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IPEN 70 ANOS: em 2007, reator IEA-R1 completou meio século de operação
Em 16 de setembro de 2007, o reator nuclear de pesquisas IEA-R1 completou meio século de operação, contando desde sua primeira criticalidade. Primeiro reator nuclear de pesquisa do Brasil e do Hemisfério Sul, o equipamento iniciou suas atividades em 1957 e foi inaugurado oficialmente em janeiro do ano seguinte. Ao longo de cinco décadas, consolidou-se como uma das principais infraestruturas científicas do país, contribuindo para a produção de radioisótopos, o desenvolvimento de pesquisas básicas e aplicadas, a formação de recursos humanos e a prestação de serviços tecnológicos.
A trajetória dos 50 anos de operação do IEA-R1 também se confunde com as mudanças organizacionais do IPEN. No início do século XXI, um dos marcos dessa trajetória foi a obtenção, pelo Centro do Reator de Pesquisas, da certificação ISO 9001:2000. A certificação integrou o processo de implementação do Sistema Integrado de Gestão do IPEN, estruturado para articular os programas dos diferentes setores às respectivas diretorias, no âmbito de uma organização baseada em centros definidos como unidades de pesquisa e desenvolvimento.
No ano em que alcançou essa marca cinquentenária, o reator IEA-R1, portanto, encontrava-se no centro de um amplo programa de modernização previsto para o período entre 2003 e 2009. Entre os objetivos estavam o retorno à potência de 5 MW e a ampliação gradual do ciclo de funcionamento para 120 horas contínuas por semana. Essas mudanças permitiriam aumentar a produção nacional de radioisótopos, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e garantir a continuidade das pesquisas e dos serviços de irradiação realizados no IPEN. Em 2007, o IEA-R1 operava a 3,5 MW, durante 64 horas semanais.
Nesse mesmo ano, o Instituto aguardava o licenciamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para substituir o trocador de calor, componente do sistema responsável pela remoção do calor produzido no núcleo do reator. O novo equipamento havia sido desenvolvido por profissionais do Centro de Engenharia Nuclear do IPEN.
Outra modernização técnica realizada em 2007 foi a instalação de um novo sistema pneumático, utilizado em irradiações de curta duração, de até meia hora. Assim como o trocador de calor, o equipamento foi desenvolvido no próprio Instituto, nesse caso por profissionais do Centro do Reator de Pesquisas, com o apoio do Departamento de Projeto de Fabricação do IPEN.
Antes disso, contudo, outras atualizações haviam sido realizadas no contexto do processo de modernização do IEA-R1. Em 2004, por exemplo, foi realizada a substituição do sistema de tratamento e purificação da água da piscina do reator. Nos anos de 2005 e 2006, destacou-se, por sua vez, o projeto de cooperação técnica com a Agência Internacional de Energia Atômica, denominado BRA/4/056 — “Modernização do reator de pesquisas IEA-R1 para garantir uma operação segura e sustentável destinada à produção de radioisótopos”.
O projeto de cooperação envolveu o aperfeiçoamento da instrumentação e dos sistemas elétricos, melhorias nos sistemas de refrigeração, atualização da monitoração radiológica, implantação de equipamentos para análise de amostras de água e ar, mapeamento do fluxo de nêutrons, ampliação da infraestrutura computacional destinadas aos cálculos neutrônicos e capacitação das equipes de operação e manutenção.
Finalmente, em 2007, a substituição do trocador de calor e a instalação do novo sistema pneumático deram continuidade a esse processo de modernização e atualização. Ao completar 50 anos de operação, o IEA-R1 reunia, assim, o valor histórico de uma instalação pioneira e a capacidade de permanecer em atividade por meio de sucessivos investimentos em segurança, gestão e desenvolvimento tecnológico.
Referências:
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares: Relatório de atividades 2003–2006. São Paulo: IPEN, 2007. Disponível em: https://biblioteca.ipen.br/slr/cel/IPENDIG0772.pdf. Acesso em: 4 ago. 2026.
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Progress report 2005–2007. São Paulo: IPEN, 2008. Disponível em: https://biblioteca.ipen.br/slr/cel/IPENDIG0771.pdf. Acesso em: 4 ago. 2026.
ÓRBITA. São Paulo: Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, ano VII, n. 38, jan./fev. 2007.


