Na teia do regime militar
O SNI e os órgãos de informação e repressão no Brasil 1964-1985.
Um dos pilares do novo regime foi o Serviço Nacional de Informações - SNI, planejado, logo após a deposição do presidente João Goulart, para ser um poderoso serviço secreto. A legislação que criou o SNI, em 13 de junho de 1964, autorizou o porte de armas de seus agentes, abertura de agências regionais, assinalando o fim de uma era da carência de quadros, recursos e poder, que havia marcado os antigos serviços secretos brasileiros. Dos quadros do SNI, saíram dois presidentes militares: o então coronel João Baptista Figueiredo, que comandou a Agência Central e o general Emílio Garrastazu Médici, que, em 1967, assumiu a chefia do SNI, substituindo o demitido Golbery do Couto e Silva.
Coube ao SNI realizar o esforço de criar um arquivo sobre os brasileiros, vigiando e armazenando informações sobre parlamentares, estudantes, religiosos, intelectuais, líderes sindicais, além de outros indivíduos considerados inimigos do regime. Seus arquivos continham informações produzidas por funcionários públicos das agências, espalhadas pelo território nacional, instaladas nas centenas de órgãos setoriais de informações organizados na administração pública, nos serviços secretos das Forças Armadas e nas instituições policiais. Os registros de suas bases de dados orientaram os agentes do Estado à execução de violações às liberdades e às garantias fundamentais dos cidadãos brasileiros e estrangeiros, indicando demissões, a não-admissão de concursados públicos, a não-emissão de passaportes ou negação da renovação de vistos, controlando e punindo os cidadãos no Brasil e no exterior, e indicando também a realização de prisões que resultaram em inúmeros casos de tortura, morte e desaparecimento de opositores.
São estes documentos, compostos por milhares de relatórios, pedidos de busca de informações, depoimentos de presos políticos, livros e fotografias tiradas no exercício da espionagem, entre outros registros, que foram recolhidos da Agência Brasileira de Inteligência - ABIN ao Arquivo Nacional, ficando sob a guarda de sua Coordenação Regional em Brasília, com a publicação do Decreto nº 5. 584, de 18 de novembro de 2005.
Esta exposição tem o objetivo de mostrar ao público um pouco deste rico acervo, que permaneceu por tantos anos interditado ao conhecimento da sociedade brasileira. Concebida em quatro módulos, esta exposição apresenta, em sua primeira seção, imagens da organização do maior serviço secreto que funcionou no país a serviço da ditadura militar; a estruturação de sua Agência Central; a formação de agentes e seu modo de funcionamento. O segundo módulo apresenta imagens do combate aos adversários do regime militar, em que se inclui a espionagem, a vigilância constante, as prisões, as invasões a aparelhos, a universidades e jornais, entre outras práticas repressivas. O terceiro e o quarto módulo revelam que os grupos de oposição ao regime não permaneceram passivos: difundiam seus ideais, protestaram publicamente, se reuniram e organizaram grupos de resistência até a formação de organizações cuja ação foi traduzida pela luta armada. Guerrilhas, assaltos e seqüestros de autoridades diplomáticas estrangeiras foram algumas das estratégias empregadas por estes militantes no enfrentamento ao regime vigente.
Vivien Ishaq
Curadora
Os arquivos do SNI formaram-se, inicialmente, com os dados dos arquivos do extinto Serviço Federal de Informações e Contra-informações (SFICI) e do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes).
O SFICI foi criado em 1958 e integrava o Conselho de Segurança Nacional. A partir de 1961, ficou sob a coordenação do então coronel do Exército Golbery do Couto e Silva, tendo como principal função identificar e espionar comunistas nas Forças Armadas. O arquivo do SCIFI era formado por milhares de fichas que relacionavam funcionários públicos, dirigentes sindicais, redatores de imprensa, signatários de manifestos políticos, entre outros.
Com a posse do presidente João Goulart, em setembro de 1961, Golbery deixou o SFICI e, alguns meses depois, passou a dirigir o Ipes, criado oficialmente para ser um centro de estudos reunindo técnicos, militares e empresários, com o objetivo de propor reformas para o país. Informalmente, o Ipes continuou a alimentar um banco de dados com informações estratégicas e realizou inúmeras ações de doutrinação anticomunista, como palestras, eventos culturais e publicação de livros e folhetos. Os empresários garantiam o funcionamento desse serviço secreto paralelo, destinando-lhe vultosos recursos. Do arquivo do Ipes foram transferidas para o futuro Serviço Nacional de Informações, criado logo após o golpe de 1964, as informações pessoais sobre centenas de cidadãos brasileiros.
De certo modo, a eficiência demonstrada pelo SNI deveu-se à obediência dos preceitos da hierarquia e da centralização sistêmica. O ministro-chefe do Serviço era, em geral (com exceção de Golbery), um general-de-exército; a Agência Central era comandada por um general-de-divisão e as agências regionais por um oficial superior (tenente-coronel ou coronel). Já os centros de informações das Forças Armadas eram chefiados por um general-de-brigada e os órgãos setoriais de informações instalados nos ministérios civis, como as Divisões de Segurança e Informações (DSI) e as Assessorias de Segurança e Informações (ASI), por um oficial superior. Assim, a cadeia de comando militar estava no cerne organizacional do SNI e de toda comunidade de informações. O órgão possuía a seguinte estrutura: Gabinete do Ministro, que ficava no Palácio do Planalto; Agência Central, sediada em Brasília; e agências regionais nos estados do AM, BA, CE, GO, MG, MS, PA, PR, PE, RS, RJ e SP. Ainda em sua estrutura, estavam a Secretaria de Administração e a Escola Nacional de Informações (EsNI).
Os agentes do SNI produziam relatórios com informações e avaliações sobre o governo e o setor público em geral, relatórios externos com dados diversos sobre "países antagônicos" e "países amigos", e os denominados "relatórios psicossociais" que analisavam o comportamento dos principais agentes e instituições da sociedade. Estavam nesse conjunto as igrejas, os sindicatos, as entidades estudantis, a imprensa, os movimentos sociais. Além destes documentos, o SNI ainda produzia, no âmbito do gabinete do seu ministro-chefe, as “Apreciações Sumárias”, documentos sintéticos, elaborados a partir de informações produzidas pela Agência Central, para serem lidos apenas pelo próprio chefe do SNI e pelo presidente da República. Uma das bases de dados do SNI, denominada Cadastro Nacional (Cada), era consultada pelos órgãos do governo, sendo utilizada para avaliação dos candidatos à admissão e promoção na administração pública. Muitas das punições impostas pelo regime militar decorreram destas informações ou recomendações elaboradas pelo órgão.
Em 15 de março de 1990, no primeiro dia do governo do presidente Fernando Collor, o SNI, um dos ícones da ditadura militar, foi extinto.

