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IPEN 70 ANOS: em 2024, Instituto vive entre o reconhecimento de uma trajetória e os desafios do futuro
Em 2024, o IPEN recebeu reconhecimento por sua contribuição histórica para a ciência brasileira. Em 25 de janeiro, durante a cerimônia comemorativa dos 90 anos da Universidade de São Paulo, o Instituto foi agraciado com a Medalha Armando de Salles Oliveira, considerada a mais alta honraria concedida pela USP. Entregue à diretora-superintendente Isolda Costa, a medalha simbolizou a relação mantida entre as duas instituições nas áreas de pesquisa e pós-graduação. Em fevereiro, essa atuação cooperativa foi ampliada com a assinatura de um acordo entre o IPEN e a Universidade Federal do Ceará, voltado ao desenvolvimento de projetos conjuntos em corrosão, ciência dos materiais e divulgação científica, bem como à realização de intercâmbios, estágios e eventos acadêmicos.
O reconhecimento não se restringiu ao âmbito nacional. Em junho, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou a designação do IPEN como Centro Colaborador nas áreas de segurança de computadores, detecção de radiação e proteção física aplicada à segurança nuclear. Formalizado no dia 21, o acordo estabeleceu uma cooperação de quatro anos e reconheceu as capacidades científicas e técnicas existentes no Instituto.
No mesmo período, o IPEN publicou o Edital Interno nº 7/2024, que previa a aplicação de R$ 8 milhões em pesquisas realizadas por seus 11 centros. O edital contemplava tanto projetos desenvolvidos em um único centro quanto propostas conduzidas por equipes de diferentes centros, abrangendo áreas como células a combustível, lasers, química, meio ambiente, materiais e tecnologia das radiações.
As comemorações dos 68 anos do IPEN foram realizadas em agosto e acompanhadas de ações de divulgação científica e reconhecimento institucional. No dia 29, instituições parceiras receberam a honraria Marcello Damy de Souza Santos, criada em homenagem a um dos fundadores do Instituto e responsável pela instalação do primeiro reator nuclear brasileiro.
Em setembro, o Instituto sediou a ISIS-Brazil Neutron School, organizada em parceria com o centro britânico ISIS Neutron and Muon Source. Realizado entre os dias 2 e 11, o curso reuniu estudantes brasileiros e professores do país e do exterior para o estudo de técnicas de análise por nêutrons. A iniciativa buscou formar uma comunidade científica preparada para utilizar as futuras instalações do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e ampliar o emprego de nêutrons na caracterização de materiais. Em outubro, as atividades de formação prosseguiram com o 18º Workshop de Urgência e Emergência, promovido pela equipe de socorristas do IPEN para estudantes de enfermagem. O treinamento abordou temas como parada cardiorrespiratória, acidente vascular cerebral, imobilização de vítimas e atendimento pré-hospitalar.

No final do ano, o IPEN ampliou sua atuação em parcerias tecnológicas nacionais e internacionais. Em novembro, a CNEN assinou um memorando de entendimento com a China Isotope and Radiation Corporation durante uma conferência ministerial da AIEA, em Viena. O acordo previa a cooperação em produção de radiofármacos e em aplicações da radiação no processamento de alimentos e materiais cirúrgicos.
Também em novembro, foi firmada uma parceria entre o IPEN e a Petrobras para avaliar a viabilidade do emprego de pequenos reatores nucleares flutuantes em plataformas de petróleo. Conduzido pelo Centro de Engenharia Nuclear, o projeto foi estruturado para analisar tecnologias disponíveis, os requisitos de segurança e licenciamento, a viabilidade econômica e as possíveis contribuições da energia nuclear para a redução das emissões nas operações marítimas. Assim, 2024 conjugou reconhecimento institucional, formação científica e técnica, investimentos em pesquisa, cooperação internacional e estudos direcionados a novas aplicações da tecnologia nuclear brasileira.
