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Sistema de reúso de águas cinzas leva água limpa, saúde e sustentabilidade para o campo
INSA recebe agricultores e representantes de entidades parceiras para o 1º Seminário do Projeto SIRIEMA
Foto: Victor Lima (Ascom/INSA)
O Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI) sediou, na última terça-feira (31), o 1º Seminário do Siriema (Sistema de Reúso de Águas e Manejo Agroecológico), evento que marca a assinatura de um acordo entre as dez organizações que conceberam e vêm utilizando a tecnologia de reúso de águas cinzas. A solenidade aconteceu no auditório Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque e contou com a participação de representantes de instituições do setor público e privado, organizações da sociedade civil e de famílias agricultoras do semiárido brasileiro.
O acordo sela o compromisso entre as entidades parceiras de difundir o Siriema como uma tecnologia social, isto é, uma iniciativa regida pelos princípios da participação comunitária, da replicação, do conhecimento aberto (livre) e da educação popular. O Siriema vem sendo desenvolvido desde 2021 a partir de uma parceria de membros do INSA, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da World Transforming Technologies (WTT) e de organizações da ASA Paraíba com agricultores da região. Desde a sua concepção, o sistema tem como objetivo fazer o tratamento das águas cinzas das residências - aquelas provenientes de pias, chuveiros e tanques – para reutilizá-las na irrigação de quintais produtivos. A iniciativa é concebida em diálogo com os princípios da agroecologia, da saúde coletiva e em conformidade com os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para uso da água na agricultura.
Atualmente, o Siriema trata as águas cinzas para uso restrito na irrigação de plantas frutíferas. Os pesquisadores responsáveis pela tecnologia vêm aperfeiçoando o sistema para viabilizar o uso irrestrito dessa água, ampliando as possibilidades de aproveitamento tanto para fins domésticos quanto para a agricultura familiar, um passo estratégico para a convivência com as condições ambientais da região semiárida.
A programação do evento contemplou a apresentação detalhada do Siriema, seguida de depoimentos de famílias agricultoras beneficiárias da tecnologia e de representantes das organizações que integram a iniciativa. As falas destacaram o impacto concreto do sistema nas comunidades atendidas e reforçaram a importância da participação ativa das famílias no desenvolvimento, na apropriação e no aperfeiçoamento da tecnologia.
Uma das beneficiárias do Siriema, a agricultora Justina Maria Marques, moradora do Quilombo Santa Rosa, em Boa Vista (PB), relatou aos presentes a sua experiência com o sistema. “Eu tenho 62 anos e, desde criança, eu sei o que é a luta por água. Na nossa região, a água é muito pouca. Só sabe quem passa. Antes de receber o Siriema, nós chegamos a usar o sistema Bioágua, que era interessante, mas muito trabalhoso para manter no dia a dia. Desde que o Siriema chegou, eu e meu companheiro mantemos quintais produtivos, frutíferas, planas nativas e até criação de animais. É excelente. Eu queria que toda família quisesse e lutasse por esse sistema, porque ele vale muito a pena”, afirmou a agricultora.
O seminário também abriu espaço para debate sobre as iniciativas de reúso de água em curso no semiárido e as perspectivas para os próximos anos, consolidando o evento como um espaço de troca entre ciência, política e experiência comunitária.