Escola Nacional de Informações (EsNI)
O SNI recrutava seus funcionários nos quadros do serviço público civil ou militar, e ainda podia contratar pessoal para realizar atividades de caráter temporário. Em 1972, foi criada a Escola Nacional de Informações (EsNI) que oferecia aos quadros do SNI e aos agentes de toda a comunidade de informações 25 tipos de estágio específicos para funcionários de nível médio e superior: analista, contra-espionagem, contra-informação, operações, análise da propaganda, segurança das comunicações, retrato falado etc. Resumo de aula feito por professor da EsNI. Brasília, 1987.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 Série Administração Geral, caixa 14, pasta 9

Atentado a bomba à sucursal do jornal Em Tempo
Atentado a bomba à sucursal do jornal Em Tempo, realizado pelo Movimento Anticomunista (MAC) e Grupo Anticomunista. Belo Horizonte, 18 de agosto de 1978.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A009075

Automóveis de funcionários do Banco Central monitorados pelo SNI
Automóveis de funcionários do Banco Central monitorados pelo SNI por terem ligações com organizações de esquerda. Brasília, 9 de dezembro de 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A048298

Capa do COOJORNAL
Durante o governo Geisel (1974-1979), o general João Figueiredo assumiu a chefia do SNI. Nesse período, o número de pessoas envolvidas diretamente na atividade da repressão e espionagem atingiu o patamar aproximado de 4.500 pessoas, somados os agentes do SNI e das DSI. Em 1982, durante o último governo militar (1979-1985), seis mil pessoas integravam o SNI, e, destes, 732 funcionários trabalhavam na Agência Central, segundo registra o quadro de lotação de pessoal da Agência Central. Capa do COOJORNAL. Porto Alegre, maio de 1977.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A104199

Declaração de arrependimento
Trechos de “declaração de arrependimento” de preso político. Paraná, 1970.
Arquivo Nacional, Divisão de Inteligência da Polícia Federal, ZD caixa 32-A

Declarações prestadas pelos presos políticos
De modo geral, as declarações prestadas pelos presos políticos traziam um resumo dos objetivos e estrutura de funcionamento da organização da qual fazia parte. Trecho de declaração de preso político. Paraná, 1971.
Arquivo Nacional, Divisão de Inteligência da Polícia Federal, ZD caixa 32-A

Documento apreendido pela (Oban)
Documento apreendido pela Operação Bandeirantes (Oban), com Carlos Marighella, no dia de seu assassinato. São Paulo, 1969.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE E003289

Documento encontrado em poder de Carlos Marighella
Decodificação feita por agentes da Oban do documento encontrado em poder de Carlos Marighella. Este tipo de tratamento de informações, presente em muitos dossiês do acervo do SNI, expressa métodos de análises de documentos que mais tarde seriam difundidos pela EsNI na formação dos agentes dos órgãos de repressão dos governos militares. São Paulo, 1969.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE E003289

Explosão de bomba em banca de jornal no bairro de Madureira
Explosão de bomba em banca de jornal no bairro de Madureira (Rio de Janeiro), atribuída a grupos anticomunistas. Rio de Janeiro, julho de 1980.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A009367

