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IPEN 70 ANOS: em 2004, Instituto avança em gestão tecnológica como estratégia institucional

- Grupos de visitantes do IPEN puderam conhecer o recém-inaugurado Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 durante as atividades da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. Fonte: Informe Anual IPEN, 2004
O projeto foi iniciado em 2002 pelo Centro de Tecnologia das Radiações e avançou significativamente até 2004, quando foi oficialmente inaugurado durante as comemorações dos 48 anos do IPEN, marcadas por diversas atividades realizadas entre 20 de agosto e 3 de setembro.
Desenvolvido com tecnologia totalmente nacional e apoio financeiro da FAPESP, o novo irradiador, com capacidade máxima de 37 PBq, foi destinado ao processamento contínuo de produtos por radiação gama. A instalação serviria tanto como planta de demonstração quanto para o desenvolvimento de aplicações em escala industrial, inclusive em processos inviáveis nos irradiadores então existentes no país.
Entre suas aplicações estavam a esterilização de diferentes materiais, a modificação e a qualificação de poliméricos, a descontaminação de documentos históricos, a remediação de solos contaminados e a redução de carga microbiana em alimentos. Dez anos depois, o próprio acervo da Biblioteca Terezine Arantes Ferraz, do IPEN, foi higienizado, eliminando microrganismos que causam danos ao papel. O equipamento também poderia ser utilizado no tratamento de tecidos biológicos para implantes cirúrgicos em ossos, tendões, cartilagens e pele.
O ineditismo do Irradiador Multipropósito combinava-se a uma nova etapa de gestão institucional. No contexto da Lei da Inovação, promulgada naquele mesmo ano, foi criado o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-IPEN), destinado a fortalecer a proteção do conhecimento, a transferência de tecnologia e a aproximação entre a pesquisa científica, o setor produtivo e a sociedade.
A iniciativa de criação do NIT-IPEN não partiu do zero, mas conferiu nova dimensão institucional às atividades que já vinham sendo desenvolvidas pelo setor de Proteção do Conhecimento do IPEN, que ficou responsável por acompanhar a propriedade intelectual gerada no Instituto e orientar os pesquisadores quanto à proteção dos resultados de suas estudos. Com o novo núcleo, essas ações passaram a ser articuladas de maneira mais sistemática ao licenciamento de tecnologias, à prospecção de parceiros e à aproximação com o setor produtivo. Em 2004, por exemplo, foram registradas cinco patentes no Instituto Nacional de Propriedade Privada (INPI) e firmados nove convênios de cooperação tecnológica, especialmente com entidades das áreas da saúde e da biotecnologia.
A inovação deixava, assim, de ser compreendida apenas como resultado da pesquisa científica e passava a envolver também a valorização, a proteção e a circulação social e econômica do conhecimento produzido no Instituto.
Referências:
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Informe anual IPEN 2004: ciência e tecnologia para o novo milênio. São Paulo: IPEN, 2004. Disponível em: Biblioteca Digital Memória da CNEN. Acesso em: 3 ago. 2026.
LINARDI, Marcelo (org.). O IPEN e a inovação tecnológica: passado, presente e futuro. São Paulo: SENAI-SP Editora, 2016.