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IPEN 70 ANOS: em 1999, Instituto recebe reconhecimento de qualidade

- Imagem 1: Selo de Qualidade IPEN/Radiofármacos. Fonte: Informe Anual IPEN, 1999. Disponível em: https://memoria.cnen.gov.br/manut/ImprimeRELUNI.asp?Ano=1999 Imagem 2: Atividade de capacitação no âmbito da ARCAL com a presença do Centro de Radiofarmácia do IPEN, em março de 1999. Fonte; Arquivo IPEN.
A certificação representou um avanço na padronização dos procedimentos e no aprimoramento dos produtos fornecidos pelo Instituto aos serviços de medicina nuclear. Naquele momento, o IPEN atendia mais de 300 hospitais e clínicas, e seus radiofármacos eram utilizados no atendimento de aproximadamente 1,5 milhão de pacientes (Folha de Londrina, 1999).
Além do Centro de Radiofarmácia (CR), diferentes setores do Instituto, como os seus laboratórios analíticos, buscavam o reconhecimento e a certificação. O Serviço de Proteção Radiológica, por exemplo, participou de encontros no âmbito do ARCAL realizados em 1999 sob o tema “Qualidade nos Laboratórios Analíticos”. O objetivo era elaborar o Manual de Garantia da Qualidade para credenciamento segundo a Norma ISSO Guide 25.
O Acordo Regional de Cooperação para a Promoção da Ciência e Tecnologia Nucleares na América Latina e no Caribe (ARCAL) é um mecanismo de cooperação vinculado à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) voltado à promoção da ciência nuclear pacífica, ao desenvolvimento social e ao intercâmbio e troca de tecnologia entre países da região. Embora o acordo tenha sido promulgado no Brasil somente em setembro de 2006, por meio do Decreto n. 5885, seu texto foi adotado em Viena em 1998 a partir da iniciativa, poucos anos antes, de alguns países latino-americanos e caribenhos. Seus projetos abrangem áreas como saúde, segurança alimentar, meio ambiente, energia e aplicações das radiações.
Em março de 1999, o Centro de Radiofarmácia também participou de uma reunião no âmbito do ARCAL sob o tema “Harmonização das normas de garantia de qualidade em Radiofarmácia” para fortalecer a organização de suas atividades até o ano 2000. No encontro estiveram presentes representantes de vários países da América Latina.
Entre os objetivos permanentes definidos pelo IPEN no final daquela década estava o de “gerar produtos e serviços, principalmente utilizando as técnicas nucleares, objetivando o interesse público”. Em consonância com essa diretriz, o Instituto iniciou, em agosto de 1999, o curso de Mestrado Profissionalizante em Laser em Odontologia, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), cuja primeira turma reuniu 25 alunos. As aplicações médicas nessa área eram desenvolvidas em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas e a Faculdade de Odontologia da USP.
O IPEN buscava ampliar o alcance de sua missão. No Informe Anual de 1999, o Instituto registrou suas macro perspectivas para o século 21 organizadas nos diferentes campos de atuação:
Na área de saúde e biotecnologia, previa-se o crescimento anual de 10% da produção de radiofármacos, a nacionalização parcial de sua fabricação, o registro dos produtos junto aos órgãos oficiais de saúde e a criação de um Centro Avançado de Radiações, em parceria com a Faculdade de Medicina da USP.
Para os setores de indústria, materiais e meio ambiente, estavam previstas a implantação do Centro de Tecnologia das Irradiações, a instalação de um irradiador multipropósito de cobalto-60 e aquisição de um acelerador linear de elétrons de 10 Mev destinado, entre outras finalidades, aos estudos de radiação de alimentos.
No campo dos reatores nucleares e do ciclo do combustível, os planos incluíam a conclusão do Centro de Desenvolvimento de Combustíveis Nucleares, a fabricação de elementos combustíveis de alta concentração para a operação do IEA-R1 e a modernização do primeiro reator nuclear de pesquisa do Brasil.
Na área de radioproteção, além da busca pela certificação das instalações radioativas e nucleares do Instituto, pretendia-se aperfeiçoar o programa institucional de proteção radiológica radioproteção. Já as ações relacionadas à qualidade, à formação de recursos humanos e à gestão, abrangiam o fortalecimento dos programas de qualidade e de ensino, a ampliação do faturamento dos serviços prestados pelo IPEN, a continuidade da modernização de sua infraestrutura, o desenvolvimento das pesquisas e a participação no CIETEC e em outros programas alinhados à missão da entidade.
Ao longo do século 21, muitas dessas perspectivas seriam concretizadas, embora submetidas a ajustes, reformulações, mudanças de prioridades, além das condições contextuais nacionais e internacionais no campo da energia nuclear.
Referências:
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR; INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Informe anual 1999. São Paulo: CNEN/IPEN, 1999. Disponível em: https://memoria.cnen.gov.br/manut/ImprimeRELUNI.asp?Ano=1998. Acesso em: 29 jul. 2026.
GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
John, Liana. Centro de Radiofarmácia do IPEN obtém certificação ISO 9002. Folha de Londrina, 01 set. 1999.