Instalações da Agência Central do SNI
Instalações da Agência Central do SNI. Brasília, 30 de outubro de 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A098028

Instalações da Agência Central do SNI
Instalações da Agência Central do SNI. Brasília, 30 de outubro de 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A098028

Operação Verniz
“Operação Verniz”, cujo objetivo era acompanhar as atividades de militantes de organizações de esquerda nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. S. l.,1969.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A068267

Periódico intitulado Coleção L
A EsNI editava um periódico intitulado Coleção L, de circulação restrita, responsável por divulgar na comunidade de informações a doutrina brasileira de inteligência. Estima-se que a EsNI tenha formado cerca de dois mil agentes até sua extinção em 1990. Resumo de aula feito por professor da EsNI. Brasília, 1987.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 Série Administração Geral, caixa 14, pasta 9

Regulamento para salvaguarda de assuntos sigilosos
Livreto produzido pelo SNI intitulado Regulamento para salvaguarda de assuntos sigilosos (decreto nº 79.099, de 6 de janeiro de 1977)”, que relaciona as posturas a serem seguidas pelos agentes do SNI.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 Série Administração Geral, caixa 8, pasta 22

SNI, edifício do Estado-Maior das Forças Armadas
Instalações da Agência Central do SNI, no edifício do Estado-Maior das Forças Armadas, na Esplanada dos Ministérios. Brasília, 30 de outubro de 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A098028

Trecho do jornal Em Tempo
Trecho do jornal Em Tempo, anexo ao dossiê do SNI que analisa atividades do jornal e seus editores, "que são conhecidos militantes de organizações subversivas". Os trechos sublinhados em vermelho expressam análise do agente do SNI encarregado do caso. Dezembro de 1977.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A108912
Em abril de 1964, um golpe militar depôs o presidente João Goulart (1961-1964), instituindo um período ditatorial no Brasil com o objetivo de resolver a crise econômica e afastar da política os opositores à nova ordem. Um sentimento comum também unia os diferentes militares que formavam as Forças Armadas brasileiras: o anticomunismo. O temor de o Brasil se tornar um país comunista existia em alguns círculos militares e em parte da sociedade brasileira antes mesmo de 1964, como demonstrou a manifestação de caráter anticomunista formada por cerca de meio milhão de pessoas que foram às ruas da cidade de São Paulo protestar contra a "baderna e a corrupção", conhecida como Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ocorrida em 19 de março de 1964.
No dia seguinte à publicação do primeiro Ato Institucional, decretado em 9 de abril de 1964, foi divulgada a primeira lista de cassados: entre os 102 nomes, estavam os dos ex- presidentes João Goulart e Jânio Quadros, de Luís Carlos Prestes, Leonel Brizola e Celso Furtado, assim como de 29 líderes sindicais e alguns oficiais das Forças Armadas. No mês seguinte, seria a vez do ex-presidente Juscelino Kubitschek ser cassado. Os resultados dessas primeiras medidas atingiram cerca de três mil civis e militares que foram punidos por subversão ou corrupção. Os diversos atos institucionais possibilitaram a cassação de direitos políticos e de mandatos parlamentares, extinção dos partidos políticos, estabelecimento de foro militar para civis acusados de crimes contra a segurança nacional, suspensão da garantia do habeas corpus para os acusados de crimes contra a segurança nacional, entre outras medidas repressivas.
A partir de 1964, os sindicatos foram totalmente desorganizados. O movimento estudantil foi posto na ilegalidade e passaria a ser alvo de inúmeras medidas arbitrárias e violentas. A ditadura brasileira surgida bastante antes das suas congêneres do Cone Sul, como a da Argentina, do Chile e do Uruguai, atingiu em 1971 seu apogeu repressivo, assassinando, torturando ou fazendo desaparecer os opositores ao regime. Segundo o historiador Jacob Gorender, nessa época a esquerda já tinha muito menos militantes, o que explicaria, ao menos em parte, o menor número de mortos e desaparecidos ocorrido no Brasil, em termos relativos e absolutos. Existem estimativas de que cerca de 50 mil pessoas tiveram, durante os governos militares, a experiência da passagem pelas prisões e, destas, cerca de 20 mil foram submetidas à tortura. Durante o período ditatorial, a Justiça Militar recebeu 800 processos por crimes contra a segurança nacional, nos quais foram indiciados 11 mil pessoas, 8 mil acusados, resultando em milhares de condenações.

XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna
Capa do álbum fotográfico e fotos de participantes do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. São Paulo, 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A046670

Aparelho da Vanguarda Popular Revolucionária
Aparelho da Vanguarda Popular Revolucionária. Porto Alegre, outubro de 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A049214

As Divisões de Segurança e Informações
As Divisões de Segurança e Informações (DSI) foram organizadas pelo Decreto 60.940, de 4 de julho de 1967, substituindo as Seções de Segurança Nacional (SSN), órgão criado no governo de Eurico Gaspar Dutra. Em cada ministério civil e em seus órgãos vinculados deveria ser organizada uma DSI, ligada ao gabinete do Ministro, com o objetivo de ser uma estrutura setorial de informação. Em maio de 1970, as DSI passaram à subordinação do SNI, e não mais à Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional, fato reforçado pelo Decreto nº 75.640, de 22 de abril de 1975, que determinou que as DSI integravam "o Sistema Nacional de Informação e Contra-Informação (SISNI)". No decreto, foram criadas três categorias de DSI, cuja diferença era dada pelo número de funcionários e, ainda, determinou que os seguintes ministérios deveriam organizar suas respectivas DSI. Também determinou a instalação, nos órgãos vinculados e empresas públicas, das Assessorias de Segurança e Informações (ASI) que eram subordinadas às DSI de seu ministério. A independência da DSI em relação ao ministério em que se instalava era expressa por receber dotação orçamentária que era gerida pela própria Divisão, assim como o SNI administrava seu próprio orçamento.

Capa do COOJORNAL.
Capa do COOJORNAL. Porto Alegre, 18 de julho de 1977. Serviço Nacional de Informações.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A104199

Carro do cônsul americano Curtis Carly Cutter
Carro do cônsul americano Curtis Carly Cutter, após sofrer tentativa de sequestro em 6 de abril de 1970 pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O cônsul escapou, sendo ferido no ombro. Porto Alegre, abril de 1970.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A028292

Cartaz de militantes de organizações de esquerda
Cartaz de militantes de organizações de esquerda procurados pelos órgãos de segurança nacional. S. l., 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A036505

Cartaz de procurados
Cartaz de procurados, com foto de Carlos Lamarca e outros. S. l., S. d.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações,Companhia Docas de São Paulo, PA Caixa 01

Catre que serviria como cama para o cônsul Curtis Carly Cutter
Catre que serviria como cama para o cônsul americano Curtis Carly Cutter, no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, abril de 1970.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A028292

Cédulas de dinheiro
Cédulas de dinheiro encontradas em correspondências apreendidas pela Empresa de Correios e Telégrafos, com "dizeres subversivos". Brasília, 21 de fevereiro de 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A000509

Cronologia órgãos de repressão
1º de abril de 1964 - A sede da UNE, no Rio de Janeiro, é incendiada e tomada pelo governo militar, é destruído o acervo de CPC.
13 de junho de 1964 - o presidente Castello Branco (1964-1967) assinou a Lei 4.341, criando o Serviço Nacional de Informações.
27 de outubro de 1964 - o Congresso aprova o projeto Suplicy, que extinguiu a UNE.
25 de janeiro de 1967 - Criação do Conselho de Segurança Nacional.
9 de fevereiro de 1967 - Sancionada a Lei de Imprensa.
13 de março de 1967 - Promulgada a Lei de Segurança Nacional.
2 de maio de 1967 - o presidente Costa e Silva cria o Centro de Informações do Exército, diretamente subordinado ao ministro de Exército, com o objetivo de orientar, coordenar supervisionar todas as atividades de Segurança Interna e Contra-Informações.
28 de março de 1968 - Morre o estudante secundarista Edson Luiz Lima Souto com um tiro no peito disparado por um tenente da Polícia Militar durante manifestação no restaurante universitário Calabouço no Rio de Janeiro.
22 de novembro de 1968 - Criado o Conselho Superior de Censura.
1º de julho de 1969 - data oficial de criação da Operação Bandeirantes (Oban), na estrutura do 2º Exército, em São Paulo, passando a atuar na repressão à guerrilha urbana.
4 de novembro de 1969 - Carlos Marighella é assassinado pela equipe do delegado Sérgio Fleury.
Setembro de 1970 - A Oban é extinta e é criado o Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).
1971 - Foram mortos Carlos Lamarca e Iara Iavelberg e o militante do MR-8, Stuart Angel é morto sob torturas na Base Aérea do Galeão no Rio de Janeiro.
Fevereiro de 1972 - São presos os primeiros integrantes da Guerrilha do Araguaia. Em diversas operações militares, o Exército elimina o foco guerrilheiro do PCdoB na região, deixando como saldo em 1974, setenta e nove mortos e desaparecidos entre guerrilheiros e camponeses.
25 de outubro de 1975 - Morre sob torturas nas dependências do DOI-Codi, o jornalista Wladimir Herzog. A versão oficial é suicídio por enforcamento.

