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IPEN 70 ANOS: em 1990, IPEN abre as portas para se aproximar da comunidade

O IPEN ingressou na década de 1990 buscando ampliar sua integração com o setor produtivo e estreitar as relações com a sociedade. Ao mesmo tempo que preservava sua atuação nas áreas de pesquisa, inovação tecnológica e ensino, o Instituto procurava rever seu modelo de gestão, estabelecer novas parcerias e ampliar a captação de recursos. E, também, aproximar o Instituto da comunidade.
Nesse sentido, em 1990, o IPEN promoveu uma iniciativa para se inserir de forma mais próxima na comunidade. Familiares de servidores e colaboradores, assim como representantes de entidades localizadas nas proximidades, foram convidados a conhecer as instalações e atividades da instituição. Batizado de Open House, o evento reunia exposições científicas interativas, atividades esportivas e ações de prevenção e promoção da saúde, entre elas as voltadas à saúde bucal.
Essa aproximação ocorria em um período difícil para as instituições públicas brasileiras, especialmente no que dizia respeito aos recursos humanos. Entre 1990 e 1992, o contexto governamental na esfera federal foi marcado pela extinção e reorganização de órgãos públicos, pela declaração de cargos considerados desnecessários e pela colocação de servidores de carreira em disponibilidade, ações realizadas em nome de um plano de cortes de gastos. No IPEN, segundo o estudo da pesquisadora Ana Maria Gordon, 30 servidores das áreas técnica e administrativa foram desligados.
Entre a população brasileira, por sua vez, crescia o interesse por informações sobre a energia nuclear. O grave acidente de Chernobyl, ocorrido em abril de 1986, continuava a alimentar preocupações quanto aos riscos representados pelas usinas e pelos reatores atômicos. No Brasil, o processo de redemocratização fortalecia as reivindicações por maior transparência em todos os setores públicos. Tornava-se necessário apresentar à sociedade não apenas os riscos envolvidos nas atividades nucleares, mas também seus benefícios para a saúde, a indústria, a agricultura e a produção de energia.
Na área da inovação tecnológica, o IPEN ampliava as aplicações da radiação no setor agrícola e na conservação de alimentos. A irradiação contribui para controlar microrganismos e pragas e prolongar a vida útil de determinados produtos, sem torná-los radioativos.
Além disso, o IPEN dava continuidade às atividades relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. Utilizando suas usinas piloto, produziu cerca de 20 toneladas de hexafluoreto de urânio (UF₆) destinadas às instalações de enriquecimento isotópico do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTM-SP) e das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB).
Na área da saúde, o Instituto prosseguia com a diversificação dos radioisótopos e com o desenvolvimento de novos estudos na área da radioterapia. Um deles, por exemplo, possibilitou, nesse período, o domínio de tecnologias de produção de fontes utilizadas na braquiterapia, como fios de irídio-192 e sementes de iodo. Como isso, segundo Rostelato (2017), a técnica ajuda a concentrar a radiação nas proximidades do tumor, reduzindo a exposição dos tecidos sadios.
O meio ambiente também se consolidava como uma pauta institucional. Em 1990, pesquisadores do Instituto apresentaram trabalhos relacionados à monitoração dos efluentes radioativos e ao controle das descargas produzidas pelas instalações nucleares. Essas ações indicavam que a proteção ambiental passaria a ocupar um lugar cada vez mais permanente na atuação e na missão do IPEN.
Referências:
Edições da revista Órbita: ano I, n. 1, nov./dez. 2000; ano I, n. 3, mar./abr. 2001.
GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
GORDON, Ana Maria Pinho Leite; JACOMINO, Vanusa Maria Feliciano. Estudo de um sistema de amostragem de ar para o reator IEA-R1. In: CONGRESSO GERAL DE ENERGIA NUCLEAR, 3., 1990. Comissão Nacional de Energia Nuclear; Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1990. Disponível em: https://repositorio.ipen.br/server/api/core/bitstreams/ef8774e4-71ba-4e3a-b433-5c08c7bc874f/content.
ROSTELATO, MARIA E.C.M. Fontes radioativas para braquiterapia, produção brasileira. In: ANAIS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BIOCIENCIAS NUCLEARES, 09-11 de outubro, 2017, São Paulo, SP. <b>Resumo...</b> Rio de Janeiro, RJ: Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares, 2017. p. 16-17. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/handle/123456789/28811.
