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IPEN 70 ANOS: em 2019, Instituto implementa nova linha de formação profissional
Em 2019, a relação histórica do IPEN com as aplicações das radiações na saúde ganhou uma nova dimensão com a implantação do Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde. A proposta do curso havia sido aprovada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) no ano anterior, durante a 179ª reunião de seu Conselho Técnico-Científico da Educação Superior. Em junho, o Instituto abriu o processo seletivo para a primeira turma e, em agosto tiveram início as atividades acadêmicas. Inaugurava-se, assim, uma modalidade de formação concebida para aproximar de maneira ainda mais direta o conhecimento científico acumulado no IPEN das práticas profissionais desenvolvidas em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.
O programa surgia com uma característica particular no cenário brasileiro. Tratava-se de um mestrado profissional voltado às tecnologias das radiações em saúde destinado a profissionais de diferentes formações, entre eles médicos, farmacêuticos, biomédicos, profissionais de radiologia, físicos médicos, biólogos e especialistas de áreas afins. A proposta era capacitá-los para o desenvolvimento, a implementação e o uso de técnicas envolvendo radiações ionizantes e não ionizantes em diagnóstico, terapia e outras aplicações na área da saúde. Com duração prevista de 24 meses, a primeira edição reuniu a experiência de pesquisadores do Instituto em diferentes campos das ciências e tecnologias das radiações.
Em sua estrutura inicial, o programa se organizava em duas grandes linhas de atuação: Processos de Radiação na Saúde e Medicina Nuclear e Radiofarmácia. A primeira reunia temas como radioterapia, dosimetria, imagens médicas, interação das radiações com tecidos biológicos e proteção e segurança radiológica. A segunda concentrava-se no desenvolvimento, na produção e na aplicação clínica dos radiofármacos. As duas linhas recuperavam áreas nas quais o IPEN vinha construindo competências ao longo de décadas e criavam um novo caminho para que esse conhecimento chegasse aos profissionais diretamente envolvidos na assistência à saúde.
A implantação do mestrado profissional também sinalizava uma mudança importante na forma de pensar a formação de recursos humanos dentro do Instituto. O IPEN já possuía uma longa tradição de pós-graduação acadêmica em Tecnologia Nuclear, desenvolvida em associação com a Universidade de São Paulo (USP). O novo programa, entretanto, procurava estabelecer uma ligação mais imediata entre pesquisa e prática profissional.
Essa proposta estava em sintonia com a própria concepção dos mestrados profissionais consolidada pela CAPES naquele período. Em 2019, a Portaria nº 60 reforçou a ideia de uma formação voltada à qualificação de profissionais capazes de introduzir práticas inovadoras, transferir conhecimento para a sociedade e responder a demandas concretas de instituições públicas e privadas. No caso do IPEN, essa orientação encontrava terreno fértil em uma instituição cuja trajetória sempre combinou pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, prestação de serviços e formação especializada.
Se, em 2018, a atuação do IPEN na medicina nuclear, na radiofarmácia, na radioterapia e na proteção radiológica evidenciava a presença das tecnologias nucleares nos serviços de saúde, em 2019 essa experiência passou a sustentar também a base de um programa especificamente concebido para a formação profissional avançada. Pesquisa, desenvolvimento tecnológico e capacitação passaram a se encontrar de maneira ainda mais explícita em um mesmo espaço.
A implantação do Mestrado Profissional reforçou uma dimensão importante da trajetória do IPEN. A atuação do Instituto não se limitava ao desenvolvimento de equipamentos, técnicas ou produtos, mas abrangia também a formação das pessoas responsáveis por utilizá-los, aperfeiçoá-los e incorporá-los à prática cotidiana.
Em 2026, quando o IPEN completa 70 anos, o Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde chega à sua oitava turma, com 84 mestres já formados e nota 4 na avaliação da CAPES. Ao longo de sua trajetória, o programa também ampliou sua estrutura com a incorporação da área de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), reforçando sua aproximação com as demandas contemporâneas do setor. Consolidado como uma das iniciativas de formação especializada do Instituto, o mestrado expressa a capacidade do IPEN de renovar competências construídas ao longo de sete décadas, transformando experiência científica e tecnológica em formação profissional e mantendo atual sua contribuição para o desenvolvimento das tecnologias das radiações aplicadas à saúde.
Referências
COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR (CAPES). Portaria nº 60, de 20 de março de 2019. Dispõe sobre o mestrado e o doutorado profissionais, no âmbito da CAPES. Brasília, DF: CAPES, 2019. Publicada no Diário Oficial da União, seção 1, em 22 mar. 2019, p. 26. Disponível no Catálogo de Atos Administrativos da CAPES. Acesso em: 15 ago. 2026
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES (IPEN). Regulamento do Programa de Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde. São Paulo: IPEN-CNEN/SP, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/ipen/pt-br/ensino/pos-graduacao-stricto-sensu-mestrado-profissional-em-tecnologia-das-radiacoes-em-ciencias-da-saude/regulamento_mp-trcs-2020-revisado_cta.pdf. Acesso em: 15 ago. 2026.
LINARDI, Marcelo et al. O IPEN e a saúde. São Paulo: SENAI-SP Editora, 2019. 280 p. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/handle/123456789/30898. Acesso em: 15 ago. 2026