Depoimento manuscrito de preso político
Apesar da negativa oficial sobre a ocorrência de tortura aos presos políticos, muitos deles corajosamente deixaram registrados, nos seus locais de prisão, relatos sobre a tortura sofrida. Depoimento manuscrito de preso político Paraná, 1970.
Arquivo Nacional, Divisão de Inteligência da Polícia Federal, ZD caixa 32 -A

Diligências do Comando Militar do Planalto (11ª R. M.)
Material apreendido durante diligências do Comando Militar do Planalto (11ª R. M.) a diversas repúblicas de estudantes da UnB. Brasília, junho de 1973.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A062811

Imagem da bandeira do Brasil
Imagem da bandeira do Brasil encontrada em correspondência apreendida pela Empresa de Correios e Telégrafos. Brasília, 21 de fevereiro de 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A000509

Jornal Flagrante
Jornal Flagrante. Rio de Janeiro, março/abril de 1978.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A110172

Luís Travassos, presidente da UNE
Luís Travassos, presidente da UNE na revista Realidade. Preso em Ibiúna, teve seu pedido de habeas corpus negado pelo general Ernesto Geisel, então ministro do Supremo Tribunal Militar. Mais tarde, foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick. S. l., julho de 1968.
Arquivo Nacional, Conselho de Segurança Nacional, N8 Caixa 206

Publicação Diário del Che en Bolívia
Correspondência apreendida pela Empresa de Correios e Telégrafos proveniente de Cuba, contendo calendários e a publicação Diário del Che en Bolívia. S. l., 1970.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A033696

Vanguarda Popular Revolucionária
Estouro de aparelho da Vanguarda Popular Revolucionária, em Porto Alegre. Documento produzido pela Assessoria de Segurança e Informações da Eletrobrás. Segundo o documento, esse era um dos seis aparelhos identificados da VPR naquela cidade. Porto Alegre, outubro de 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A049214

Máquina para confecção de matrizes
Máquina para confecção de matrizes encontrada no aparelho da VPR. Nela foi encontrada a matriz de um documento sobre torturas. Porto Alegre, outubro de 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A049214

Operação Verniz
Os agentes de informação registraram que as luvas, óculos e meias encontrados no aparelho eram material a ser utilizado em assaltos. "Operação Verniz" para desmantelamento de aparelho de militantes de organizações de esquerda nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. S. l., 1969.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A068267

VAR-Palmares
Em julho de 1969, foi oficialmente criada a Operação Bandeirantes (Oban), dentro do II Exército, em São Paulo, que passou a comandar a repressão contra a guerrilha urbana. Material apreendido em aparelho da VAR-Palmares pela Oban. São Paulo, 14 de janeiro de 1970. Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A0316891
Como era de se esperar, a instalação de um novo regime político marcado por uma postura tão evidentemente antidemocrática não se deu sem resistência. Inicialmente pacífica, como evidenciada na famosa Marcha dos Cem Mil, em 1968, a oposição à ditadura militar logo se debateu entre duas opções: ou a luta armada, ou o exílio.
O auge da repressão dá-se logo após a edição do Ato Institucional n. 5, que eliminou garantias constitucionais como o habeas corpus, direitos políticos e o direito de livre associação.
No Brasil, os comunistas tinham fundado, em 1922, o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Colocados na clandestinidade desde 1947, enfrentaram o regime militar, mesmo pulverizados entre inúmeras tendências e denominações. A luta armada foi uma opção que mobilizou certos grupos dissidentes do PCB, como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o PCdoB, estimulados pelo sucesso da Revolução Cubana.
No governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), o SNI aumentou a vigilância sobre parlamentares, estudantes, religiosos, intelectuais, líderes sindicais e outros inimigos do regime. Em julho de 1969, foi oficialmente criada a Operação Bandeirantes (Oban) dentro do II Exército, em São Paulo, passando a comandar a repressão contra a guerrilha urbana na capital paulista. No Rio de Janeiro, em setembro do mesmo ano, militantes da dissidência do PCB, denominada de Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), juntamente com membros da ALN, sequestraram o embaixador dos EUA, Charles Elbrick, na ação considerada a mais ousada da esquerda contra o governo militar. O ano de 1970 foi marcado por inúmeras ações da guerrilha: ocorreram 370 assaltos a bancos, sequestros do cônsul japonês Nobuo Okuchi, do embaixador alemão Ehrenfried Von Holleben e do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher. Estes sequestros, chamados pelas organizações de esquerda de "rapto", resultaram na libertação de mais de 120 militantes políticos.
Das 4.841 punições impostas a cidadãos brasileiros durante os 21 anos de regime militar, 2.990 ocorreram em 1964, muitas destas com base nas recomendações ou informações do SNI, uma vez que a base de dados do seu Cadastro Nacional era consultada por todos os órgãos da administração pública. Mais de seis mil pessoas foram punidas pelos atos institucionais ou processadas com base na Lei de Segurança Nacional.

