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Silvio Tendler
É com pesar que nos despedimos hoje do cineasta Silvio Tendler. Nascido no Rio de Janeiro, em 1950, filho de imigrantes judeus, Silvio possui uma extensa e destacada filmografia de documentários.
Nos acervos que compõe a rede do Memórias Reveladas estão algumas das imagens utilizadas por Silvio, que foi um dos maiores difusores da História recente do país, contribuindo com seus filmes para a garantia da memória, da verdade e da reparação.
Silvio Tendler aparece também como personagem de nossa história em diversos fundos custodiados pelo Arquivo Nacional, como os da censura, no de João Goulart e no do Serviço Nacional de Informações (SNI), que monitorava os passos do jovem cineasta, mesmo quando este já havia seguido para o exílio no Chile.
Ainda jovem tornou-se presidente do movimento cineclubista. Em 1969, Silvio já havia respondido a um Inquérito Policial Militar e nos anos 1970 deixou o Brasil de Médici para viver no Chile de Salvador Allende e, mais tarde, cursou o mestrado na França.
De volta ao Brasil, em 1981, fundou a Caliban, produtora dedicada a biografias históricas de cunho social. Na obra de Silvio Tendler destacam-se filmes e séries que ajudam a entender e aprofundar o período da Ditadura no Brasil, como: Jango; Os Anos JK; Marighella, retrato falado do guerrilheiro; Glauber; Ibiúna, primavera brasileira; Os advogados contra a ditadura; Militares da democracia; Tancredo, a travessia; e o autobiográfico, Nas asas da PanAm.
Nos solidarizamos hoje com os sentimentos da família, de amigos e admiradores. Obrigado por tanto Silvio, seguiremos aqui seu caminho por revelar cada vez mais as memórias sensíveis de nosso país.