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IPEN 70 ANOS: em 2017, os avanços dos centros de pesquisa do Instituto
Em 2017, o IPEN atravessou um ano marcado pela continuidade de projetos estratégicos, pela diversidade das pesquisas desenvolvidas em seus Centros e pela articulação entre ciência, tecnologia, formação de pessoal e prestação de serviços.
No campo da engenharia nuclear, 2017 foi um ano importante para o reator IPEN/MB-01. O Centro de Engenharia Nuclear trabalhou na adaptação da instalação para uma nova configuração de núcleo com elementos combustíveis do tipo placa, concebida para apoiar estudos ligados ao futuro Reator Multipropósito Brasileiro. Foram produzidos relatórios de segurança, cálculos de inventário de produtos de fissão e estudos relacionados ao comportamento do novo núcleo. Ao mesmo tempo, a expertise acumulada no Instituto continuava sendo aplicada fora de seus laboratórios. Uma equipe do IPEN participou, por exemplo, da inspeção de elementos combustíveis irradiados da Usina Nuclear de Angra 1 durante uma parada programada da usina, demonstrando a relação estreita entre pesquisa e prestação de serviços especializados.
O ano também teve um significado simbólico para o Centro do Reator de Pesquisa. Em setembro de 2017, o reator IEA-R1 completou sessenta anos de sua primeira criticalidade, alcançada em 1957. Ao longo dessas seis décadas, a instalação havia se tornado uma das principais ferramentas de pesquisa nuclear do país, utilizada para produção de radioisótopos, análise por ativação com nêutrons, irradiação de amostras e realização de experimentos. As comemorações dos sessenta anos incluíram atividades científicas e um encontro internacional dedicado aos usos de reatores de pesquisa, reforçando a importância histórica e técnica do IEA-R1 na trajetória do IPEN.
Na área da saúde, o Centro de Radiofarmácia manteve uma de suas funções mais reconhecidas: o desenvolvimento e a produção de radioisótopos e radiofármacos empregados em medicina nuclear. Entre as pesquisas documentadas naquele ano esteve o estudo da marcação do PSMA com lutécio-177, voltado a possibilidades terapêuticas para o câncer de próstata. Também havia investigações relacionadas à obtenção e purificação de molibdênio-99, fundamental para a produção do tecnécio-99m, um dos radioisótopos mais utilizados em exames diagnósticos.
Outros Centros também apresentaram trabalhos expressivos. No Centro de Lasers e Aplicações, pesquisas com pulsos de femtossegundos investigaram a microusinagem de superfícies de titânio, buscando produzir modificações extremamente precisas nos materiais e abrir possibilidades para usos industriais e tecnológicos. No Centro de Metrologia das Radiações, foram desenvolvidos estudos voltados à padronização de radionuclídeos e à confiabilidade das medições de radiação. Já o Centro de Tecnologia das Radiações manteve pesquisas com o Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, incluindo estudos de dosimetria e procedimentos para irradiação de tecidos destinados a aloenxertos, além da apresentação de tecnologias brasileiras em eventos internacionais.
No Centro do Combustível Nuclear, estudos envolveram o aperfeiçoamento de combustíveis à base de dióxido de urânio e o gerenciamento de efluentes associados à fabricação de elementos combustíveis. O Centro continuava diretamente ligado à produção de combustível destinado ao reator IEA-R1, uma atividade que conectava pesquisa tecnológica e funcionamento cotidiano das instalações nucleares do Instituto.
O Centro de Química e Meio Ambiente, por sua vez, trabalhava na análise e sistematização de dados ambientais relacionados tanto ao campus do IPEN quanto a empreendimentos nucleares estratégicos. Uma pesquisa concluída em 2017 avaliou a qualidade de águas superficiais e subterrâneas na região destinada ao Reator Multipropósito Brasileiro, utilizando dados coletados em campanhas anteriores.
Vista em conjunto, a produção de 2017 revela um IPEN que atuava em várias escalas ao mesmo tempo. Mais do que um conjunto isolado de atividades, o ano mostra a continuidade de uma instituição cuja identidade se construía justamente na combinação entre pesquisa científica, domínio tecnológico e aplicação prática do conhecimento nuclear em áreas como saúde, energia, indústria e meio ambiente.
Referências:
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES (IPEN). Seminários do Plano Diretor do IPEN – 2017 – Ciclo 2018. São Paulo: IPEN, 22 mar. 2018.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). Relatório de Gestão do exercício de 2017. Rio de Janeiro: CNEN, 2018. Disponível em: portal oficial da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Acesso em: 14 ago. 2026.
MURA, Luiz E. C. RAS Capítulo 4 “Edifícios e Estruturas” do Relatório de Segurança do Reator IPEN/MB-01. São Paulo: Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – CEN, maio 2017. Relatório técnico IPEN-CEN-PSE-RMB-005-00-RELT-033-00. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/handle/123456789/28160.