Avenida Rio Branco
Avenida Rio Branco. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Manifestação de estudantes em BH
Manifestação de estudantes em Belo Horizonte para protestar contra a prisão de alunos da Universidade de Brasília. Belo Horizonte, 18 de outubro de 1965.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A006469

Minuta de Exposição de Motivos
Minuta de Exposição de Motivos elaborada pela Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional, com base no AI-5 e em informações prestadas pelo Serviço Nacional de Informações, para o processo de suspensão dos direitos políticos de Honestino Monteiro Guimarães. Brasília, 1969.
Arquivo Nacional, Conselho de Segurança Nacional, N8 Caixa 133

Enterro simbólico do estudante Edson Luís Lima Souto
Enterro simbólico do estudante Edson Luís Lima Souto durante o desfile das Forças Armadas. Fortaleza, 31 de março de 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A020560

A repressão ao movimento estudantil
A repressão ao movimento estudantil gerou vítimas, cujas circunstâncias de morte ou desaparecimento até hoje permanecem sem esclarecimentos.
Uma dessas vítimas foi Marco Antônio Dias Baptista (1954-1970). Paulista residente em Goiânia, era estudante secundarista e militante da Frente Revolucionária Estudantil vinculada à VAR-Palmares. Foi dirigente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) em 1968, sendo, no ano seguinte, preso por um dia. Em 1970, com 15 anos de idade, desapareceu no interior de Goiás, sob circunstâncias não esclarecidas. É o mais jovem brasileiro desaparecido político do regime militar no país.
Outra vítima, Honestino Monteiro Guimarães, era goiano de Itaberaí, nascido em 28 de março de 1947. Cursou geologia na Universidade de Brasília, até entrar para clandestinidade. Foi presidente da extinta Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) sendo preso pela primeira vez em 1966. Em 29 de agosto de 1968, o campus da UnB foi invadido pela polícia, que realizou inúmeras detenções, entre ela a de Honestino. Entre 1969 e 1972 viveu em São Paulo, militando na AP e atuando como dirigente da UNE. Foi novamente preso no Rio de Janeiro, em 10 de outubro de 1973 pelo CENIMAR, e nessa ocasião integrava os quadros da Ação Popular Marxista-Leninista (APML). Seus familiares nunca mais o veriam. Seu nome consta da lista de desaparecidos políticos de que trata a Lei nº 9.140/95. Era casado e deixou uma filha.
Passeata de estudantes contra o descaso nas obras do restaurante Calabouço. Rio de Janeiro, 1968.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A038094

Jornal Em Tempo
Jornal Em Tempo. Belo Horizonte, 20/31 de março de 1978.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A110208

Invasão de alunos à Faculdade em Minas Gerais
Invasão de alunos à Faculdade em Minas Gerais. Belo Horizonte, 1970. Serviço Nacional de Informações.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A037234

Assembleia geral de estudantes realizada na Universidade de Brasília
Assembleia geral de estudantes realizada na Universidade de Brasília e promovida pelo Diretório Universitário, em favor de anistia de presos políticos. A seta em vermelho indica que um dos oradores da assembleia estava sendo espionado. Brasília, 19 de maio de 1977.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A11317

O dossiê do SNI
O dossiê do SNI, produzido em 28 de junho de 1977, que analisa o movimento grevista ocorrido na Universidade de Brasília - UnB, a partir de maio de 1977, registrou que ocorreram "paralisações de aulas, piquetes, passeatas e aplicação de punições por parte da Reitoria. As assembleias eram realizadas na praça da Cultura, denominada pelos estudantes praça Edson Luís. Os principais temas abordados durante a greve foram condições de ensino, luta contra o jubilamento e as punições, divulgação do movimento estudantil de Brasília, críticas ao reitor da UnB, críticas ao ensino pago e luta pela liberdade de expressão. A UnB expulsou, suspendeu e jubilou os participantes do movimento. Muitos alunos que participavam ativamente das manifestações foram detidos pela polícia e processados com base na Lei de Segurança Nacional".

Cartaz com estudantes procurados
Cartaz com estudantes procurados pelos órgãos de segurança nacional. S. l., 1977. Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A104392

O que todo revolucionário deve saber sobre a repressão
Considerado um clássico da literatura revolucionária internacional, a obra O que todo revolucionário deve saber sobre a repressão, de Victor Lvovich Khibalchich (1890-1947), foi escrita em 1925. Conhecido como Victor Serge, francês, filho de exilados russos, o autor integrou o Partido Comunista Russo até ser expulso em 1928. Voltou para França e, com a invasão nazista em 1940, fugiu para o México, onde manteve contato com Léon Trotsky. Sua visão da ineficiência das polícias políticas da Rússia pré-revolucionária, que não foi capaz de conter o movimento de outubro de 1917, acalentaram os sonhos dos revolucionários brasileiros. Pelo menos uma cópia deste livro foi apreendida pela Agência Central do SNI. São Paulo, s.d.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A020560

