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IPEN 70 ANOS: pesquisa, radiofármacos, cooperação e infraestrutura científica marcam 2023
O ano de 2023 marcou um período de retomada dos investimentos, ampliação das parcerias institucionais e fortalecimento de atuação do IPEN na saúde pública. O Instituto manteve posição central na produção brasileira de radiofármacos, ao mesmo tempo que ganhou espaço o debate sobre a integração das radiofarmácias públicas ao complexo industrial da saúde e a ampliação do acesso a esses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No âmbito internacional, a cooperação esteve presente desde os primeiros meses de 2023. Entre 10 e 20 de abril, especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica avaliaram projetos nas áreas de saúde humana e segurança radiológica. Durante a missão, a comitiva visitou o IPEN para conhecer os trabalhos realizados e examinar a contribuição dos projetos para a transferência de tecnologia nuclear ao Brasil. Em maio, o Instituto anunciou que lideraria o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Radiações na Saúde — INCT INTERAS. Coordenado pelo Centro de Lasers e Aplicações, o projeto reuniu instituições brasileiras e estrangeiras. Entre seus objetivos estavam o desenvolvimento de métodos de diagnóstico e terapia com radiações, novos radiofármacos, técnicas ópticas, aplicações de inteligência artificial e tratamentos direcionados a diferentes tipos de câncer e outras doenças.
Outro projeto que ganhou visibilidade em 2023 foi a separação dos isótopos lítio-6 e lítio-7. Iniciado em 2020 e desenvolvido pelo IPEN em parceria com a Companhia Brasileira de Lítio e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, o trabalho buscava estabelecer uma rota tecnológica nacional para a obtenção do lítio-7, material empregado no controle químico de reatores nucleares de potência. A equipe do Centro de Química e Meio Ambiente utilizou um método de troca iônica baseado em resinas capazes de reter preferencialmente o lítio-6, permitindo a concentração do lítio-7. Além de evitar processos que utilizavam mercúrio, a pesquisa procurava criar as condições necessárias para reduzir a dependência das importações destinadas às usinas de Angra 1 e Angra 2.
A formação de recursos humanos e a promoção da diversidade na área nuclear também receberem atenção. Entre 19 e 23 de junho, o campus do IPEN sediou o 1º Simpósio sobre Não-Proliferação Nuclear e Segurança para Mulheres em STEM na América Latina e no Caribe. O encontro reuniu pesquisadoras, especialistas, autoridades e estudantes para discutir segurança nuclear, desarmamento, usos pacíficos da energia nuclear, liderança feminina e ampliação da participação das mulheres nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Em julho, o Instituto publicou edital para o preenchimento de cinco bolsas de pós-doutorado em projetos científicos e tecnológicos desenvolvidos em seus centros de pesquisa. As bolsas, com duração máxima de 15 meses, contemplavam pesquisadores de diferentes áreas e reforçavam a atuação do IPEN na pós-graduação, na produção científica e na formação de novos especialistas.
Na área de infraestrutura, as comemorações do 67° aniversário do IPEN foram acompanhadas pela inauguração de duas novas instalações. Em 30 de agosto, foi inaugurada a Unidade Integrada de Fabricação de Elementos Combustíveis, destinada ao desenvolvimento e à produção de combustíveis nucleares, com capacidade superior a 60 elementos por ano, alinhada às necessidades estratégicas do Reator Multipropósito Brasileiro.
Em primeiro de setembro, entrou em funcionamento o Laboratório de Investigação e Produção de Lotes-Piloto de Radiofármacos. Financiado com apoio da FAPESP, o laboratório foi concebido para pesquisar novos medicamentos radioativos, produzir lotes experimentais e aproximar o desenvolvimento laboratorial das futuras etapas de aplicação clínica.
Ainda em setembro de 2023, a produção científica do IPEN recebeu reconhecimento no 37º Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, ocasião em que o pós-doutorando do IPEN/CNEN Arian Perez Nario recebeu o prêmio de melhor trabalho científico. No mesmo período, dez militares da Marinha do Brasil passaram pelas avaliações exigidas para o licenciamento como operadores do reator de pesquisa IPEN/IEA-R1. Os exames abrangeram conhecimentos sobre operação do reator, procedimentos de emergência, proteção radiológica e gerenciamento de rejeitos.
Ao reunir investimentos em infraestrutura, pesquisas voltadas à autonomia tecnológica, formação de especialistas e cooperação com instituições nacionais e estrangeiras, o IPEN encerrou 2023 reafirmando a diversidade de sua atuação. Os acontecimentos do ano demonstraram que a produção de radiofármacos permanecia como uma de suas responsabilidades fundamentais, mas também evidenciaram a continuidade dos esforços para ampliar as aplicações sociais da tecnologia nuclear, fortalecer a pesquisa científica e preparar o Instituto para os desafios das décadas seguintes.
