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Cemaden lidera debates sobre redução de riscos de desastres na 1ª Reunião Geral do CLIMARES
Entre os dias 25 e 27/5, o Auditório do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) sediou a 1ª Reunião Geral do Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES). O evento, que reuniu pesquisadores e estudantes de diversas áreas, teve como objetivo apresentar o andamento de estudos e avanços do Centro de Pesquisa. Um dos destaques da reunião foi a participação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) na coordenação do Eixo Temático 2: Redução e gestão de riscos de desastres. O eixo é liderado pelo coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, Jose Marengo – que ocupa, ainda, a vice-coordenação do CLIMARES.
Durante sua apresentação, na manhã de 25/5, Marengo traçou um panorama sobre eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos. Dados de 2025 revelaram recordes históricos, como os 44°C registrados no Rio de Janeiro e os 37,2°C em São Paulo, o dia mais quente em 64 anos de observações. Além do calor, o país enfrentou inundações severas no Acre e deslizamentos letais em cidades como Petrópolis e Campos do Jordão, que afetaram diretamente mais de 330 mil pessoas e, além das perdas humanas, geraram prejuízos bilionários.

- Jose Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, durante palestra na 1ª Reunião Geral do CLIMARES.
O especialista ressaltou que os desastres não equivalem aos fenômenos naturais por si sós, mas resultam da combinação entre eventos climáticos e a exposição de populações vulneráveis em áreas de risco. Marengo destacou, ainda, a necessidade de uma atenção maior de governantes e gestores públicos à prevenção, em lugar de se voltarem prioritariamente para respostas a desastres. Na avaliação de Marengo, a repercussão de previsões relativas ao El Niño 2026/2027, por exemplo, deveria despertar a atenção para a importância da atuação preventiva e para a educação voltada à percepção e prevenção de riscos de desastres, independentemente da intensidade que o fenômeno venha a atingir. A compreensão de projeções e suas limitações é, para o coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do
Cemaden, também uma tarefa dos cientistas, que precisam se comunicar melhor com públicos leigos.
A atuação do Cemaden e das instituições parceiras – entre elas UNESP, UFABC e INPE – no CLIMARES estrutura-se em oito subcomponentes detalhados por Marengo em sua apresentação:
O primeiro eixo, com enfoque na emergência e extremos climáticos, investiga a natureza mutável desses eventos. O objetivo central é avançar no conhecimento sobre a detecção precoce de padrões crescentes de eventos extremos e como incorporá-los em análises de risco climático. A pesquisa utiliza dados históricos e atuais, como as tendências de ondas de calor observadas desde 1979, para entender os desafios de monitoramento em áreas vulneráveis a fenômenos como El Niño e La Niña.
O eixo de redução de riscos de deslizamentos contempla a suscetibilidade climático-geotécnica de encostas urbanas. O projeto propõe a criação de cenários e mapas de suscetibilidade em áreas piloto no Brasil, integrando dados orbitais, sensores e amostras de solo. A metodologia utiliza modelagem multifatorial e climática para projetar como a nova configuração de extremos de precipitação pode alterar o risco de deslizamentos em encostas ocupadas.
O eixo dedicado à redução de riscos de inundações e enxurradas busca aprimorar as estratégias de gestão no estado de São Paulo. A pesquisa analisa os gatilhos desses eventos, incluindo intensidade de chuva, urbanização e condições das bacias, como o nível dos rios e umidade do solo. Para isso, são desenvolvidos modelos numéricos avançados que combinam técnicas de machine learning e radares meteorológicos para aumentar a precisão dos alertas de curto prazo.
Outra área de atenção do Cemaden é a de redução de riscos de secas, que mapeia a frequência e intensidade desses eventos em todo o território nacional. Os estudos identificaram que os períodos entre 2010 e 2024 registraram as maiores frequências de secas severas, com "hotspots" concentrados no Semiárido, Centro-Sul e no corredor entre a Amazônia e São Paulo. O trabalho busca integrar o risco climático ao monitoramento dos impactos, considerando o aumento expressivo dos extremos de temperatura que agravam a severidade das secas.
O eixo de impactos, vulnerabilidade, adaptação e resiliência visa entender como os impactos geo-hidrológicos se distribuem no espaço e no tempo. O foco inicial do projeto é a consolidação de uma base de dados robusta e padronizada, integrando informações do Cemaden e de outras instituições, para apoiar análises estatísticas futuras. Esta base é essencial para identificar fatores de capacidade municipal e vulnerabilidades que explicam a ocorrência de desastres.
A educação e percepção de risco é o foco do eixo operacionalizado através do Programa Cemaden Educação. Essa iniciativa mobiliza escolas e comunidades em redes de prevenção, incentivando jovens a refletir e agir sobre os riscos locais por meio da "ciência cidadã". O programa busca desenvolver melhores estratégias de construção de capacidades e campanhas anuais, como a deste ano, "#AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco", para fortalecer a cultura de resiliência desde a base escolar e comunitária. A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, realizou uma apresentação no segundo dia da Reunião Geral do CLIMARES (26/5) e se aprofundou na relevância da educação, ciência e conhecimento para a redução de riscos de desastres.
O eixo sobre gestão de desastres e o papel da Defesa Civil investiga como promover a transformação institucional necessária para enfrentar extremos climáticos. A pesquisa analisa planos de contingência e capacidades de preparação das unidades municipais, utilizando coletas de dados quantitativos e qualitativos em diversos municípios brasileiros. O objetivo é identificar gargalos na implementação de políticas de gestão de risco e melhorar a interação entre a Defesa Civil e as estratégias de redução de riscos.
Por fim, o eixo de políticas públicas multissetoriais, indicadores e impactos analisa o uso de indicadores de cidades resilientes no planejamento local. O grupo avalia como diferentes estratégias de mitigação podem ser integradas às políticas públicas. O foco está em cidades e bairros onde os impactos são mais sentidos, considerando peculiaridades geográficas e urbanas para fortalecer a resiliência multissetorial.
Além dos palestrantes Regina Alvalá e Jose Marengo, o Cemaden foi representado por uma equipe de pesquisadores no primeiro dia da reunião do CLIMARES. Para Adriana Cuartas, pesquisadora na área de hidrologia no Cemaden, a reunião foi muito importante para perceber as conexões entre os eixos do Centro de Pesquisa e as possibilidades de colaboração e potencialização de resultados dos estudos. Regla Somoza, tecnologista com atuação na Sala de Situação do Cemaden, destacou o caráter aplicado das pesquisas e a importância de uma comunicação eficaz dos avanços científicos para a população. Já o coordenador-geral do CLIMARES, Tércio Ambrizzi, salientou o papel fundamental desempenhado pelo Cemaden na consecução dos objetivos do Centro de Pesquisa.
