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IPEN 70 ANOS: em 1979, estrutura muda, e nasce o IPEN
O Decreto n. 13.427, de 16 de março de 1979, criou a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Como o novo órgão público passou a ser responsável pela gestão da infraestrutura científica do estado, incluindo a supervisão, o fomento às atividades e o desenvolvimento tecnológico, o Instituto de Energia Atômica foi incorporado à nova estrutura administrativa e teve sua denominação alterada para Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).
A mudança do nome, de IEA para IPEN, refletia mais do que uma simples alteração administrativa. Em seu artigo 2º, o decreto estabelecia como competência da nova secretaria estimular a pesquisa científica e tecnológica, bem como promover aplicações pacíficas da energia nuclear. Essa diretriz conectava-se diretamente às atividades desenvolvidas pelo Instituto, cuja atuação já ultrapassava a pesquisa em energia nuclear e abrangia diferentes áreas das tecnologias energéticas, a exemplo das células a combustíveis, que marcarão o século 20 do IPEN.
Na condição de autarquia estadual vinculada à USP desde 1970, o IPEN passou a ocupar uma posição estratégica no desenvolvimento de alternativas para o setor energético do país. Em plena crise mundial do abastecimento de petróleo, a energia nuclear consolidou-se como tema de interesse não apenas para o avanço científico e tecnológico, mas também para as políticas públicas de investimento.
Foi nesse cenário complexo que, em março de 1979, teve início o chamado Programa Nuclear Paralelo, conduzido pela Presidência da República em coordenação com o Serviço Nacional de Informações (SNI), o Conselho de Segurança Nacional (CSN), o Ministério da Marinha, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o IPEN e a Coordenadoria de Projetos especiais da Marinha (Copesp).
Desenvolvido sob total sigilo, o Programa concentrou esforços no domínio da tecnologia de ultracentrifugação para o enriquecimento de urânio. Com a redemocratização e a maior abertura das informações sobre o setor nuclear, seus resultados passaram a ser incorporados ao programa nuclear oficial brasileiro. Com efeito, em 1987 o presidente José Sarney anunciou que o Brasil havia dominado a tecnologia de enriquecimento de urânio, destacando esse avanço como um passo importante para a soberania e para a competitividade do país no cenário internacional - naquele momento, a Argentina também desenvolvia seu próprio programa nuclear, o que conferia dimensão regional às iniciativas brasileiras.
Referências:
SÃO PAULO (Estado). Diário Oficial do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 16 mar. 1979. Suplemento, p. 73. Disponível em: http://dobuscadireta.imprensaoficial.com.br/default.aspx?DataPublicacao=19790316&Caderno=Suplemento&NumeroPagina=72. Acesso em: 16 jul. 2026
KURAMOTO, Renato Yoichi Ribeiro; APPOLONI, Carlos Roberto. Uma breve história da política nuclear brasileira. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Florianópolis, v. 19, n. 3, p. 379–392, dez. 2002. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6612. Acesso em: 16 jul. 2026.

