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27 de setembro de 1968
Prisão de Caetano e Gil
Publicado em
27/12/2025 00h00
Atualizado em
19/01/2026 15h53
Em 27 de dezembro de 1968, duas semanas após a decretação do AI-5, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos em São Paulo por ordem do 1º Exército, do Rio de Janeiro, para onde foram encaminhados. Permaneceram por sete dias no 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, e depois seguiram para a Vila Militar, em Marechal Deodoro. A prisão não foi noticiada pela imprensa, que estava sob forte censura, e as famílias souberam do paradeiro de ambos cerca de um mês depois.
Dois meses antes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes fizeram uma temporada na boate Sucata, na zona sul do Rio de Janeiro. Um dos pretextos para a prisão de Caetano e Gil teria sido a notícia dada pelo jornalista Randal Juliano na Tv Record de que os artistas haviam cantado uma paródia tropicalista do hino nacional em uma das apresentações.
Caetano e Gil eram monitorados há pelo menos três anos, tendo suas atividades artísticas apontadas em relatórios do Exército como ações subversivas à ordem vigente. No prontuário de Caetano consta “subversão e incitamento à desordem” como o motivo de sua prisão. A documentação pertence ao Fundo do Conselho de Segurança Nacional do Arquivo Nacional e está disponível através do Banco de dados do Memórias Reveladas.
No processo, há diversas composições que Caetano havia lançado nos primeiros anos de ditadura, entre elas Divino Maravilhoso, fruto da parceria com Gil. A música foi apresentada por Gal Costa no 4º Festival da MBP da Record, entre os meses de novembro e dezembro de 1968, ficando em terceiro lugar na competição. Dias depois Caetano e Gil foram presos.
Em 19 de fevereiro de 1969, Caetano e Gil partiram para a prisão domiciliar e, em julho, para o exílio em Londres, onde permanecem até janeiro de 1972. No meio disso, Gal Costa lança o seu primeiro álbum solo, “Meu nome é Gal”, em maio de 1969. Uma das faixas é a canção Divino Maravilhoso, que faz grande sucesso e se torna uma das marcas do tropicalismo. Gal assume para si a voz e a atitude contestadoras de Caetano e Gil, enquanto eles estavam fora do país.
Desde então, a parceria transgressora e atemporal de Caetano, Gil e Gal é um dos grandes símbolos da nossa MPB.