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Seminário sobre o sistema de reúso de águas cinzas “SIRIEMA” acontece no INSA em 31 de março
No próximo 31 de março, o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI), em Campina Grande (PB), sediará o 1º Seminário do Projeto SIRIEMA – Sistema de Reúso de Águas e Manejo Agroecológico, iniciativa que reúne organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e famílias agricultoras no desenvolvimento de soluções seguras para o reúso de águas cinzas no Semiárido brasileiro.
O seminário terá como principal objetivo a celebração da assinatura do Acordo entre as 08 organizações parceiras que conceberam e desenvolveram a tecnologia de reúso de águas cinzas. Esse Acordo, inédito no âmbito do INSA, da UFRPE, da WTT e das organizações da ASA Paraíba, formaliza o consenso de que a tecnologia será disseminada em diálogo com os princípios das tecnologias sociais. Na ocasião, as organizações apresentarão os aprendizados vividos nos quatro anos de pesquisa colaborativa, e conduzirão debates sobre os próximos passos da disseminação da tecnologia em novos territórios da Paraíba e do Semiárido.
Tecnologia social certificada
Recentemente, o Sistema de Reúso de Água e Manejo Agroecológico (SIRIEMA) recebeu a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, reconhecimento concedido a iniciativas reaplicáveis que oferecem soluções efetivas para desafios sociais e ambientais.
A certificação reforça o potencial da tecnologia para ser replicada em diferentes contextos do Semiárido, ampliando seu impacto na segurança hídrica, no saneamento rural e na produção agroecológica das famílias agricultoras.
Uma tecnologia construída com quem vive no Semiárido
O SIRIEMA é um sistema que trata águas cinzas domésticas, provenientes de pias, chuveiros e lavanderias, para reutilização na produção agroecológica, contribuindo para reduzir o desperdício de água e fortalecer a convivência com o Semiárido.
A tecnologia utiliza um processo de dupla filtração, incluindo um filtro anaeróbio que contribui para reduzir a presença de bactérias durante o tratamento da água. Esse aprimoramento é resultado de um processo contínuo de pesquisa e experimentação conduzido em parceria entre organizações sociais, universidades e comunidades rurais.
Entre as instituições envolvidas estão WTT (World-Transforming Technologies), INSA/MCTI, UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco – campus Serra Talhada) e diversas organizações da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), como AS-PTA, CENTRAC, PATAC, Polo da Borborema, FOLIA e Coletivo.
Pesquisa participativa no território
Um dos diferenciais do projeto é a metodologia de pesquisa participativa, na qual as famílias agricultoras têm papel central no desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia.
Até o momento, nove famílias de três municípios do Semiárido paraibano, Campina Grande, Boa Vista e Esperança, participaram da instalação experimental dos sistemas em suas propriedades, acompanhando o funcionamento cotidiano e contribuindo com observações sobre manejo, funcionamento e possíveis melhorias.
Esse acompanhamento direto permite identificar desafios, testar adaptações e gerar conhecimentos que fortalecem o desenvolvimento da tecnologia.
Resultados promissores e aprendizados em curso
As primeiras análises realizadas ao longo do monitoramento indicam resultados promissores na melhoria da qualidade sanitária da água cinza, ampliando as possibilidades de uso para irrigação de sistemas produtivos agroecológicos.
Durante a pesquisa, centenas de amostras de água tratada foram analisadas para avaliar parâmetros físico-químicos e microbiológicos. Os resultados mostram avanços importantes, mas também indicam a necessidade de monitoramento contínuo, já que fatores como o manejo do sistema e a qualidade da água inicial podem influenciar diretamente os resultados.
Além disso, a experiência tem revelado benefícios percebidos pelas próprias famílias agricultoras, que relatam melhorias no desenvolvimento das plantas e na manutenção de quintais produtivos mais verdes e diversificados, graças aos nutrientes presentes na água reutilizada.
Plano de continuidade para expansão da tecnologia
Os aprendizados acumulados ao longo da pesquisa também deram origem ao Plano de Continuidade do Projeto SIRIEMA, que propõe diretrizes para ampliar a disseminação da tecnologia no Semiárido.
O plano organiza uma agenda de ação baseada em cinco eixos principais:
- fortalecimento das assessorias técnicas territoriais;
- aprimoramento do monitoramento sanitário participativo;
- formação continuada com enfoque popular e agroecológico;
- incidência política para consolidação de políticas públicas;
- produção e circulação de materiais educativos.
A expectativa é que o SIRIEMA possa se tornar referência para políticas públicas de saneamento rural, segurança hídrica e fortalecimento da agricultura familiar.
Próxima etapa: encontro no INSA
O encontro do dia 31 de março, no INSA, representa mais um passo nesse processo coletivo de construção de conhecimento.
A atividade reunirá organizações parceiras, pesquisadores e famílias agricultoras para apresentar os avanços recentes do projeto, discutir os desafios ainda presentes e fortalecer as articulações necessárias para ampliar a tecnologia em novos territórios.
Mais do que uma inovação técnica, o SIRIEMA demonstra como redes de colaboração entre ciência, organizações sociais e comunidades rurais podem gerar soluções concretas para a convivência com o Semiárido e para a promoção da justiça hídrica.
O evento será transmitido pelo canal do INSA no YouTube.