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IPEN 70 ANOS: em 2015, Instituto investe em novas tecnologias a serviço do meio ambiente
O IPEN entrou na década de 2010 com uma atuação cada vez mais diversificada. Pesquisa básica, infraestrutura de alta complexidade, engenharia nuclear, tecnologia das radiações, ciência dos materiais, ciclo do combustível nuclear e radiofarmácia conviviam com o desenvolvimento de áreas voltadas a temas estratégicos do século XXI. Entre elas estavam a sustentabilidade, as tecnologias ambientais, as fontes de energia limpa, a biotecnologia e a nanotecnologia.
As preocupações com segurança e controle ambiental também se manifestavam no próprio Instituto, por meio da gestão de rejeitos radioativos e de atividades de caracterização, tratamento e deposição desses materiais, além do Programa de Monitoramento Químico Ambiental desenvolvido em 2015. A proteção ambiental, contudo, deixava de aparecer apenas como uma dimensão associada ao controle dos efeitos das atividades nucleares e passava também a constituir um campo de inovação tecnológica. O conhecimento acumulado pelo IPEN em radiações, química nuclear, materiais e engenharia começava a ser empregado de maneira crescente no desenvolvimento de tecnologias destinadas à remediação ambiental e ao uso mais sustentável dos recursos naturais.
De um lado, o Instituto mantinha programas sistemáticos de monitoramento de suas instalações; de outro, seus pesquisadores desenvolviam materiais e processos capazes de atuar diretamente na remoção, transformação e controle de contaminantes. Nesse encontro entre ciência dos materiais, química, tecnologia nuclear e engenharia, a nanotecnologia assumia papel cada vez mais relevante. Nanopartículas magnéticas, materiais adsorventes, catalisadores nanoestruturados e novos processos de tratamento de efluentes indicavam uma mudança importante de perspectiva, ao permitir intervenções em escalas cada vez menores e com maior precisão.
Nesse conjunto de pesquisas, os lasers também desempenhavam papel significativo. No Centro de Lasers e Aplicações (CLA), técnicas de sensoriamento remoto baseadas em LIDAR permitiam detectar e acompanhar aerossóis presentes na atmosfera, contribuindo para estudos relacionados à qualidade do ar e à poluição atmosférica. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de novas fontes laser ampliava as possibilidades de aplicação ambiental, de espectroscopia ao monitoramento de ambientes aquáticos. Dessa forma, nanotecnologia e fotônica aproximavam-se em torno de um objetivo comum: desenvolver instrumentos e processos cada vez mais precisos para compreender, monitorar e enfrentar problemas ambientais.
Ao incorporar nanotecnologia, fotônica e novas técnicas de monitoramento às suas pesquisas ambientais, o IPEN ampliava mais uma vez os limites de sua atuação. A experiência acumulada nessas áreas preparava o Instituto para novos desafios científicos e tecnológicos, que ganhariam maior visibilidade nos anos seguintes com a expansão das pesquisas em materiais avançados, energia e aplicações ambientais.
Referências:
LINARDI, Marcelo (org.). O IPEN e a nanotecnologia. São Paulo: SENAI-SP Editora, 2020.
POZZETTI, LUCILA M.V. Criação de um banco de dados dinâmico e análise de medições LIDAR em formato WEB do Laboratório de Aplicações Ambientais a Laser do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. 2006. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN/CNEN-SP, São Paulo. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/handle/123456789/11405.