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CTI Renato Archer integra projeto para desenvolver IA capaz de prever desastres climáticos

- Fernanda Mendes (INPE), Marilyn Ibanez, Ricardo Bonacin (CTI), Paulo Nobre (INPE), Gilson Shimizu, Matheus Bernardelli, Márcio Sant'Ana e Erica Dias (CTI), em reunião sobre o SIPEC no CTI Renato Archer.
O Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer agora faz parte do Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos (SIPEC), uma rede formada por diversas instituições com o objetivo de desenvolver um sistema de alta confiabilidade para prever eventos extremos com até 12 meses de antecedência.
O convite partiu do meteorologista Paulo Nobre, coordenador do projeto e servidor da instituição-matriz do SIPEC: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Unidade de Pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Acompanhado da colega Fernanda Mendes, Nobre esteve no CTI no dia 31 de março para discutir detalhes da parceria.
A Divisão de Metodologias da Computação (DIMEC) do CTI fica responsável pelo desenvolvimento de Inteligência Artificial capaz de analisar imagens de satélite e dados meteorológicos e oceanográficos gerados pelo INPE e pelas demais organizações parceiras – entre elas, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Universidade de São Paulo (USP).
É um montante impressionante de dados, alguns dos quais vêm sendo coletados regularmente há mais de um século. Dessa montanha de informações, a IA será capaz de identificar padrões de modelos numéricos que podem levar a uma detecção mais acurada de fenômenos climáticos. “É possível que sejam identificado padrões novos, jamais sistematizados”, acredita o chefe da DIMEC, Rodrigo Bonacin.
Com a interpretação dos meteorologistas do INPE, será possível calcular a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos com um ano de antecedência, possibilitando ações de prevenção a desastres ambientais – evacuações, construção de barreiras e sistemas de escoamento e preparação do sistema de saúde, entre outras.
Uma das grandes vantagens do Sistema é a forma como combina abrangência – ele cobre todo o território nacional – com dados regionalizados, para previsões com alto grau de precisão. “Isso só é possível graças ao trabalho colaborativo entre instituições e ministérios diversos, todos atuando em prol do País”, afirma Marilyn Ibanez, pesquisadora do CTI.
O SIPEC é um dos projetos estratégicos do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), e contará com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), dentre outras instituições. A proposta inicial é que ele tenha uma duração de 48 meses, com possibilidade de prorrogação.
O CTI Renato Archer entra no SIPEC na condição de “núcleo”, o que significa que ele é uma das instituições com maior responsabilidade jurídica e com mais possibilidades de receber recursos para pesquisa, contratação de bolsistas e viagens para participação em eventos, capacitações e reuniões. A centralidade do CTI no Sistema é reflexo da relação de confiança estabelecida entre a instituição e o INPE. Desde janeiro, o CTI também integra o Sistema de Monitoramento de Óleo no Mar (SisMOM), programa do INPE que segue em desenvolvimento, agora como parte do SIPEC.