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IPEN 70 ANOS: em 2018, aplicações nucleares voltadas à sociedade
Em 2018, uma das faces mais visíveis da atuação do IPEN continuava sendo sua relação com a saúde. A produção de radioisótopos e radiofármacos seguia abastecendo centenas de serviços de medicina nuclear em todo o país, mantendo o Instituto diretamente ligado à rotina de hospitais e clínicas brasileiras. Essa trajetória foi destacada em agosto daquele ano, durante o Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, no qual ressaltou-se a participação expressiva do IPEN e seu papel pioneiro na pesquisa e produção de radiofármacos, além de sua contribuição para o desenvolvimento da medicina nuclear no Brasil.
Outro aspecto importante de 2018 foi o fortalecimento da cooperação com instituições ligadas à radioterapia. Em maio, o Instituto sediou a assinatura de um acordo entre a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) voltado ao aperfeiçoamento da proteção radiológica e da segurança dos profissionais que atuavam em instalações de radioterapia. A iniciativa reforçava uma dimensão histórica da atuação do IPEN: além de desenvolver tecnologias, também contribuía para a formação e a qualificação profissional e para a disseminação de práticas seguras no uso das radiações.
A atuação do Instituto, porém, ia muito além da saúde. Em 2018, o IPEN mantinha uma ampla produção científica e tecnológica em áreas como metrologia, materiais, biotecnologia, lasers, aplicações industriais das radiações e energia. Essa diversidade revelava uma instituição já madura, capaz de articular pesquisa de base, desenvolvimento tecnológico, prestação de serviços e aplicações diretamente relacionadas às necessidades da sociedade.
Nesse período, avançava no IPEN o desenvolvimento de uma unidade móvel equipada com um acelerador industrial de elétrons, concebida para levar a tecnologia de irradiação até instalações industriais e demonstrar, em condições próximas às de operação das empresas, sua aplicação no tratamento de águas residuárias e efluentes. Por meio de feixes de elétrons, tornava-se possível estudar a degradação de contaminantes e avaliar a eficiência do processo em diferentes situações. Mais do que a construção de um equipamento, o projeto procurava transformar conhecimentos acumulados pelo Instituto em uma tecnologia capaz de responder diretamente a problemas ambientais e industriais. Desenvolvida ao longo dos anos seguintes, a iniciativa viria a resultar no Laboratório Móvel de Irradiação com Acelerador Industrial de Elétrons.
Também em 2018, o reator de pesquisa IPEN/MB-01 atravessava uma etapa marcante de sua trajetória. No ano em que completava três décadas de operação, a instalação passava por uma transformação significativa: a substituição do núcleo original, constituído por varetas combustíveis, por uma nova configuração formada por elementos combustíveis do tipo placa, desenvolvidos e fabricados no próprio IPEN. Semelhantes aos previstos para o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), esses elementos aproximavam a experiência acumulada no IPEN/MB-01 das necessidades de um dos principais projetos então em desenvolvimento no setor nuclear brasileiro. A mudança renovava a função do reator como instalação experimental destinada a estudos de física de reatores, validação de métodos de cálculo e formação de especialistas, ao mesmo tempo em que criava possibilidades para pesquisas relacionadas aos desafios tecnológicos dos anos seguintes.
O ano de 2018 revela, assim, um IPEN atuando simultaneamente em frentes distintas, mas conectadas por uma mesma trajetória de produção e aplicação do conhecimento. Da medicina nuclear e da radioterapia ao tratamento de efluentes e à pesquisa em reatores, o Instituto combinava competências construídas ao longo de décadas com novas demandas científicas, tecnológicas e sociais. Mais do que um período de continuidade, 2018 evidenciava a capacidade do IPEN de renovar suas áreas de atuação, fortalecer cooperações e preparar tecnologias e conhecimentos que continuariam a se desenvolver nos anos seguintes.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENERGIA NUCLEAR (ABEN). Brasil Nuclear. Rio de Janeiro: ABEN, dez. 2018, n. 45, Disponível em: https://aben.org.br/brasil-nuclear/. Acesso em: 17 ago. 2026.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). CNEN e SBRT assinam acordo para fortalecer proteção radiológica. Brasília, DF, 14 maio 2018. Disponível em: https://www.gov.br/cnen/pt-br/assunto/ultimas-noticias/cnen-e-sbrt-assinam-acordo-para-fortalecer-protecao-radiologica. Acesso em: 14 ago. 2026.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). XXXII Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear tem expressiva participação da CNEN. Brasília, DF, 14 ago. 2018a. https://www.gov.br/cnen/pt-br/assunto/ultimas-noticias/xxxii-congresso-brasileiro-de-medicina-nuclear-tem-expressiva-participacao-do-ipen. Acesso em: 14 ago. 2026.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). Relatório de Gestão do exercício de 2018. Rio de Janeiro: CNEN, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/cnen/pt-br/avulsos/rel-gestao-2018-pdf/@@download/file. Acesso em: 14 ago. 2026.