Indivíduos banidos
25 de julho de 1966 - Atentado a bomba contra o futuro presidente Costa e Silva no aeroporto de Guararapes, em Recife, termina com três mortos e vários feridos.
Maio de 1968 - Criada a Vanguarda Popular Revolucionária - VPR, formada por dissidentes da Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (POLOP), sargentos e suboficiais do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).
1968: Criação da Ação Libertadora Nacional (ALN), por Carlos Marighella.
26 de junho de 1968 - Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, contra o regime militar, reuniu intelectuais, estudantes, trabalhadores.
Julho de 1968 - Estoura a greve dos metalúrgicos em Osasco (São Paulo). Os operários ocupam as fábricas e o movimento é reprimido. Todos os dirigentes foram presos, mortos ou exilados.
12 de outubro de 1968 - Em ação da VPR, o Capitão do exército americano Charles Chandler é assassinado.
26 de janeiro de 1969 - O capitão Carlos Lamarca realiza a expropriação de armas e munições do quartel de Quitaúna, em Osaco (São Paulo).
07 de julho de 1969 - A VPR, o Comando de Libertação Nacional-COLINA e um grupo de militantes da União Operária do Rio Grande do Sul fundem-se e criam a Vanguarda Armada Revolucionária - VAR-Palmares.
11 de maio de 1969 - A VAR-Palmares é rouba o cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, levando U$$ 2,8 milhões.
4 de setembro de 1969- militantes da Dissidência Guanabara, futuro MR-8, e da ALN, sob o comando de Joaquim Câmara Ferreira, se unem no seqüestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Considerado o ato mais ousado da guerrilha urbana até então, conseguiu a libertação e banimento para o México de 15 presos políticos e a difusão de um manifesto em jornais, rádios e redes de televisão de todo o Brasil.
11 de março de 1970 - militantes da VPR de São Paulo sequestram o cônsul japonês Nobuo Okuchi com o intuito de libertar Chizuo Osava. Três dias depois, ele mais quatro presos políticos, entre eles a madre Maurina Borges, são soltos e banidos para o México em troca da libertação do cônsul.
15 de abril de 1971 - Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragás, identificado pelas organizações de esquerda como financiador da Oban, é morto em São Paulo por um militante da ALN.
30 de outubro de 1975 - é realizado ato ecumênico, em São Paulo, na Catedral da Sé, em memória ao jornalista Wladmir Herzog, morto sob tortura nas dependências do DOI-CODI. A versão oficial era que o Herzog se enforcara.
12 de maio de 1978 - acontece a primeira greve do país desde a promulgação do AI-5 pelos metalúrgicos da Scanea-Vabis em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
1º de abril de 1980 - metalúrgicos do ABC e outras 15 cidades de São Paulo entram em greve. Cerca de 350 mil trabalhadores paralisam suas atividades.

Casa em Cordovil
Casa, em Cordovil, bairro do Rio de Janeiro, onde ficou o embaixador alemão Ehrenfried Anton Theodore Ludwig von Holleben, sequestrado, em 11 de junho de 1970, pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob o comando de Eduardo Leite. O sequestro de diplomatas foi uma tática que provou ser eficaz para a libertação de presos políticos. Rio de Janeiro, s.d.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A036861

Dulce de Souza
Dulce de Souza, militante da VPR, foi um dos 40 presos políticos banidos para a Argélia, em troca do embaixador alemão von Holleben. A metade dos banidos integrava os quadros da VPR. Os demais eram de outras organizações de esquerda, como ALN e MR-8. S. l., s. d.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A036861

Grupo dos quarenta banidos pelo decreto nº 66.716
Grupo dos quarenta banidos pelo decreto nº 66.716, de 15 de junho de 1970, em troca da libertação do embaixador alemão von Holleben. S. l., junho de 1970.
Arquivo Nacional, Divisão de Inteligência da Polícia Federal, ZD caixa 01-A

Mãos e pés de preso político
Mãos e pés de preso político trocado pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Fotografar os presos políticos nus, em roupas íntimas e/ou detalhes de seus corpos era uma prática comum dos órgãos de repressão antes do banimento do preso, no intuito de evidenciar a inexistência de torturas físicas. S. l., 18 de dezembro de 1970.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A27914

João Carlos Bona Garcia
João Carlos Bona Garcia. Um dos presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado em 7 de dezembro de 1970. S. l.,13 de janeiro de 1971. Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A27914

Aristenes Nogueira de Almeida
Denunciado na 2ª RM, em 20 de fevereiro de 1970, Aristenes Nogueira de Almeida, militante da VPR, foi um dos setenta presos políticos trocados pelo embaixador suíço. Era acusado de participação no atentado ao quartel-general do II Exército, em junho de 1968, e de participação na morte do capitão Charles Chandler, em outubro de 1968. S. l., 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A025662

Banidos para o Chile
O sequestro do embaixador suíço, liderado por Carlos Lamarca, teve a mais longa duração e a mais complicada negociação com o governo para o resgate de presos políticos. Diferentemente das negociações anteriores, o governo, pela primeira vez, se recusou a divulgar textos dos sequestradores e libertar 13 presos da lista, acusados de cometer os chamados crimes de sangue. Além disso, 18 presos recusaram-se a deixar o país. Após longa negociação, os 31 nomes foram substituídos, alcançando-se a exigência inicial de setenta presos. Todos foram banidos para o Chile em 13 de janeiro de 1971, pelo Decreto nº 68.050, de 13 de janeiro de 1971.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A025662

