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Péricles Gusmão Régis
Vítimas da Ditadura
Hoje, 05 de dezembro de 2025, Péricles Gusmão Régis faria 100 anos se não tivesse sido morto em função das torturas sofridas em maio de 1964.
Baiano, de Vitória da Conquista, Péricles cursou o primário e o ginasial, correspondentes ao ensino fundamental atual, e desde cedo começou a trabalhar. Em sua carteira de trabalho, emitida quando tinha 19 anos, consta a primeira profissão: alfaiate. Seus documentos seguintes o apresentam como comerciário, tendo trabalhado em fabricação de queijos e em uma transportadora de cargas, como gerente. Atuante desde jovem, Péricles se engaja na política institucional, candidatando-se a vereador pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR). Eleito, tornou-se líder da Câmara da cidade em 1963. Não sabia que tragicamente perderia sua vida um ano depois em função das suas posições políticas contra as desigualdades sociais. A ditadura tinha pouco mais de um mês, quando Péricles foi preso com outras 20 pessoas no 9º Batalhão de Polícia Militar de Vitória da Conquista, que estava sob controle de forças do exército brasileiro. Desde o dia 6 de maio foi submetido à uma série de interrogatórios, até ser levado, no dia 11 do mesmo mês, a um interrogatório de quase 20 horas. Deixado em uma cela sozinho e profundamente ferido e afetado pelas violências sofridas, foi encontrado morto. A versão oficial registra que Péricles Gusmão Régis teria se suicidado, entretanto, essa versão é contestada por familiares e por conselheiros da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. O laudo foi assinado por um oftalmologista que também estava preso sob as mesmas condições e acusações que Péricles.
Lembramos aqui o centenário de Péricles Gusmão Régis, em sua homenagem, de sua viúva e cinco filhos que carregaram sua memória e lutaram por justiça, como demonstram os documentos dos fundos da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e da Comissão Nacional da Verdade, presentes da base de dados do Memórias Reveladas.