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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR JUN/26
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezessete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.
Assim, referente ao mês de junho, a região Sudeste apresentou 134 municípios com condição de seca moderada, sendo 74 no estado de São Paulo e 60 no estado de Minas Gerais.
A região Centro-Oeste, para o mês de junho, apresentou 4 municípios com condição de seca severa, sendo 3 em Mato Grosso e 1 em Goiás. Além disso, a região registrou 103 municípios com condição de seca moderada, dos quais 67 em Goiás e 36 em Mato Grosso.
Na região Norte, por sua vez, 1 município apresentou condição de seca severa, localizado no estado do Tocantins. Adicionalmente, 138 municípios apresentaram condição de seca moderada, distribuídos entre os estados do Tocantins (99), Pará (25) e Amazonas (14).
Na região Nordeste, 28 municípios apresentaram condição de seca severa, todos localizados no estado da Bahia. Outros 231 municípios apresentaram condição de seca moderada no mês de junho, sendo 122 municípios na Bahia, 73 em Sergipe, 33 em Alagoas e 3 em Pernambuco.
Por fim, em relação à região Sul, para o mês de junho, segundo o calendário da CONAB, não há calendário vigente para plantio, não sendo realizada a avaliação da severidade da seca para a agricultura familiar.

- Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de junho considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de junho/26, maio/26 e abril/26. Para o plantio realizado no mês de junho (Figura 2), 10 municípios apresentaram risco muito alto, todos localizados no estado da Bahia, região Nordeste. Outros 148 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, sendo 96 na região Nordeste, 32 na região Norte, 10 na região Centro-Oeste e 10 na região Sudeste. Além disso, 174 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos entre as regiões Nordeste (101), Norte (44), Centro-Oeste (24) e Sudeste (5).
Considerando o plantio realizado em maio (Figura 3), 122 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Sudeste (37), Nordeste (36), Norte (35) e Centro-Oeste (14). Outros 162 municípios apresentaram risco moderado em relação à seca, sendo 59 na região Norte, 37 na região Centro-Oeste, 33 na região Nordeste e 33 na região Sudeste.
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de abril (Figura 4) e, portanto, encerraram seu ciclo no mês de junho, não foram registrados municípios com risco muito alto em relação à seca. Entretanto, 144 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Sudeste (53), Norte (46), Nordeste (35) e Centro-Oeste (10). Além disso, 197 municípios apresentaram risco moderado, sendo 73 na região Sudeste, 60 na região Norte, 33 na região Centro-Oeste e 31 na região Nordeste.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa para a safra de grãos 2025/26, divulgada em outubro de 2025, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. Entretanto, a nona estimativa da safra, elaborada em maio de 2026 e divulgada em junho de 2026, aponta uma produção de 358,6 milhões de toneladas. Em comparação com a primeira estimativa, observa-se um acréscimo de aproximadamente 11,2%, correspondente a cerca de 36,1 milhões de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em junho de 2026 comparada com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em junho de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Paraná: Milho 2ª Safra: o início do ciclo e o primeiro bimestre do ano foram marcados por um menor índice de chuvas, estiagem e altas temperaturas, muitas lavouras paranaenses já vinham sofrendo com o estresse hídrico e tiveram o seu potencial produtivo reduzido.
Goiás: Milho 2ª Safra: A produtividade foi revisada para baixo em virtude da ausência de chuvas por mais de 40 dias na maioria dos municípios goianos.
Minas Gerais: Milho 2ª Safra: Os volumes precipitados reduziram significativamente a partir do segundo decêndio de abril, e as lavouras começaram a sentir os efeitos da estiagem, retorcendo as folhas, principalmente pelas lavouras mais jovens. Apesar de ocorrerem precipitações em maio, elas não foram generalizadas e não foram capazes de garantir uma umidade no solo adequada ao bom desenvolvimento das lavouras. No campo, encontram-se lavouras com porte mais reduzido, algumas já secando as folhas do baixeiro e com espigas pequenas.
Distrito Federal: Milho 2ª Safra: as lavouras estão em estágio de enchimento de grãos e maturação, apresentando estresse hídrico devido ao corte das precipitações. A falta de chuvas, na fase crítica de enchimento de grãos, resultará em produção de grãos menores e mais leves, consequentemente, menor produtividade.
Maranhão: Milho 2ª Safra: As áreas semeadas fora da janela ideal de cultivo sentiram os efeitos da redução das precipitações em maio no sudoeste do estado e tiveram seu potencial produtivo afetado.
Pernambuco: Milho 2ª Safra: a recente restrição hídrica impactou negativamente o enchimento de grãos, afetando o potencial produtivo do cereal.
Bahia: Milho 2ª Safra: as lavouras mais tardias, que ainda não iniciaram a fase de frutificação, terão significativa perda produtiva devido ao corte das precipitações e, consequentemente, estresse hídrico.
Bahia: Feijão-caupi: 1ª Safra: vale pontuar que as lavouras mais tardias podem sofrer mais com essa oscilação climática recente, pois, se persistir a escassez de chuvas, poderá haver perda de potencial produtivo dessas lavouras que ainda estão em pleno desenvolvimento vegetativo, preparando-se para a etapa reprodutiva do ciclo.
Tocantins: Milho 2ª Safra: lavouras semeadas tardiamente tiveram queda no potencial produtivo devido à falta de umidade no solo durante o enchimento de grãos.
Feijão-caupi: 1ª Safra: Vale ressaltar que o mês registrou períodos de escassez pluviométrica, justamente nessas etapas críticas para o potencial produtivo da cultura. Há preocupação com a produtividade das lavouras em algumas localidades mais afetadas pela escassez hídrica.
Piauí: Feijão-caupi: 1ª Safra: as chuvas seguem esparsas, mas permanecem gerando condições satisfatórias para o desenvolvimento das lavouras, embora haja áreas com perdas por estresse hídrico em decorrência da limitação pluviométrica.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.69, JUNHO, 2026. ISSN: 2965-2014


