Notícias
IPEN/CNEN usa tecnologia da radiação para preservar documento histórico
Considerado como um dos principais personagens dos processos de independência na América Latina, Simón Bolívar convocou a primeira iniciativa de integração regional no continente. Entre 22 de junho e 15 de julho de 1826, representantes da Gran Colômbia (Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela), Peru, México e Províncias Unidas da América Central (atualmente Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua) participaram no Panamá daquele que ficou conhecido como Congresso Anfictiônico, uma alusão à assembleia de delegados das cidades da antiga Grécia.
O objetivo do encontro foi definir formas de atuação conjunta que pudessem levar à construção da “grande pátria latino-americana”. Apesar dos esforços em favor da união continental, o “Tratado magnífico titulado de la Unión, de la Liga y de la Confederación perpetua” nunca saiu do papel.
Apesar de diferentes versões, o fato é que as atas do Congresso do Panamá, como também ficou conhecido, foram adquiridas pelo Itamaraty de um familiar da pessoa que as escreveu. Após vários pedidos de devolução feitos pelas autoridades panamenhas, o governo brasileiro aceitou entregá-las em 1976. Mas, foi somente em 9 de outubro de 2.000 que a Presidência da República assinou o decreto 3.625 para cessão em depósito por tempo indeterminado das respectivas atas desde que o Panamá as mantivesse em local seguro, em bom estado e com livre acesso à visitação pública. Desde então, a documentação nunca havia recebido um tratamento de desinfecção como o que foi feito em 10 de abril no Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 que funciona no IPEN/CNEN.
O professor doutor Pablo Vasquez, responsável pela linha de pesquisa para preservação de acervos culturais com radiação ionizante do IPEN/CNEN, explica que o processo é conhecido como ionização gama. “A radiação gama, proveniente do Cobalto-60, representa uma alternativa altamente eficiente que ajuda a preservar e a conservar materiais orgânicos susceptíveis de serem afetados por agentes biodegradantes, como insetos e microrganismos. A técnica não deixa resíduos de radiação e dispensa a quarentena, o que preserva a saúde humana. Além disso, os objetos são tratados ainda em suas embalagens de transporte, devido às características de penetração deste tipo de radiação. Objetos contaminados podem ser tratados em pouco tempo”.
Este foi o caso das atas do Congresso Anfictiônico. O processo durou pouco mais de uma hora e teve o acompanhamento do vice-ministro de Relações Exteriores para Assuntos Multilaterais e de Cooperação do Panamá, Carlos Guevara Mann. Ele afirmou que a colaboração do IPEN/CNEN e do Itamaraty tem sido fundamental para a preservação da memória histórica da América Latina. “Após esse processo de preservação, as atas voltam ao seu espaço de exposição, no andar superior do Salão Bolívar, conhecido como Sala das Atas, exatamente no mesmo local onde aconteceu o Congresso Anfictiônico, marcando uma etapa importante para as comemorações neste ano do bicentenário desse evento histórico que representou o primeiro esforço de integração e multilateralismo no continente”, disse o diplomata panamenho.
Para o embaixador do Brasil no Panamá, João Mendes Pereira, “o trabalho do IPEN/CNEN representa importante contribuição brasileira ao conjunto de celebrações do bicentenário do Congresso Anfictiônico”.
Marco Piva - IPEN/CNEN