Xambioá
Vista da cidade de Xambioá. Xambioá, s. d.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 . ACE A049474
O governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) foi caracterizado por ele mesmo como um período de distensão lenta, gradual e segura. A censura prévia foi abolida, primeiramente, no jornal O Estado de S. Paulo e a propaganda eleitoral foi permitida para as eleições de deputados federais e senadores em 1974. Entretanto, as medidas repressivas continuavam a atingir as organizações clandestinas, os partidos políticos ilegais, a imprensa, culminando com as mortes nas dependências do DOI-CODI de São Paulo do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho.
Em 31 de dezembro de 1978, o AI-5 foi definitivamente revogado. Diversos protestos, passeatas e manifestações dos diversos comitês pela anistia espalhados pelo Brasil e no exterior pressionavam o governo em favor da promulgação de uma anistia política. O projeto de lei encaminhado ao Congresso que excluía os presos políticos condenados que atuaram na luta armada foi duramente criticado pelo movimento de anistia, que exigiu, também, a localização dos presos políticos desaparecidos e mortos pela repressão e a punição dos torturadores. Em protesto, os presos políticos entraram em greve de fome por tempo indeterminado.
Em 1979, foi aprovada a Lei de Anistia que perdoou todos os crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, com exceção daqueles "que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal", como definido em seu artigo primeiro, segundo parágrafo. Na prática, permitiu o retorno dos exilados políticos ao Brasil e o perdão a todos torturadores e demais agentes públicos responsáveis pela repressão aos militantes políticos.
Com a assinatura da Lei de Anistia em 28 de agosto de 1979, os presos políticos resolveram terminar a greve de fome, considerando-a vitoriosa sob o ponto de vista político, mas denunciando seu caráter restritivo.
A Lei de Segurança Nacional foi reformada, reduzindo os prazos das penas dos presos políticos e beneficiando-os com liberdade condicional, mas mantendo os direitos políticos cassados por dez anos e obrigando-os a comparecer nas auditorias militares, semanalmente, para assinarem boletins de localização.
Ainda em 1979, uma nova lei permitiu o retorno ao pluripartidarismo, extinguindo a Arena e o MDB, aumentando, desta maneira, as pressões em várias áreas do espectro político, pedindo o retorno a um estado democrático de direito.
Em 1983, realizou-se, em São Paulo, o Congresso de fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). No ano seguinte, aconteceu a primeira greve na história da Companhia Siderúrgica Nacional. Nesse mesmo ano, mais de um milhão de pessoas se reuniram pelas Diretas-Já na Igreja Candelária no Rio de Janeiro, movimento que reivindicava eleições diretas para a presidência. Simultaneamente, em São Paulo, mais de um milhão de paulistas ocuparam o Vale do Anhangabaú clamando por Diretas-Já.
Com a eleição indireta de Tancredo Neves em 1985, o Brasil tem novamente um primeiro presidente civil depois de 21anos de ditadura militar. Assim, oficialmente foram encerrados os governos autoritários dos generais presidentes.

Jornal Em Tempo
Jornal Em Tempo. Belo Horizonte, dezembro de 1977.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A108912

Instituto Penal Cândido Mendes
Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, palco da greve de fome dos presos políticos iniciada em 5 de maio de 1975. Rio de Janeiro, 28 de maio de 1975.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A083659

Cozinha do Instituto Penal Cândido Mendes
Cozinha do Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande. Dentre as reivindicações dos presos em greve de fome estava a melhoria da alimentação fornecida. Rio de Janeiro, 28 de maio de 1975.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A083659

Sanitário do Instituto Penal Cândido Mendes
Sanitário do Instituto Penal Cândido Mendes. Rio de Janeiro, 28 de maio de 1975.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A083659

Instituto Penal Cândido Mendes
Instituto Penal Cândido Mendes. Rio de Janeiro, 28 de maio de 1975.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A083659

Manifestação pela memória das vítimas da repressão
Manifestação pela memória das vítimas da repressão, com a participação de dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, destacado na foto por um círculo feito pelo agente de informação devido à sua intensa atuação em movimentos sociais. Beberibe, março de 1978.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE A112174

Ato público pela Anistia
Ato público pela Anistia. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Pichação no Centro do Rio de Janeiro
Pichação no Centro do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Pichação no Centro do Rio de Janeiro
Pichação no Centro do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Ato público pela Anistia
Ato público pela Anistia. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Pichação no Centro do Rio de Janeiro
Pichação no Centro do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244

Pichação no Centro do Rio de Janeiro
Pichação no Centro do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1979.
Arquivo Nacional, Serviço Nacional de Informações, V8 ACE C001244
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República
Dilma Vana Rousseff
Secretária-Executiva da Casa Civil da Presidência da República
Erenice Guerra
Diretor-Geral do Arquivo Nacional
Jaime Antunes da Silva
Coordenadora-Geral da Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal
Maria Esperança de Resende
Curadoria e textos
Vivien Ishaq
Pesquisa de imagens
Pablo E. Franco (assistente de curadoria)
Camila França
Tereza Eleutério de Sousa
Revisão de textos
Guaracy José Bueno Vieira
José Claudio Mattar
Digitalização e edição de imagens
Camila França
Edição de imagens e alimentação
Alzira Reis
Produzida em maio de 2009.