmente, a comunicação enfrenta desafios que antes não existiam, como por exemplo, a lógica algorítmica e a inteligência artificial. Assim, pensar em estratégias efetivas de comunicação de riscos e sistemas de alerta é ainda mais complexo do que há alguns anos”, afirma a jornalista.
Já a psicóloga e mestranda Caroline Coura (PGDN/ICT-Unesp/Cemaden, Bolsa Fapesp 2025/00570-9) investiga a inclusão de pessoas com deficiência nos sistemas de alerta, área que, segundo ela, ainda enfrenta lacunas significativas. “Há um avanço notável na produção de conhecimento nas ciências dos desastres, mas essas informações ainda não chegam às pessoas que mais precisam.”, explica a pesquisadora. “Entrevistamos pessoas com deficiência intelectual, física, visual, auditiva e neuro divergentes. Todos mencionam a ausência de informação acessível e inclusiva. A maioria dos entrevistados relata não compreender os alertas recebidos via SMS, além de evitar procurar os pontos de apoio em razão da falta de preparo dos profissionais no acolhimento e cuidado a pessoas com deficiência.”, ressalta Coura.

- Foto 3- Pesquisador do Projeto COPE recebe explicação do agente da defesa civil sobre as áreas mais atingidas pelo desastre de 2011, em Nova Friburgo -RJ. (Foto:Victor Marchezini-Projeto COPE Cemaden).#PraTodosVerem:A direita, um homem de costas com o colete laranja da defesa civil, aponta para o horizonte, enquanto outro homem a esquerda com blusa do Projeto COPE observa a cidade. Ao fundo, as casas e prédios estão em uma região de mata com muita neblina.
Equipe e parceiros do Projeto COPE
Além de Marchezini, integram o Projeto COPE os pesquisadores do Cemaden Silvia Saito, Luciana Londe, Giovanni Dolif e José Marengo, e os tecnologistas Caroline Mourão e Tulius Dias Nery, da Sala de Situação da instituição.
O projeto conta também com a participação das professoras Gabriela Lotta (FGV), Tatiana Sussel Mendes (ICT/Unesp) e Giselly Rodrigues Gomes (Instituto dos Cegos do Mato Grosso), além de João Porto de Albuquerque (Universidade de Glasgow) e Reinaldo Soares Estelles (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil). Mestrandos(as) e doutorandas do PGDN-ICT/Unesp-Cemaden e do PGCST/INPE também compõem a equipe.
O workshop foi realizado em parceria com o MP-RJ e o Instituto Friburgo Solidário.
Próximas atividades
Dentre as próximas atividades do projeto estão sessões interativas e oficinas participativas, a serem realizadas no II Seminário Nacional de Avaliação de Alertas do Cemaden, a ocorrer entre 1 e 3 de julho de 2026, no Parque Tecnológico de São José dos Campos-SP.
Acompanhe as novidades do Projeto COPE no instagram: @projetocope (https://www.instagram.com/projetocope/)
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO)