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CBTU: O desenvolvimento do Nordeste que passa pelos trilhos
VLT na Estação João Pessoa
Nas regiões metropolitanas de João Pessoa, Recife, Maceió e Natal, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) é mais do que um sistema de transporte: é infraestrutura social, econômica e ambiental que costura comunidades e centros urbanos todos os dias. Ao operar nestes quatro estados, a companhia garante mobilidade acessível para trabalhadores, estudantes e populações de baixa renda, reduzindo desigualdades de acesso à cidade e aos serviços públicos.
Criada em 1984, a partir da antiga Rede Ferroviária Federal, a CBTU nasceu com a missão de modernizar, expandir e operar sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos, com foco em mobilidade urbana e qualidade de vida nos grandes centros. No Nordeste, essa história se materializa em linhas que acompanham comunidades lindeiras, áreas industriais, zonas portuárias e bairros populares, formando um corredor diário de oportunidades e encontro entre pessoas e territórios.
Uma história de ferrovia e inclusão
Em João Pessoa, os trens voltaram a circular em 1982, ligando inicialmente a capital a Cabedelo, com estações em Mandacaru e Jacaré, e posteriormente estendidos até Santa Rita, passando por Bayeux. Desde 1984, o sistema passou a ser administrado pela CBTU e hoje, em média, os trens transportam 10 mil passageiros por dia, muitos deles dependentes do sistema para trabalhar, estudar e acessar os serviços essenciais.
Já em Maceió, a malha ferroviária teve origem em 1884, mas só a partir de 1988 os trens passaram para a CBTU e, em 1995, ganharam autonomia administrativa, consolidando um sistema que hoje atende milhares de passageiros, com forte caráter social e tarifas acessíveis.
Recife, berço da superintendência que deu suporte inicial aos sistemas de Maceió, João Pessoa e Natal, concentra uma das operações mais tradicionais do país, cuja evolução acompanhou o crescimento da região metropolitana e a necessidade de um transporte estruturante de média e alta capacidade.
Em Natal, os trens urbanos também migraram da antiga RFFSA para a CBTU e, com planos de modernização, têm potencial para transportar até 1,5 milhão de passageiros por mês, ampliando de forma decisiva a oferta de mobilidade para a população da capital potiguar.
Ao operar em corredores onde o transporte por ônibus muitas vezes é mais caro ou insuficiente, os trens da CBTU tornam-se uma política pública de inclusão social. Em João Pessoa e Natal, estimativas indicam que os sistemas podem atender centenas de milhares de pessoas por mês, com perfis majoritariamente de trabalhadores formais e informais, estudantes e usuários em busca de acesso a serviços de saúde e educação.
Essa capilaridade territorial cria efeitos em cadeia: amplia o raio de alcance de oportunidades de emprego, fortalece comércio e serviços em áreas próximas às estações além de ajudar a conter processos de isolamento urbano em regiões periféricas.
Em Maceió, mesmo diante de desafios orçamentários e operacionais, a CBTU mantém iniciativas culturais e “viagens especiais”, aproximando o sistema ferroviário da comunidade, valorizando as estações como espaços de convivência e reforçando o vínculo social com os usuários.
A atuação social não se limita à operação de transporte, nas quatro unidades da CBTU são desenvolvidos projetos com comunidades lindeiras, incluindo visitas de crianças aos trens, programas educativos e ações voltadas à cidadania e à proteção ambiental. Essas iniciativas reforçam a percepção do trem urbano como bem público coletivo, e não apenas como um serviço comercial ponto a ponto.
Sustentabilidade e meio ambiente: O trem como escolha consciente
O transporte ferroviário urbano é reconhecido por sua sustentabilidade, já que consegue transportar grandes volumes de passageiros com menor consumo de energia e menores emissões por pessoa quando comparado ao transporte individual motorizado. Na prática, a CBTU vem incorporando políticas ambientais em suas operações no Nordeste.
Em João Pessoa, desde 2015, todos os processos licitatórios passam por análise do setor de engenharia ambiental com critérios de sustentabilidade, o que inclui a redução de desperdícios, a busca por materiais e soluções mais eficientes e a adoção de boas práticas de gestão de recursos. A unidade também implantou o Programa de Consumo Sustentável de Água e Energia, voltado à conscientização de empregados, correção de vazamentos e uso de fontes alternativas de água. Outro marco é a geração de energia solar: desde 2019, as estações João Pessoa e Cabedelo operam com produção de energia fotovoltaica, sendo pioneiras no Nordeste entre sistemas ferroviários urbanos. A iniciativa reduz custos operacionais, diminui a pegada de carbono e se torna um símbolo da integração entre mobilidade e transição energética na região.
Cada composição que parte de uma estação leva mais do que passageiros: leva estudantes que sonham com a universidade, trabalhadoras que atravessam a cidade diariamente, crianças que descobrem o trem pela primeira vez. É nos trilhos da CBTU que uma parte importante do futuro sustentável e socialmente mais justo do Nordeste já tem sido construída, viagem após viagem, dia após dia.