MJSP conclui entrega de kits de varredura, georradares e drones a todos os estados e ao DF
Investimento de cerca de R$ 53 milhões fortalece a padronização tecnológica da segurança prisional e amplia a projeção internacional da inteligência penal brasileira
Brasília/DF, 22/10/2026 - Localizar celulares escondidos, identificar possíveis túneis e monitorar áreas prisionais durante o dia e à noite. Essas atividades passam a contar com uma estrutura tecnológica mais padronizada em todo o país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), concluiu, nesta quinta-feira (22), a entrega de kits de varredura, georradares e drones aos 26 estados e ao Distrito Federal, com investimento de aproximadamente R$ 53 milhões.
Os equipamentos ampliam a capacidade de atuação dos policiais penais e fortalecem uma experiência brasileira em inteligência penal que já desperta o interesse de outros países. Utilizadas pelas equipes da SENAPPEN em operações conjuntas com os estados, essas tecnologias passam a integrar a estrutura das administrações penitenciárias, ampliando sua autonomia para realizar inspeções e monitoramento contínuos.
As entregas integram a estratégia nacional de fortalecimento de 138 unidades prisionais selecionadas com base em análises técnicas e critérios de inteligência penal. A iniciativa combina inteligência e operações, modernização tecnológica e capacitação, com referências utilizadas no Sistema Penitenciário Federal, e fortalece as equipes de inteligência penal dos estados.
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, a modernização deve integrar os recursos tecnológicos à experiência das equipes e ao desenvolvimento científico.
“O investimento em tecnologia amplia a capacidade de atuação dos policiais penais e oferece melhores condições para realizar inspeções e identificar riscos. Ao disponibilizar esses recursos em todo o país, fortalecemos uma referência nacional de equipamentos e procedimentos, respeitando as necessidades de cada estado. A parceria com a Universidade de Brasília soma o conhecimento científico à experiência de quem trabalha nas unidades prisionais, para desenvolver soluções voltadas aos desafios concretos do sistema penal e ao enfrentamento do crime organizado”, destacou.
Experiência brasileira desperta interesse internacional
A cooperação com outros países inclui operações, solicitações de apoio e participação em capacitações. O diretor de Inteligência Penal da SENAPPEN, Glautter Morais, destacou que o conhecimento aplicado nessas ações foi construído no trabalho conjunto das equipes federais e estaduais.
“O Brasil já é referência em inteligência penal. Essas tecnologias foram utilizadas primeiro pelas equipes da SENAPPEN em operações conjuntas com os estados. Agora, com a doação dos equipamentos, as polícias penais estaduais ganham mais autonomia para incorporar esses recursos à rotina das unidades”, afirmou.
Segundo o diretor, essa experiência também tem contribuído para o intercâmbio internacional.
“Já realizamos uma operação no Equador e recebemos solicitações de outros países. Neste mês, um policial argentino participou de uma capacitação conosco. É um conhecimento construído no trabalho dos policiais penais federais e estaduais que também pode contribuir com outros países”, ressaltou.
Tecnologia para localizar ilícitos e identificar riscos
Os kits de varredura reúnem ferramentas que se complementam nas buscas. Os detectores de junção não linear permitem localizar componentes eletrônicos ocultos, mesmo desligados. Já os analisadores de espectro identificam sinais de radiofrequência associados a dispositivos de comunicação. Esses recursos tornam as inspeções mais rápidas e direcionadas, reduzindo a necessidade de danificar paredes, pisos, objetos e utensílios das celas para verificar possíveis esconderijos de materiais ilícitos.
Os georradares permitem examinar o solo e estruturas para identificar possíveis túneis, cavidades e outras alterações que possam comprometer a segurança. A tecnologia ajuda a orientar as verificações e reduz a necessidade de abrir pisos ou outras estruturas durante as buscas.
Os drones ampliam a vigilância e o monitoramento das unidades prisionais e de seu entorno. As aeronaves contam com câmeras com recursos de aproximação de imagem, câmera termal, telêmetro a laser e iluminador infravermelho. Esses recursos apoiam operações diurnas e noturnas, permitindo observar áreas e identificar movimentações com maior alcance.
Equipamentos e instrumentos legais contra comunicações ilícitas
A modernização tecnológica também é acompanhada pelo aperfeiçoamento dos instrumentos legais. Com o Decreto nº 13.136/2026, as informações obtidas pelos equipamentos de identificação utilizados na Operação Modo Avião podem fundamentar pedidos de bloqueio administrativo de dispositivos em uso irregular, sem necessidade de apreensão física ou autorização judicial específica.
Na operação, são utilizados Equipamentos Táticos de Revista Eletrônica (ETREs), distintos dos kits de varredura. A identificação dos dispositivos permite às autoridades penitenciárias solicitar seu bloqueio, conforme os procedimentos previstos no decreto. Assim, os policiais penais contam com ferramentas tecnológicas e um instrumento adicional para interromper comunicações ilícitas a partir dos presídios.
Novas aquisições para inspeções nas celas
Além dos equipamentos já entregues, a SENAPPEN conduz novas licitações para reforçar a capacidade de inspeção das equipes. Está previsto, nesta semana, o pregão para aquisição de boroscópios, com investimento estimado em R$ 700 mil.
Os boroscópios são equipamentos com pequenas câmeras que permitem observar cavidades e espaços de difícil acesso no interior das celas. O objetivo é apoiar a localização de ilícitos em pontos que não podem ser examinados diretamente pelos policiais penais.
Nos próximos dias, está previsto o pregão de aparelhos portáteis de raios X, com investimento estimado em R$ 58 milhões. Os equipamentos serão destinados às unidades prisionais para apoiar a inspeção por imagem de objetos e locais suspeitos, auxiliando a identificação de materiais ocultos.
Parceria com a UnB para desenvolver parlatórios
Outra frente de modernização é a parceria entre a SENAPPEN e a Universidade de Brasília (UnB), por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED), com investimento de R$ 10 milhões na primeira etapa.
A iniciativa prevê o desenvolvimento e a implementação de soluções para parlatórios físicos e virtuais no sistema penitenciário brasileiro. Os parlatórios são espaços destinados à comunicação e ao atendimento de pessoas privadas de liberdade.
A parceria reúne o conhecimento científico e tecnológico da universidade e a experiência da SENAPPEN para desenvolver soluções adequadas às necessidades do ambiente prisional, com foco no fortalecimento da segurança e no enfrentamento ao crime organizado.
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