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Presença feminina fortalece a trajetória da CNEN
Alinhada à política de valorização da mulher no serviço público, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) registra participação crescente de profissionais mulheres. Atualmente, representam 41% da força de trabalho. Elas atuam na sede e em unidades como o CDTN (55), IEN (28), IPEN (127), CRCN-NE (25) e CRCN-CO (6). No último concurso, das 100 vagas abertas, 38 foram preenchidas por mulheres.
Nas funções de confiança, ocupam 73 cargos de chefia, incluindo duas posições estratégicas: a direção do CDTN/CNEN, em Belo Horizonte, e do IPEN/CNEN, em São Paulo. Entregam resultados e enfrentam desafios em outras assessorias e áreas estratégicas, como chefias das áreas de proteção radiológica, ensino, rejeitos, administrativa e muitas outras.
A diretora do IPEN/CNEN, Isolda Costa, pesquisadora e servidora de carreira no órgão, ressalta que o papel feminino na instituição tem se ampliado de forma consistente. Acrescenta que “em relação ao papel da mulher, posso falar pelo IPEN que tem aumentado. Nós hoje temos metade das chefias integrada por mulheres. Nas gerências nós temos quase 50%, então há uma valorização da mulher nos cargos de chefia no Instituto. No último concurso que tivemos, vemos também a absorção de muitas mulheres. É muito importante a participação da mulher na ciência”. Anualmente é realizado um evento de promoção de mulheres nas carreiras científicas especialmente dedicado a estudantes de escolas públicas. Este ano está programado para maio.
O CRCN-NE/CNEN também incentiva o programa Futuras Cientistas, do Cetene e MCTI, com apoio de todo seu corpo técnico e tendo a pesquisadora Vivianne Bormann recepcionando as estudantes. O objetivo é também promover maior inserção feminina no cenário científico nacional.
Amenônia Maria Ferreira Pinto tomou posse como a primeira mulher a assumir a direção do CDTN/CNEN, na ocasião em que o Centro completou 72 anos de fundação, em 2024. A gestora da unidade técnico-científica, também servidora de carreira, destacou na ocasião a importância da abertura de um novo capítulo de liderança e inovação. "Atualmente a porcentagem de mulheres no Brasil já é ligeiramente maior do que a porcentagem de homens, esta realidade é percebida nas salas de aulas, nos postos de trabalho incluindo aqueles que dificilmente eram reconhecidamente, até poucos anos atras. O lugar das mulheres aos poucos foi sendo questionado pelas próprias interessadas, e elas foram ocupando os lugares reservados aos homens", acrescentou
Amenônia destaca que na CNEN este processo não foi diferente. "Hoje no quadro geral de servidores somos 30% força de trabalho feminina na CNEN, muito pouco ainda, mas representa a conquista deste papel de destaque, de liderança e de competência técnica. Na pesquisa, o espírito crítico, analítico, a criatividade e a curiosidade, entre outras aptidões, não possuem gênero e permitem a livre concorrência entre ambos os sexos. A igualdade na concorrência técnica através nos nossos editais permite que a CNEN seja mais plural. Eu vejo a CNEN como uma Instituição cada vez mais preparada para receber as mulheres na sua força de trabalho e valorizando sempre o talento feminino".
Novas gerações
A economista Maria Salete Alves Queiros, recém nomeada no último concurso público para um cargo no Escritório em Brasília, explica sua escolha pela CNEN. “O que me atraiu principalmente é justamente a importância estratégica que a instituição tem para o país. É uma área altamente técnica e tem um impacto social muito grande.”
Na mesma linha, a servidora Ana Flavia Martins de Lima, concursada para a sede, reforça o papel das mulheres na inovação e na gestão pública.
“Eu buscava uma carreira na qual meus títulos de mestrado e doutorado fossem valorizados para além da Academia. Atualmente estou alocada na Coordenação de Planejamento, Orçamento e Avaliação, onde eu posso participar dos processos de elaboração de políticas públicas no setor nuclear, o que para mim é motivo de grande satisfação e alegria.”
A presença feminina também se destaca em funções de apoio. Divina Paula Silva de Sousa, auxiliar de serviços gerais no CRCN-CO, em Abadia de Goiás, acumula 26 anos de dedicação. “Eu amo trabalhar aqui. São 26 anos de uma experiência maravilhosa, de convivência, de aprendizado, de amizade. O tratamento aqui é construtivo e caloroso". Em relação ao Dia Internacional da Mulher, afirmou desejar felicidade e realizações para todas as mulheres.
Memória e protagonismo
A trajetória das mulheres na CNEN também é marcada por momentos decisivos. Clédola Cássia, tecnologista do CDTN/CNEN, relembra sua atuação no acidente com o césio-137, em Goiânia. "Na ocasião, em 1987, eu tinha 35 anos, com dois filhos, Rafael e Marina, de 5 e 6 anos. Nosso grupo de mulheres contribuiu decisivamente para descontaminar Goiânia. Foi um trabalho difícil, mas sabíamos que tecnicamente éramos competentes para ajudar".
“Quando a CNEN tomou conhecimento do que tinha acontecido em Goiânia com a cápsula de césio-137, a instituição montou uma equipe de trabalho, juntamente com todas as empresas e instituições que atuavam na área nuclear na ocasião, juntando-se com as forças governamentais, que foram Defesa Civil, Exército e o governo do Estado de Goiás", relembra Clédola.
Clédola é coordenadora técnica do projeto CENTENA, o Centro Tecnológico Nuclear Ambiental que trará uma solução tecnológica e sustentável para os rejeitos radioativos no país e, vale evidenciar, busca fortalece o papel das mulheres na ciência nuclear. “Estamos formando novas pesquisadoras e ampliando a participação feminina na área.”
Trajetória e confiança no futuro
Com 38 anos de trabalho na CNEN, Valéria Pastura, chefe da Divisão de Ensino do IEN/CNEN, reforça a tradição da presença feminina na instituição. Ela também é uma das profissionais que trabalhou na resposta ao acidente radiológico com o césio-137 e carrega muito aprendizado pela trajetória. Considera que foi uma experiência imensa, do ponto de vista pessoal.
“Já atuei em comunicação, proteção radiológica e participei da criação de setores estratégicos. Em todas as áreas sempre houve participação significativa de mulheres. Há incentivo à participação em cursos e congressos; vejo a instituição dando muito apoio à qualificação de suas profissionais. Podemos observar que praticamente 70% das bolsas no IEN/CNEN são ocupadas por mulheres”. Uma grata surpresa que relata é a homenagem recente que recebeu durante a Semana da Engenharia Nuclear na UFRJ.
Para o presidente da autarquia, Francisco Rondinelli, a presença feminina em posições importantes para a gestão, para a pesquisa, para o desenvolvimento, inovação e ensino imprimem ritmo e vigor à instituição. “A trajetória das mulheres na CNEN mostra não apenas competência técnica, mas também compromisso com a inovação e o fortalecimento da ciência nuclear no Brasil”, ressalta.
"A todas as mulheres, servidoras, colaboradoras que compõem a força de trabalho da CNEN hoje e as que já fizeram parte da autarquia, estando hoje aposentadas ou em alguma outra área de atuação, um sincero agradecimento por parte da Direção da Instituição, neste dia reservado a homenagear aquelas que caminham junto com nossa Autarquia, sempre com dedicação, cuidado, esmero e atenção, a fim de cumprirmos, plenamente, nossas responsabilidades perante a sociedade".
Fonte: CNEN