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Luzes intensas da última aurora boreal têm relação com intensificação de atividade solar

Publicado em 15/10/2021 17h08
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Na noite do dia 11 de outubro, um verdadeiro show de luzes foi provocado pela aurora boreal. A tempestade solar massiva que gerou o evento foi tão intensa que o fenômeno pôde ser visto em diversos países do hemisfério norte, como Canadá, Estados Unidos e alguns países na Europa. 

Aurora vista da Estação Espacial Internacional em 11 de outubro. Crédito da imagem: NASA

Além disso, a localização da explosão solar que originou a aurora favoreceu a visualização das luzes esverdeadas: ela estava posicionada centralmente no lado voltado para a Terra da esfera solar.

De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA, o fenômeno foi categorizado como G2, ou seja, moderadamente forte.

O que provocou a tempestade solar foi uma ejeção de massa coronal (CME, na sigla em inglês) liberada pelo sol na madrugada do dia 9 de outubro. A CME é basicamente composta de plasma eletricamente carregado que, ao ser lançado para longe, pode atingir o campo magnético da Terra. Quando isso acontece, as partículas carregadas são direcionadas aos polos, liberando energia em forma de luzes coloridas, as auroras.

De acordo com o Dr. Eugênio Reis, mestre em Astronomia e doutor em Geofísica pelo ON, o Sol está no início de um novo ciclo, o que significa que sua atividade está ficando cada vez mais intensa.

“Essa aurora foi uma das mais intensas. O fato de o evento que desencadeou a aurora ter ocorrido “bem de frente” para Terra fez com ela recebesse um grande número de partículas vindas do Sol”, esclareceu.

Conforme explicou Eugênio, o Sol apresenta um ciclo com uma duração aproximada de 11 anos. Durante este ciclo, as atividades na superfície solar, incluindo as manchas solares, tempestades solares, ejeções de massa coronal, aumentam e diminuem gradualmente.

As variações são acompanhadas desde o século XVII, o que permitiu documentar até hoje 24 ciclos solares. Este monitoramento é feito pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) que afirma que o Sol já entrou no seu ciclo 25. 

“As manchas solares são regiões ativas na superfície do Sol onde os campos magnéticos são muito intensos. Sobre estas manchas, onde a temperatura atinge cerca de milhões de graus Celsius, podem ocorrer as explosões solares com ejeção de parte da Coroa Solar para o espaço”, descreveu Eugênio.

O astrônomo detalhou que essa ejeção é composta por partículas com cargas elétricas (elétrons e prótons) e, se a Terra estiver no caminho destas partículas, elas irão interagir com a atmosfera e o campo magnético terrestre, que nos protegem, absorvendo a radiação e desviando as partículas para as regiões polares.

Próximo às regiões polares, essas partículas interagem com os gases da atmosfera superior da Terra (cerca de 100 km de altitude) dando-lhes energia e excitando-os. Quando esses gases liberam a energia absorvida, o fazem emitindo as luzes que são vistas nas auroras.

Mas além do espetáculo luminoso, essa atividade mais intensa pode afetar mais seriamente a Terra. Segundo Eugênio, em fases de alta atividade, erupções violentas de partículas e radiação do Sol podem, na pior das hipóteses, causar danos a satélites, redes de comunicação e de transmissão de energia, ou mesmo colocar em perigo os astronautas em órbita da Terra, na Estação Espacial Internacional e na Estação Espacial Chinesa.

No que diz respeito à possibilidade de estarmos no período de máxima atividade solar, Eugênio observou que esse período só pode ser confirmado depois que ele passa, ou seja, a posteriori. Isso porque não existe um modelo que faça essa previsão com 100% de certeza.

“Então precisamos monitorar a atividade solar até termos certeza que ela está diminuindo. Nesse momento, podemos estabelecer uma data para o máximo. Sem dúvida estamos vivendo o início do Ciclo 25, que tem sido fraco até agora (e por isso o espanto com essa ejeção de massa coronal). O que podemos afirmar é que, baseado na série histórica do monitoramento, os especialistas preveem que o pico da atividade solar deve acontecer em torno de julho de 2025.”