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Na abertura do SNBU, diretor do Ibict destaca papel central dos bibliotecários na gestão da informação
A 23ª edição do Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) teve sua cerimônia de abertura realizada em 17 de novembro, em São Paulo, sob o tema "Ciência Aberta: realidade (im)possível?". O evento, que se estende até o dia 20, é organizado pela Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da USP e pela FEBAB (Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições), com o objetivo de promover o debate sobre temas essenciais da Biblioteconomia e Ciência da Informação, incluindo a relação da Ciência Aberta com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A cerimônia de abertura reuniu importantes lideranças do setor. A mesa foi composta por Paulo Martins (presidente da ABCD/USP); Leandro Baptista (EBSCO Information Services); Tiago Braga (diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Ibict); Hamilton Oliveira (representante do Conselho Federal de Biblioteconomia - CFB); Adriana Cybèle Ferrari (chefe-técnica da Biblioteca Florestan Fernandes - FFLCH/USP e vice-presidente da FEBAB); Jorge Moisés Kroll do Prado (presidente da FEBAB); e Vera Stefanu (Presidente do Sindicato dos Bibliotecários da Cidade de São Paulo).
Na mesa de abertura, o diretor do Ibict, Tiago Braga, ressaltou a ligação histórica e central do instituto com a área. Braga relembrou que o Ibict, única unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) focada em informação, foi fundado em 1951 como IBBD, a partir de um chamado da UNESCO, e inicialmente liderado por uma bibliotecária, Lídia Sambaqui.
“O Ibict nasceu da compreensão bibliotecária do mundo. Nasceu para atuar no apoio às bibliotecas e nas mãos de uma bibliotecária,” destacou Braga. Ele enfatizou que a escolha da Ciência Aberta como tema pela FEBAB é "mais do que justa", pois é a comunidade bibliotecária que pode "contribuir com essa discussão."
Braga destaca o compromisso do Ibict com a Ciência Aberta, citando projetos como o Portal Brasileiro de Publicações e Dados Científicos em Acesso Aberto (Oasisbr), que representa a maior biblioteca digital nacional de teses e dissertações do mundo; o identificador persistente dARK (Decentralized Archival Resource Key), um identificador que permite que documentos sejam mapeados e sejam ligados a um endereço que é composto por rede; e a Nice, um projeto de Inteligência Artificial generativa que possibilita a troca de ideias com importantes pesquisadores e cientistas brasileiros, os Notáveis da Ciência.
"Temos investido na Ciência Aberta porque compreendemos que a informação é a matéria-prima necessária para o desenvolvimento da sociedade em suas dimensões econômica, social e ambiental. Essa perspectiva da informação enquanto matéria-prima é um chamado à ação para a comunidade bibliotecária”, afirma Braga.
Por fim, o diretor identifica três grandes desafios contemporâneos para a comunidade bibliotecária e informacional: garantir a integridade da informação, pautar o funcionamento das Inteligências Artificiais (IA) e assegurar a soberania informacional do país, concluindo que a biblioteca é um ponto central de transformação social.
Braga concluiu que a comunidade bibliotecária e os profissionais da informação são os agentes cruciais e mais capazes de resolver esses desafios. Em sua visão, esses profissionais estão preparados para lidar com o desafio da integridade da informação, pois trabalham com a confiabilidade e a procedência de documentos. Em relação à Inteligência Artificial (IA), a função do bibliotecário vai além do simples uso, cabendo a eles pautar seu funcionamento, além de treiná-la e programá-la, garantindo que não haja vieses ou preconceitos incorporados. Por fim, ao abordar o desafio da soberania informacional, Braga enfatizou que cabe aos profissionais estabelecer as bases para que as informações estejam disponíveis para o bem e o desenvolvimento da sociedade, ligando esse princípio à Ciência aberta, ao software livre e ao acesso aberto. O diretor finalizou ressaltando a importância central das bibliotecas: “A biblioteca é o ponto central da transformação da sociedade”, ressalta.
O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) segue com programação até o dia 20. O Ibict marca forte presença no evento com a apresentação de trabalhos científicos, palestras e rodas de conversa de seus pesquisadores. Além disso, o instituto mantém um estande institucional, que serve como ponto de encontro com o público, oferecendo informações sobre produtos, serviços e projetos desenvolvidos. A programação do estande também inclui sorteio de brindes, jogos, dinâmicas e lançamentos de livros.